domingo, 5 de janeiro de 2020

GENERAL ATOMICS MQ-9 REAPER. O primeiro drone "hunter killer"

MQ-9 Reaper
FICHA TÉCNICA
Velocidade máxima: 482 km/h.
Velocidade de cruzeiro: 313 km/h.
Teto de serviço: 15200 m.
Alcance: 1852 km.
Motor: Um turbopropulsor Honeywell TP-301-10GD com 900 hp.
Comprimento: 11 m.
Envergadura: 20 m.
Altura: 3,8 m.
Peso: 2223 Kg (vazio).
Armamento: Carga de 1088 kg de armas que podem ser bombas GBU-38 JDAM,  bombas guiadas a laser GBU-12 Paveway II, mísseis antitanque AGM-114 Hellfire, guiados a laser, e mísseis ar ar. AIM-92 Stinger e AIM-9X Sidewinder.

DESCRIÇÃO
Por Carlos Junior.
Em 3 de janeiro de 2020, as forças armadas dos Estados Unidos executaram um ataque ao aeroporto de Bagdá, no Iraque, com o objetivo de assassinar Qassem Soleimani, comandante da força Quds, uma unidade de elite da Guarda Revolucionária iraniana. O ataque foi efetuado a partir de uma aeronave remotamente pilotada MQ-9A Reaper.  Para revelar ao leitor do WARFARE Blog os detalhes desta aeronave de combate, descreverei nas proximas linhas as caracteristicas e desempenho do Reaper.
Os Estados Unidos se tornaram a nação que mais importância deu para o estudo de aeronaves sem piloto (UAV) ou drones, como são mais popularmente conhecidos, e iniciaram, em 1995, as operações militares com o modelo MQ-1 Predator, fabricado pela General Atomics, usado, inicialmente, exclusivamente para missões de observação e reconhecimento, usando diversos tipos de sensores e câmeras especiais para permitir o fornecimento de dados do campo de batalha em tempo real para os comandantes da missão e para os soldados na linha de frente. Em fevereiro de 2001, um Predator, foi armado com o míssil antitanque Hellfire C, guiado a laser, e foi usado num teste em que o veiculo alvo foi destruído com sucesso. Aí o UAV Predator, cruzou a fronteira que separa o avião sem piloto (UAV), do avião de combate sem piloto UCAV (Unmanned Combat Air Vehicle).
Mesmo assim, esta nova capacidade do Predator foi só uma experiência para desenvolver a tecnologia que seria usada em um novo UCAV que havia sido encomendado em 1998. Neste ano, a força aérea dos Estados Unidos (USAF) contratou a General Atomics para que desenvolvesse uma nova variante do Predator com melhorias substanciais, abrangendo sua capacidade de combate, motorização mais potente e autonomia. O modelo passou a ser chamado de MQ-9 Predator B, para identificar a nova versão.
A aeronave remotamente pilotada General Atomics MQ-1 Predator foi a primeira aeronave sem piloto a ser armada e empregada em combate. O MQ-9 Reaper deriva desse modelo.
No final de 2001, a USAF, encomendou dois Predators B e decidiu rebatizar o novo modelo de Reaper (ceifador). Assin nasceu o pruimeiro drone hunter killer (caçador assassino) da USAF.
O avião foi equipado com um motor Honeywell TP-301-10T que produz uma potencia máxima de 900 SHP e leva o Reaper a uma velocidade máxima de 482 km/h. A autonomia de voo chega a 14 horas com carga de armamento completo, ou 4382 km de alcance de translado. Esse desempenho garante muito maior flexibilidade operacional para o Reaper que o seu antecessor Predator. Esteticamente, a maior diferença entre os dois se dá na posição da empenagem em “V” que no Reaper é para cima e no Predator está montado em baixo da fuselagem do avião.
O MQ-9 Reaper é maior que o Predator, transportando mais carga de combate, a uma distancia maior. O Reaper pode permanecer em voo por 14 horas!
O Reaper é controlado remotamente de uma estação de comando terrestre (GCS - Ground Control Stations) onde o avião é pilotado por uma pessoa usando joytick, enquanto que os sistemas de sensores são operados por outro elemento. O comando é feito por sinais de satélite, para poder manter o controle da aeronave além do horizonte.
O Reaper está equipado com um radar de abertura sintética General Atomics AN/APY-8 Lynx II usado para rastrear alvos de superfície e acompanha-los. Este radar produz imagens de alta definição dos alvos em terra permitindo identificar com precisão o tipo de alvo e sua posição. O alcance deste radar, em altas altitudes, pode chegar a 87 km em condições climáticas favoráveis.  Outro avançado sistema instalado no Reaper é o sistema de designação de alvos MTS-B (Multi - Spectral Targeting System) que consiste em uma torre multi-sensor contendo um telêmetro a laser, um designador de alvos a laser, uma câmera e uma infravermelha (IR). O Reaper passa as informações coletadas de seus sensores por data link.
O MQ-9 reaper é pilotado remotamente de dentro de um trailer, que é denominado GCS - Ground Control Stations. Enquanto um piloto é responsável pela pilotagem, o seu parceiro, ao lado, é responsável pelo uso dos sensores e emprego do armamento.
O armamento que pode ser transportado pelo Reaper é particularmente surpreendente, Há 6 cabides de armas externos que podem transportar uma carga de 1088 kg. Uma das armas disponíveis é o míssil anti tanque AGM-114 Hellfire, guiado por laser e usado para destruir veículos e fortificações. O alcance do Hellfire é de 7 km e sua sua cabeça de guerra pode ser do tipo dupla, em tandem com 9 kg de explosivos,  que permite uma potente capacidade antiblindagem. Outro tipo de ogiva é a HEAT (alto explosivo) e a de carga moldada, também voltada para a penetração de blindagens.
Outra arma muito empregada pelo Reaper é a bomba guiada a laser GBU-12 Paveway II. Seu baixo peso, cerca de 230 kg  permitem que até 4 unidades sejam transportadas pelo Reaper. A margem de erro do ponto iluminado pelo feixe laser, é de meros 1,1 metro. Mais recentemente foi integrado a bomba guiada por GPS GBU-38 JDAM, que é a variante de 230 kg desta importante família de armas. O Reaper já foi armado com o famoso míssil ar ar AIM-9X Sidewinder e o AIM-92 Stinger, uma versão ar ar do famoso míssil antiaéreo portátil. Houve um teste bem sucedido onde um reaper destruiu um outro drone com um um lançamento de um AIM-9X, porém, a aeronave não é empregada, normalmente, nessa tarefa.
O Reaper desta foto está armado com 4 mísseis antitanque Hellfire e duas bombas guiadas a laser GPU-12 Paveway II.. O emprego de um drone armado e de grande autonomia, permite executar missões de eliminação de inimigos de surpresa, como foi o execução do general iraniano Qassem Soleimani no aeroporto de Bagdá.
O Reaper foi pesadamente usado no Afeganistão, onde causou serias baixa nos guerrilheiros do Talibã, já provando a eficiência e viabilidade de aeronaves pilotadas remotamente em situação de combate real. Assim, o Reaper está expandindo os horizontes para a aplicação de aeronaves não tripuladas em batalhas. A próxima geração de aeronaves não tripuladas será movida por motores a reação (jato) o que aumentará, ainda mais a flexibilidade de emprego destes sistemas de armas que certamente representam o futuro de aviação de combate.  
Além dos Estados Unidos, o Reaper está em serviço na Itália, França, Holanda, Índia e Inglaterra mostrando que muitas forças armadas de primeira linha despertaram para a importância  que aeronaves sem piloto terão no futuro a curto prazo.



Um comentário:

  1. vejam meu vídeo do meu canal militar O ANALISTA MILITAR o gigante hidroavião japonês da segunda guerra mundial um barco voador https://www.youtube.com/watch?v=vP9asOOTRsY

    ResponderExcluir