domingo, 13 de dezembro de 2020

FOTO: M113 australiano no Vietnã

 

Soldados australianos comendo ração operativa com o seu M113 na província de Phuoc Tuy, por volta de junho de 1966 a fevereiro de 1967.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 13 de dezembro de 2020.

Inicialmente considerado pelo Comando americano como um país intransponível para os blindados, o Vietnã mostrou um terreno propício para o uso de veículos blindados de vários tipos, especialmente o M113. Os australianos e neo-zelandeses, por outro lado, fizeram ótimo uso de blindados durante a guerra, incluindo carros de combate Centurion (ótimos para explodir casamatas escondidas), e sempre mantiveram grupos de reserva blindada para atuarem como força de reação rápida. Uma dessas forças, composta por transportadores blindados M113, correu em socorro da infantaria australiana na Batalha de Long Tang (18 de agosto de 1966).

Os sul-vietnamitas, vindos da experiência francesa com os vários Groupes Mobiles (Grupos Móveis) e unidades blindadas anfíbias, mostraram aos aliados americanos como utilizar a mobilidade, proteção e poder de fogo no terreno fechado do país. Uma das criações dos sul-vietnamitas foi a adoção de uma cúpula de proteção na metralhadora, além da inclusão de mais metralhadoras, morteiros e até mesmo canhões, transformando o M113 em verdadeiros tanques ou até mesmo artilharia auto-propulsada.

"A doutrina para o emprego de forças blindadas também sofreu mudanças significativas durante o curso da Guerra do Vietnã. No início, o General Westmoreland havia resistido o desdobramento de unidades blindadas. Em julho de 1965, uma época em que o aumento em grande escala das forças terrestres dos EUA no Vietnã estava apenas começando, ele telegrafou ao Chefe do Estado-Maior do Exército que 'exceto por algumas áreas costeiras, principalmente na área do I Corps, o Vietnã não é lugar para unidades de tanques ou de infantaria mecanizada'.

O emprego generalizado e eficaz de veículos blindados pelos sul-vietnamitas demonstrou, entretanto, que havia muito mais terreno trafegável para veículos blindados do que os americanos pensavam e, subsequentemente, até Westmoreland buscou mais unidades desse tipo. Quando Abrams, o mais famoso comandante de tanques americano de nível de batalhão da Segunda Guerra Mundial, ascendeu ao comando no Vietnã, as forças blindadas gozaram de alta prioridade e eram amplamente empregadas com bons resultados. Durante a retirada, de fato, Abrams protegeu suas unidades blindadas o máximo possível porque as considerou tão versáteis e úteis.

Embora as forças sul-vietnamitas e norte-americanas incluíssem unidades de tanques, o veículo blindado de transporte de pessoal tornou-se, de muitas maneiras, a estrela do show blindado. Isso se deveu, em grande medida, à evolução do seu papel, com a doutrina vigente sendo desenvolvida no campo de batalha e só mais tarde incorporada aos manuais de campanha. Elevação da blindagem (imitando modificações originalmente concebidas pelos vietnamitas), os transportadores montaram mais armas e assumiram mais papéis, mesmo alguns essencialmente parecidos àqueles dos tanques. As muitas versões do transportador de pessoal blindado (como transportador de tropas, 'tanque' leve, ambulância blindada, veículo de abastecimento, posto de comando, transportador de morteiros, caminhão de carga pesada, lançador-de-pontes, lança-chamas, plataforma de mísseis TOW e assim por diante) tornaram-no presença onipresente nos campos de batalha do Vietnã. Exceto pelo helicóptero, que obviamente se destacou durante a Guerra do Vietnã, nenhum veículo sofreu mais metamorfose de combate do que o humilde transportador blindado."

- Lewis Sorley, The Conduct of the War: Strategy, Doctrine, Tactics, and Policy, Capítulo 9 do livro Rolling Thunder in a Gentle Land: The Vietnam War Revisited, pg. 188-189.

Mesmo hoje o M113 continua sendo usado em combates ao redor do mundo e sofrendo alterações de campanha conforme a necessidade dos combatentes.

M113 líbio com um canhão de 122mm russo.
O M113 continua combatendo de forma dinâmica no século XXI.

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