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sábado, 21 de maio de 2022

Israel tenta derrubar seu próprio drone por engano

Um drone militar israelense em 8 de junho de 2018.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 21 de maio de 2022.

As sirenes soaram na Alta Galiléia, perto da fronteira libanesa, com moradores correndo para abrigos. Israel lançou seus foguetes de defesa apenas para descobrir que estava atirando em seu próprio drone, conforme revelou o exército israelense dois dias atrás, em 19 de maio desse ano.

"Devido a um erro de identificação, a Matriz de Defesa Aérea das FDI lançou interceptadores que causaram os alarmes ouvidos no norte de Israel", disse o Exército israelense em comunicado. Isso ocorre dias depois que um drone do Hezbollah foi abatido enquanto viajava do Líbano para Israel. A Matriz de Defesa Aérea mencionada é o famoso Domo de Ferro, o sistema de defesa anti-mísseis de Israel.
O Líbano e Israel estão tecnicamente em estado de guerra, e Israel lançou uma guerra devastadora contra seu vizinho do norte em 2006, matando 1.200 pessoas - entre civis e terroristas - durante um período de 34 dias. A confrontação terminou com um cessar-fogo mediado pela ONU. No mês passado, um foguete disparado contra o norte de Israel partindo do Líbano caiu em uma área aberta perto do Kibutz Matzuva, perto da fronteira, sem causar danos ou ferimentos. Em resposta, os militares israelenses bombardearam alvos no Líbano com dezenas de obuses de artilharia, e o porta-voz das FDI, Ran Kochav, disse que facções palestinas no Líbano são consideradas responsáveis.

Houve vários casos de lançamento de foguetes do Líbano para Israel nos últimos anos, com a maioria atribuída a facções palestinas no país, não ao grupo terrorista libanês Hezbollah. No entanto, é improvável que terroristas no sul do Líbano consigam disparar foguetes sem pelo menos a aprovação tácita do grupo terrorista apoiado pelo Irã, que mantém um controle rígido sobre a área.

Um posto militar das FDI na fronteira entre Israel e Líbano, 20 de julho de 2021.

Bibliografia recomendada:

sábado, 5 de fevereiro de 2022

O Futuro da Marinha Francesa – Conversa do CSIS com o Almirante Vandier

O Chefe do Estado Maior da Marinha Francesa (Marine Nationale) Almirante Pierre Vandier discute o futuro curso das forças navais francesas no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em 31 de janeiro de 2022. (Foto: CSIS)

Por Peter Ong, Naval News, 3 de fevereiro de 2022.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 3 de fevereiro de 2022.

O Almirante Vandier discutiu a cooperação da Marinha Francesa com a Marinha dos Estados Unidos e outros aliados e delineou suas visões e planos para o futuro crescimento e renovação da Marinha Francesa nos próximos anos.

O Almirante Pierre Vandier visitou o Chefe de Operações Navais da Marinha dos EUA (Chief of Naval OperationsCNO) Almirante Michael Gilday na segunda-feira, 31 de janeiro de 2022 e também conversou ao vivo por uma hora no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (Center for Strategic and International StudiesCSIS), respondendo a perguntas do anfitrião e o público espectador.

Naval News enviou perguntas ao CSIS antes da apresentação e também quando a conversa foi transmitida ao vivo.

O status da Marinha Francesa e a Situação Marítima Global

O Almirante Pierre começou com um briefing descrevendo o status da Marinha Francesa:

“Desde o fim da Guerra Fria, a Marinha Francesa, assim como outras frotas ocidentais, sofreu cortes orçamentários até cinco anos atrás. Desde a diminuição, a Marinha Francesa tem estado constantemente sob estresse, o que é um bom treinamento para tempos de guerra. Ela conseguiu manter um espectro completo de recursos, mas alguns deles foram reduzidos a uma escala muito pequena. A decisão de renovar algumas aeronaves e submarinos foi adiada demais no futuro e agora faltarão alguns ativos navais nos próximos anos”.
— Chefe da Marinha Francesa Almirante Pierre Vandier.

A Marinha Francesa baseia-se no apoio ao grupo de ataque do porta-aviões Charles de Gaulle que acabou de ser desdobrado no Mar Mediterrâneo nesta semana.

O porta-aviões francês Charles de Gaulle durante o exercício de pré-desdobramento FANAL19.
(Foto da Marinha Francesa)

O Almirante Vandier acredita que mar, espaço e ciberespaço estão ligados (via satélites e cabos de dados) e que os adversários usarão a violência para controlar esses domínios. O almirante gosta de pensar na guerra naval verticalmente do fundo do mar ao espaço, enquanto costumava ser o pensamento horizontal do mar à costa. A Marinha Francesa também está vendo uma proliferação de armas de superfície, submarinos e navais em todo o mundo devido à competição global, e isso ele acredita que fornece o maior risco de erro de cálculo (decisões equivocadas de “ordem para atirar”) que podem inadvertidamente utilizar esses armas.

Devido às demandas globais e ameaças estratégicas aos interesses nacionais franceses, a Marinha Francesa está desdobrada em muito mais lugares do que foi projetada no último Livro Branco de Defesa escrito em 2013. “Apesar desses cortes orçamentários, nunca perdemos nosso status de marinha ou nossa capacidade de agir em qualquer lugar e a qualquer hora, graças ao nosso compromisso permanente com a dissuasão no mar e os benefícios de um grupo de ataque do porta-aviões Charles de Gaulle de prontidão em alto mar”, disse o almirante Vandier, indicando que a Marinha Francesa participou de todos os grandes conflitos ocidentais nos últimos 30 anos.

O Almirante Vandier disse que a Marinha Francesa envia um navio de guerra quatro a cinco vezes por ano ao Mar Negro para mostrar o compromisso da França com a aplicação da OTAN naquela região.

Em relação às “atividades e fiscalização da Zona Cinza”, o almirante disse que a Marinha Francesa tem conhecimento de drogas e armas na parte ocidental do Oceano Índico e na parte oriental da África. Assim, a Marinha Francesa verifica essas regiões, rastreia-as e pressiona-as para impedir que essas atividades comecem outra coisa.

Quando o anfitrião do CSIS perguntou o quão grande é a preocupação com os sistemas aéreos não-tripulados (unmanned aerial vehiclesUAS) para a Marinha Francesa, o almirante respondeu que depende se o UAS é encontrado em operações costeiras ou em mar aberto, porque se for costeiro, as chances são de que o UAS seja menor do que um drone que pode viajar para mar aberto. Pode-se bloquear, ofuscar os sensores do UAS ou usar lasers para destruir o drone, e é uma guerra financeira não usar o caro míssil antiaéreo de um navio de guerra para abater um drone tão pequeno e barato, disse o almirante, que mencionou que a Marinha Francesa está trabalhando em tais sistemas contra-drones.

O anfitrião do CSIS perguntou como os sistemas não-tripulados podem ajudar a Marinha Francesa, ao que o almirante Vandier respondeu que os veículos aéreos não-tripulados (unmanned aerial vehiclesUAVs) podem ajudar a manter a bolha de consciência situacional noturna de inteligência, vigilância e reconhecimento (intelligence, surveillance, and reconnaissanceISR) em torno do grupo de ataque do porta-aviões (carrier strike groupCSG) que se encolhe à noite, quando os pilotos do porta-aviões precisam dormir e descansar. Os UAVs ajudarão a expandir essa bolha protetora CSG novamente à noite com ISR aéreo a longas distâncias. Veículos submarinos não-tripulados (unmanned underwater vehiclesUUVs) podem monitorar o fundo do mar em busca de invasões anfíbias.

A Marinha Francesa na Região Indo-Pacífico

Águas de Guam (11 de dezembro de 2020): O submarino de ataque rápido da classe Los Angeles USS Asheville (SSN 758), à direita, e o submarino de propulsão nuclear da classe Rubis da Marinha Francesa (SSN) Émeraude navegam em formação na costa de Guam durante um exercício fotográfico. O Asheville e Émeraude praticaram habilidades marítimas de ponta em uma infinidade de disciplinas projetadas para melhorar a interoperabilidade entre as forças marítimas. O Asheville é um dos quatro submarinos em prontidão avançada atribuídos ao Comandante, Esquadrão de Submarinos nº 15. (Foto da Marinha dos EUA pelo Especialista em Comunicação de Massa de 2ª Classe Kelsey J. Hockenberger)

A Marinha Francesa tem grandes interesses no Indo-Pacífico porque os franceses herdaram enormes territórios no Oceano Índico e no Pacífico e a França detém o segundo maior domínio marítimo do mundo com 11 milhões de quilômetros quadrados e sessenta por cento dele está no Indo-Pacífico, disse o Almirante Vander. Há 1,6 milhão de franceses vivendo em ilhas da Nova Zelândia, Nova Caledônia e ilhas do Pacífico, e a Marinha Francesa está comprometida em proteger seus cidadãos no exterior e está estruturada em torno dessa missão. A Marinha Francesa viu a ascensão de outras marinhas, como a Marinha Chinesa, e a Marinha Francesa está comprometida com a região da Orla das Nações do Pacífico Asiático (Rim of the Pacific Asian ExerciseRIMPAC) porque os franceses são vizinhos do RIMPAC.

A Marinha Francesa é uma mistura de guarda costeira e embarcações navais, onde as missões são combinadas, o que significa que uma fragata francesa pode realizar interdições de contrabando de drogas e rastrear e relatar a pesca ilegal, enquanto outras marinhas separam essas funções em navios letais da marinha militar cinza e navios da guarda costeira menos armados e de casco branco para aplicação da lei marítima. Essa combinação de missões letais de marinha  e de aplicação da lei marítima dá à Marinha Francesa um amplo espectro de missões e também determina a composição da Marinha Francesa de porta-aviões movido a energia nuclear a fragatas armadas a navios de patrulha offshore menores e menos armados para proteger os territórios insulares no oceano Pacífico. O almirante acrescentou que a Marinha francesa está combatendo a pesca ilegal usando satélites e permitindo que seus navios rastreiem e registrem a pesca ilegal.

Em relação à cooperação conjunta com a Marinha dos EUA e seus aliados, a Marinha dos EUA e a Marinha da França cooperaram muito no Golfo Pérsico. Em 2021, a Marinha Francesa enviou um submarino movido a energia nuclear para Guam e realizou exercícios com a Marinha dos EUA na área do Indo-Pacífico. A Marinha dos EUA e a Marinha da França assinaram recentemente uma Estrutura de Interoperabilidade Estratégica em 17 de dezembro de 2021.

A Marinha Francesa no Futuro

Grupo de ataque do porta-aviões PANG no mar.
(Imagem do Grupo Naval)

O almirante disse que o presidente Macron aumentou o orçamento da Defesa francesa com aumentos no financiamento plurianual, mas os resultados para as forças não ocorrerão antes de 2024 e que as lacunas militares não serão preenchidas antes de 2029.

“Nos próximos 20 anos, renovaremos novos recursos, como componentes marítimos para dissuasão nuclear, aeronaves marítimas, submarinos de ataque rápido, navios de patrulha offshore, ativos de controle de minas e navios de apoio.”
— Chefe da Marinha Francesa Almirante Pierre Vandier.

O Almirante Vandier estava muito interessado no plano do Chefe de Operações Navais (Chief of Naval OperationsCNO) da Marinha dos EUA Almirante Michael Gilday em 2021, antes que o Almirante Vandier lançasse seu plano estratégico chamado “Mercator 2021 Acceleration” e descobriu que muitos dos problemas são semelhantes aos do CNO da Marinha dos EUA.

Uma nova classe de navios patrulha para territórios ultramarinos está em construção e o primeiro de seis navios foi lançado ao mar em 2022, com o primeiro navio indo para a Nova Caledônia. Novas aeronaves ALBATROS Falcon 2000 chegarão em 2025 e haverá novos satélites para operações navais.

O Naval News perguntou ao Almirante Vandier: Que futuras grandes aquisições de capital (novos navios, submarinos, aviões de guerra) você prevê para a Marinha Francesa? O almirante respondeu que o próximo porta-aviões estará no mar por volta de 2037 e terá deslocamento de 80.000 toneladas com catapultas EMALS e dois reatores nucleares. Novos submarinos serão adquiridos até 2037, portanto, em meados da década de 2030, a Marinha Francesa será completamente renovada. No futuro, o Almirante Vandier prevê que a Marinha Francesa terá mais drones e uma variedade maior e melhor de armas para escolher. Além disso, as comunicações navais serão melhores, aprimoradas e mais vinculadas a satélites e recursos de comunicação mais novos.

Sobre o autor:

Peter Ong é um escritor freelancer com credenciais de mídia dos Estados Unidos e da Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) e mora na Califórnia. Peter tem um Bacharelado em Redação Técnica/Design Gráfico e um Mestrado em Negócios. Escreve artigos para publicações de veículos de defesa, marítimos e de emergência.

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

A Venezuela acusou a Colômbia de intrusão em seu espaço aéreo com um drone Hermes


Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 22 de setembro de 2021.

Hoje, 22 de setembro, as forças armadas da Venezuela (oficialmente Fuerza Armada Nacional Bolivariana, FANB) afirmaram que ontem (21/09) um drone Hermes da Colômbia violou o espaço aéreo venezuelano na província de Zula. 



Comunicado oficial da Força Armada Nacional Bolivariana

A Força Armada Nacional Bolivariana denuncia a flagrante violação do espaço aéreo venezuelano por uma aeronave remotamente tripulada (drone), tipo Hermes, pertencente à Força Aérea Colombiana, fato ocorrido ontem, segunda-feira, 20 de setembro, às 16:48 horário legal da Venezuela.

A referida aeronave foi detectada pelos sistemas de exploração do nosso Comando Integral de Defesa Aeroespacial, sobrevoando o território do município de Jesús María Semprúm, estado de Zulia, na Região de Informação de Vôo Maiquetía (FIR) nas coordenadas 09º04'50″N - 72º53'52″O, 64 milhas náuticas a noroeste do aeroporto “Francisco García de Hevia” localizado em La Fría, estado de Táchira, a 8 mil pés de altitude, velocidade de 90 nós e rumo 318, vindo da FIR de Bogotá sem a devida autorização de sobrevôo ou apresentar o plano correspondente para entrar na República Bolivariana da Venezuela.

Este acontecimento constitui uma gritante ameaça à segurança do país por se tratar de um sistema militar utilizado para missões de reconhecimento aéreo, que com toda certeza não foi involuntário ou acidental, já que coincide com a presença na Colômbia do Almirante Crayg Faller, chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, em sua segunda visita este ano ao território neo-granadino, supostamente para discutir assuntos de "cooperação em questões de segurança".

Sem dúvida, estamos dando claros indícios de um estratagema do império norte-americano e do governo colombiano, seu indigno e incondicional aliado na região, para construir alguns de seus conhecidos falsos positivos ou qualquer tipo de incidente que permita continuar gerando instabilidade , e de maneira particular, torpedear o processo de diálogo que está ocorrendo atualmente no México, em busca de soluções para os problemas do país, da paz e da unidade de todo o povo venezuelano.

Não cairemos nas repetidas e grosseiras provocações de uma oligarquia criminosa e do decadente império que a patrocina, que se tornaram um anacronismo sem a mínima credibilidade no contexto das nações. Mas em estrito cumprimento das diretrizes estratégicas ensinadas pelo cidadão Nicolás Maduro Moros, Presidente Constitucional da República Bolivariana da Venezuela, nosso Comandante-em-Chefe, permaneceremos vigilantes, monitorando constantemente todo o espaço geográfico venezuelano, a fim de garantir sua integridade , bem como nossa liberdade, soberania e independência.

Chávez vive... a Pátria continua!

Independência e Pátria Socialista... Vamos viver e vencer!

Independência ou nada!

Sempre leais... Nunca traidores!

Nasce o Sol da Venezuela no Essequibo!

Caracas, 21 de setembro de 2021

VLADIMIR PADRINO LÓPEZ

General-em-Chefe

Comando Sul dos Estados Unidos (United States Southern Command, US SOUTHCOM) referido pelo comunicado venezuelano é o comando americano responsável pela América Latina. Seu quartel-general está localizado em Doral, na Flórida. O governo venezuelano frequentemente usa o fantasma do "imperialismo estadunidense" como ferramenta de união popular ao redor do regime. A Colômbia, além de um adversário tradicional de Caracas, é também o maior aliado americano no continente sul-americano, o que mata dois coelhos com uma cajadada só. Um dos exemplos dessa amizade é justamente que o governo colombiano condecorou o Comando Sul dos EUA com a Ordem de San Carlos, uma alta comenda por serviço excepcional à Colômbia.

 Almirante Crayg Faller e o distintivo do Comando Sul dos Estados Unidos.

Com uma tal amizade aberta, o governo bolivariano pode simplesmente ocupar a mídia nacional (controlada pelo governo) com ataques aos colombianos, alegando que o governo de Bogotá está iniciando uma agressão imperialista retrógrada contra o progresso da revolução socialista bolivariana da Venezuela. Dessa forma, o governo bolivariano justifica a escassez de bens, o fracasso econômico do país, a violência e criminalidade etc.

O diálogo no México mencionado pelo comunicado é uma sessão de reuniões na Cidade do México incluindo a oposição venezuelana. Em agosto, o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, libertou Freddy Guevara, um líder da oposição que estava preso há mais de um mês, para que ele possa atuar como um negociador nas negociações políticas programadas para começar em setembro desse ano na capital mexicana. Um importante aliado de Juan Guaido, Guevara foi libertado na noite de domingo da sede da unidade de inteligência policial conhecida como Sebin em Caracas. Ele deve representar Guaido quando delegados do governo e da oposição se reunirem na Cidade do México.

Freddy Guevara fala durante uma sessão da Assembleia Nacional em Caracas, em 19 de novembro de 2020.

Os militares colombianos, por sua vez, lançaram uma nota dizendo que estavam operando na área, mas que seu drone operava dentro do espaço aéreo colombiano. Esse último incidente na fronteira entre os dois países aumenta a suspeita de que há uma base das FARC em Zula, e tanto a operação quanto a acusação venezuelana podem indicar que realmente há uma base narco-guerrilheira ali. Assim como no comunicado venezuelano, os colombianos também providenciaram as coordenadas da ação, dado que a região selvática é de difícil navegação de outra forma.

Comunicado da Força Aérea Colombiana.

Comunicado Nº 007

Em referência à declaração hoje emitida pelo Ministro da Defesa da Venezuela, a Força Aérea Colombiana está autorizada a informar ao público que, no exercício legítimo de suas funções, na segunda-feira, 20 de setembro de 2021, às 16:48 horas, realizou missão de reconhecimento aéreo com aeronave não-tripulada, sobrevoando o espaço aéreo colombiano na área do município de Tibú, Norte de Santander.

De fato, as coordenadas 09º04'50”N - 72º53'52”O referidas no comunicado venezuelano, correspondem ao território colombiano.

Autor

Imprensa da Força Aérea Colombiana

O recente incidente vem na rabeira de mais um outro escândalo venezuelano, com uma lista de oficiais da inteligência naval da Armada Bolivariana sendo vazada na internet dez dias atrás (12/09). Foram 262 arquivos pessoais da marinha e, conforme foi noticiado, era pessoal de contra-inteligência visando a Colômbia - o que novamente levou às acusações de costume. 

Em 17 de agosto desse ano, Jorge Nobrega, um empresário americano foi acusado de violações de sanções e lavagem de dinheiro por ajudar em reparos de aeronaves militares da Venezuela, de acordo com uma queixa apresentada ao Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Sul da Flórida. Nobrega, presidente-executivo da Achabal Technologies Inc, com sede em Miami, foi então preso e compareceu ao tribunal de Miami na semana seguinte. O regime adquiriu um vasto arsenal comprado da Rússia e da China, e vem tendo problemas em manter a frota funcionando. O Irã vem fornecendo petróleo, mas a China está tomando caminhos contrários aos interesses da indústria petrolífera da Venezuela.

Recentemente, o governo da Espanha repotencializou a frota de carros de combate AMX-30B2, de procedência francesa, apesar das sanções impostas a Caracas. Os tanques desfilaram na celebração da Batalha de Carabobo em 5 de julho desse ano.

Um caça à jato Sukhoi Su-30MKV, de fabricação russa da Força Aérea da Venezuela, voa sobre uma bandeira venezuelana amarrada a lançadores de mísseis, durante o exercício militar "Escudo Soberano 2015" em San Carlos del Meta, no estado de Apure, em 15 de abril de 2015.

A morte de um mito: O General en jefe Jacinto Perez Arcay

O General-em-chefe Jacinto Perez Arcay sendo cumprimentado pelo presidente Nicolás Maduro.

Entre os vários tropeços do regime, há também a ação do mero acaso: nesta segunda-feira, dia 20 de setembro de 2021, faleceu o General en jefe Jacinto Perez Arcay, um conselheiro de longa data do presidente Maduro. Este último repetiu o grito de Che Guevara na sua mensagem de despedida ao Gal. Perez Arcay - ¡Hasta la Victoria Siempre!

Com 86 anos, o velho general era o militar da ativa com maior antiguidade na FANB, e sua convalescência foi um evento nacional na Venezuela. Outros generais famosos também morreram de COVID-19, como o General Pacepa, famoso por seus escritos sobre a espionagem soviética e romena, e o General Lam Quang Thi, famoso por seus escritos sobre a Guerra da Indochina e sobre o Exército da República do Vietnã (Vietnã do Sul).

No sistema venezuelano, os oficiais-generais do exército são General en jefe (G/J, 4 estrelas), Mayor general (M/G, 3 estrelas), General de division (G/D, 2 estrelas) e General de brigada (G/B, 1 estrela). O General-em-Chefe Jacinto Perez Arcay foi velado em uma procissão fúnebre, carregado por cadetes em uniformes tradicionais, incluindo o famoso Pickelhaube prussiano.



A morte do general é um verdadeiro caso de luto nacional, pois a militarização da Venezuela segue o típico padrão de engajamento total dos governos socialistas. O Gal. Jacinto Perez Arcay era basicamente onipresente nas várias manifestações públicas cívico-militares e era visto como um símbolo nacional e revolucionário. Em 2016, ele foi entrevistado pela jornalista Érika Ortega Sanoja para o jornal Actualidad RT.

Na entrevista, o velho general defende o socialismo cristão e menciona as figuras históricas venezuelanas Simón Bolívar e General Marcos Pérez Jiménez, além de elogiar o ex-ditador Coronel Hugo Chavez - de quem o General Arcay também foi mentor: “Amei Hugo Chávez como um filho e sinto que, em termos geopolíticos, sou o primeiro responsável por sua vida e sua morte” (5:32).


Arcay se formou na Academia Militar em 1956, com especialização na arma de artilharia. Formou-se em história e geografia pela Universidade Católica Andrés Bello. Ele participou do levante do Coronel Enrique Hugo Trejo em 1º de janeiro de 1958 contra o presidente-ditador General Pérez Jiménez. Ficou conhecido por dar aulas ao ex-presidente da Venezuela, Hugo Chávez, na Academia Militar, onde lhe incutiu os pensamentos de Ezequiel Zamora e Simón Bolívar. Arcay foi reconvocado ao serviço ativo em 2007.

Em 15 de fevereiro de 2012, foi promovido por Chávez de General de Divisão do Exército a Major-General da FANB. Ele foi considerado um assessor de Chávez em questões históricas, políticas e militares. Em 2016 foi premiado com a distinção "El Gran Cordón de Caracas", e foi Chefe do Estado-Maior Geral do Comandante-em-Chefe da FANB, o mais alto general venezuelano, designado como tal pelo Presidente Nicolás Maduro em 11 de julho de 2019.

Exemplar do livro "La Guerra Federal" com dedicatória do G/J Arcay a José Sant Roz, autor do livro "Bolívar y Santander - dos visiones contrapuestas".

O General Jacinto Perez Arcay escreveu os livros El Fuego Sagrado, Bolívar hoy (O Fogo Sagrado, Bolívar hoje, 1974), La Guerra Federal: Consecuencias (A Guerra Federal: Consequências, 1974) e Hugo Chávez, alma de la revolución en Cristo y en Bolívar (Hugo Chávez, alma da revolução em Cristo e em Bolívar, 2013).

Funeral na Academia Militar.

Os ritos fúnebres foram televisionados para todo o país em sua integralidade pelos canais estatais venezuelanos, ocorridos na Academia Militar em meio aos cadetes e ao presidente Maduro.


A perda de um tal símbolo revolucionário, ainda mais mediante tamanhos óbices e fracassos da revolução bolivariana, acabaria por levar o governo de Caracas a tentar mostrar firmeza e começar a criar pretextos para demonstrações de força. A ideia de uma Venezuela progressista, permanecendo unida sob o cerco "imperialista ianque", já é uma situação normal na rotina política da república bolivariana. A desastrada aventura de forças especiais americanas e mercenários em agosto do ano passado já deram voz à propaganda (além de legitimidade aos olhos da população comum). Agora, diante de negociações no México com a presença da oposição e sob pesado escrutínio internacional, a tendência é uma vocalização cada vez mais alta da Venezuela.

Milicianos bolivarianos com o fuzil FAL.
O grande número de paramilitares é uma forma de engajar a população na luta ideológica.

Leitura recomendada:


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Um grupo de israelenses construiu e testou secretamente drones suicidas para um cliente asiático desconhecido

Por Thomas Newdick, The War Zone, 11 de fevereiro de 2021.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 12 de fevereiro de 2021.

A polícia israelense e o serviço de segurança do Estado estão investigando um plano clandestino para exportar ilegalmente as “munições vagantes” (loitering munitions).

Um grupo de mais de 20 israelenses, entre eles ex-autoridades de defesa, está sob investigação por supostamente projetar, produzir e vender ilegalmente “mísseis armados vagantes”, também conhecidos como “drones suicidas”, para um país asiático não-identificado. A notícia chega menos de duas semanas após o anúncio de três vendas legítimas desse tipo de arma pela indústria armamentista israelense, inclusive para países asiáticos não-identificados.

A polícia israelense confirmou hoje a investigação, que foi conduzida “nos últimos meses” em cooperação com o serviço de segurança estatal Shin Bet do país. Em nota publicada no Twitter, a polícia israelense explicou que os suspeitos haviam recebido secretamente instruções “de entidades relacionadas ao mesmo país”, em troca de “fundos consideráveis” pagos a eles, bem como outros benefícios não divulgados. A investigação foi conduzida pela Unidade de Investigações de Crimes Internacionais, parte da divisão Lahav 433 da polícia, que é a principal responsável pela investigação de crimes nacionais e corrupção. Como já observado, o Shin Bet também estava envolvido, assim como o Conselho de Segurança Nacional de Israel.

As munições vagantes ilegais em construção em uma oficina israelense.

“Os israelenses são suspeitos de crimes contra a segurança nacional, violação das leis de exportação de armas, lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros”, relatou o jornal israelense Haaretz. “A investigação continua. Os detalhes da investigação e as identidades dos suspeitos estão sob ordem de silêncio.”

Os supostos crimes incluem crimes contra a segurança do Estado, violações da lei sobre a supervisão de exportações de segurança, lavagem de dinheiro e outros crimes econômicos.

“Este caso ilustra o dano potencial à segurança do país devido a negócios ilegais conduzidos por cidadãos israelenses com entidades estrangeiras”, disse um porta-voz do Shin Bet, conforme noticiado no Jerusalem Post. “Também aumenta o temor de que a tecnologia caia nas mãos de países inimigos”, acrescentaram.

Israel tem procurado aumentar a regulamentação em torno de suas exportações de defesa nos últimos anos, com o objetivo de evitar que as empresas vendam armas conscientemente a países que cometeram graves violações dos direitos humanos.

De acordo com a Lei de Supervisão das Exportações de Defesa, o Ministério da Defesa israelense deve consultar o Ministério das Relações Exteriores em todas as vendas de armas para países estrangeiros, avaliando o impacto potencial na política externa e nas relações diplomáticas. Desde que a lei foi aprovada em 2007, o Ministério das Relações Exteriores tem muito mais poder para vetar as transferências de armas, embora elas, por sua vez, possam ser anuladas pelo gabinete de segurança do governo. Ironicamente, à luz do caso atual, esse regulamento foi introduzido, em parte, devido à venda planejada de drones de coleta de inteligência para a China, que acabou sendo cancelada devido à pressão dos Estados Unidos.

A polícia israelense divulgou vídeos e fotos das munições vagantes. Um breve videoclipe, com dois timestamps mostrando agosto e novembro de 2019, mostra uma das armas sendo testadas, com vários indivíduos reunidos ao lado de dois carros antes de serem lançadas, quase verticalmente. O Times of Israel informa que a polícia confirmou que o teste ocorreu “perto de uma área residencial” no centro do país.

De modo geral, os drones suicidas têm as vantagens de serem pequenos, manobráveis e difíceis de detectar, além de serem relativamente baratos. Mesmo uma munição vagante relativamente básica, oferecendo um sistema de controle man-in-the-loop (modelo que necessita de interação humana) seria uma arma muito útil em muitos cenários, especialmente em guerra assimétrica. Outros benefícios desse tipo de arma incluem a capacidade do operador de abortar o ataque, mesmo no último momento, ou fazer ajustes manuais para melhorar a precisão. Geralmente, os drones suicidas são muito precisos, ao mesmo tempo que fornecem meios adicionais para ajudar a evitar danos colaterais, recursos sobre os quais você pode ler com mais detalhes neste artigo anterior do War Zone.

Enquanto a munição vagante em questão parece ter sido lançada inicialmente com um motor de foguete, uma foto mostrando os drones sendo fabricados em uma oficina revela que ela também parece ter uma hélice na parte traseira, para a fase de cruzeiro de seu vôo. O drone em si tem um corpo tubular com grandes asas cruciformes no centro do corpo, além de aletas cruciformes menores na extremidade da cauda. No geral, o drone parece ser uma reminiscência de um míssil teleguiado israelense, o SPIKE-NLOS, produzido pela Rafael, embora este não use um motor de hélice.

Um tripé montado no que parece ser um link de controle para operar os drones.

Não se sabe qual sistema de orientação o drone usou. Normalmente, esses tipos de armas podem usar um sistema de controle man-in-the-loop que permite que seu operador humano veja o que o drone vê, por meio de um conjunto de câmeras de vídeo eletro-ópticas e/ou infravermelhas, durante todo o curso do seu vôo.

Os modelos mais sofisticados agora disponíveis oferecem um grau de autonomia, com a capacidade de detectar, categorizar e rastrear automaticamente vários tipos de alvos. Cada vez mais comuns são os modos de operação em que os drones podem prosseguir para atingir os alvos desejados sem qualquer necessidade adicional de intervenção humana.

Embora não esteja claro se esses métodos de orientação mais avançados estavam disponíveis para os indivíduos responsáveis pela construção desses drones ilícitos, o fato de ex-autoridades de defesa estarem envolvidos na trama sugere que eles podem ter pelo menos um conhecimento significativo dessas tecnologias.

Este laptop robusto parece ter sido usado para lançar e controlar os drones.

Israel já é notavelmente um dos principais desenvolvedores de munições vagantes, ou drones suicidas, incluindo o Harop que foi desenvolvido pela Israel Aerospace Industries (IAI). Menos de duas semanas atrás, o War Zone relatou como a versão marítima dessa arma havia recentemente garantido o que era aparentemente sua primeira encomenda, de outro país asiático não-identificado. A venda da Harop navalizada foi anunciada juntamente com um acordo com "outro cliente na Ásia" para versões padrão lançadas de terra dessa arma e uma venda da munição vagante de asa rotativa Rotem da IAI para um "país estrangeiro" diferente.

Não é exagero dizer que Israel foi essencialmente o pioneiro no conceito de munições vagantes, inspirado pelo uso inicial de drones para ajudar a destruir e confundir as defesas aéreas hostis durante a Guerra do Yom Kippur em 1973. Nos conflitos que se seguiram, Israel refinou o uso de drones para ajudar a sobrecarregar as baterias de defesa aérea, bem como para vigilância. Drones destinados a essas missões de alto risco tornaram-se cada vez mais dispensáveis, levando ao Harpy (Harpia), que se destinava a vaguear e depois localizar as frequências de radar de ameaça, destruindo os próprios sistemas de defesa aérea. Como talvez a primeira "munição vagante", o Harpy é a ancestral do Harop de hoje, e você pode ler mais sobre ele aqui.

Claro, é do interesse de alguns países obscurecer os detalhes das transferências de armas de Israel, no caso de vendas legítimas. Sensibilidades políticas são frequentemente a razão para os negócios israelenses de armas com clientes internacionais serem pouco divulgados por ambas as partes, as recentes vendas dos Harop e Rotem talvez sendo um exemplo disso. Enquanto isso, no caso das munições vagantes ilícitas, há uma sugestão de que as ramificações políticas também podem ser significativas. “Fontes com conhecimento da investigação disseram que o caso era altamente delicado, pois poderia afetar as relações exteriores de Israel e levar a uma divisão entre as superpotências”, tuitou o editor da edição em inglês do Haaretz, Avi Scharf.

Um carretel de cabo estava entre os equipamentos que aparentemente foram confiscados.

Munições vagantes, em geral, têm sido um tópico de grande discussão internacional desde que o Azerbaijão usou Harops lançados do solo com efeito decisivo em seu conflito com a Armênia sobre a disputada região de Nagorno-Karabakh no ano passado. Você pode ler mais sobre essa luta e o papel que os drones desempenharam nela em nosso relatório anterior sobre esse conflito.

Neste contexto, também é importante notar que uma empresa israelense já teve problemas em relação ao seu envolvimento em um incidente em Nagorno-Karabakh em 2017. Naquele ano, a Aeronautics Limited foi acusada de fraude e violação dos controles de exportação do país para equipamento militar. Isso foi supostamente o resultado de um incidente no Azerbaijão, no qual executivos da empresa “demonstraram” as capacidades de seu drone suicida Orbiter 1K, lançando um ataque muito real contra as forças apoiadas pela Armênia em Nagorno-Karabakh. Você pode ler tudo sobre isso aqui.

O fato de que um grupo bastante pequeno de indivíduos também pode construir e testar, em segredo, uma munição vagante aparentemente funcional também deve proporcionar uma pausa para reflexão para as nações ao redor do mundo que enfrentam uma ameaça potencial de grupos de milícias ou organizações terroristas. Após seu uso no conflito no Iêmen, a proliferação desse tipo de arma nas mãos de outros atores não-estatais parece ser apenas uma questão de tempo.

Até que saibamos o cliente pretendido desses drones produzidos ilegalmente, é difícil saber exatamente em que tipo de cenário eles deveriam ser usados. No entanto, parece seguro dizer que o desempenho das munições vagantes de fabricação israelense no conflito do Nagorno-Karabakh no ano passado ajudou a tornar esse tipo de arma algo “obrigatório” entre as forças armadas em todo o mundo.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Israel dá um passo "revolucionário" com drones táticos

A SpearUAV está tentando mudar a forma como os veículos aéreos não-tripulados (UAV) são usados no campo de batalha. (IDF)

Por Dave Makichuk, Asian Times, 27 de agosto de 2020.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 3 de setembro de 2020.

O SpearUAV está tentando mudar a forma como os veículos aéreos não tripulados (UAV/VANT) são usados no campo de batalha.

Drones militares táticos, também conhecidos como “munições à espreita” (loitering munitions), entraram em cena em uma encruzilhada crucial da história militar. Após décadas de guerra global contra o terrorismo, as forças armadas americanas estão mudando a estratégia de defesa para enfrentar concorrentes semelhantes, como a Rússia e a China - o que significa menos medidas de contra-insurgência e mais tecnologia. No entanto, a próxima geração de drones não será de grandes drones armados empregados pelas forças aéreas. Muito pelo contrário, na verdade. Os drones táticos serão muito menores e mais fortes, capazes de serem carregados para a batalha pela infantaria e forças especiais, e facilmente desdobrados e operados e, mais importante, descartáveis.

O tubo do drone Ninox da SpearUAV pode ser carregado e disparado de um lança-granadas. (SpearUAV)

A empresa israelense SpearUAV - que fabrica drones que são desdobrados a partir de uma lata de metal ou cápsula - acredita ter a resposta. Na verdade, está tentando “revolucionar” a maneira como os veículos aéreos não-tripulados (UAV) são usados no campo de batalha, relatou Seth J. Frantzman, da National Interest.

A SpearUAV fez uma linha de UAVs, chamada Ninox, que vem em vários tamanhos, desde o que chama de Ninox 40 até Ninox 103. O que é especial nisso é que eles podem ser desdobrados a partir de um lança-granadas de 40mm ou de tanques ou veículos. Uma vez disparados de sua cápsula, os drones se desdobram automaticamente e podem realizar suas missões sob o controle das forças terrestres.

De acordo com a SpearUAV, o Ninox 40, um UAV de 250 gramas que pode voar por quarenta minutos; o Ninox 66 feito para uso com tanques e outros veículos com tempo de vôo de cinquenta minutos, e o Ninox 103 que é projetado para cargas maiores com tempo de vôo de sessenta minutos. Vários problemas estão envolvidos quando se trata de drones táticos, mas a SpearUAV parece ter resolvido esses desafios colocando seus drones em uma cápsula, informou o National Interest.

O drone Ninox da SpearUAV pode ser disparado de um lança-granadas e controlado por um usuário no solo. (SpearUAV)

Um problema é o custo. Os militares querem drones pequenos que os pelotões possam usar, mas esses tipos de drones precisam ser robustos ou descartáveis, porque a natureza das forças terrestres que caminham por montanhas ou lutam nas cidades é que seu equipamento é jogado de um lado para outro. Em segundo lugar, os pequenos drones táticos precisam ser fáceis de usar. O soldado em campo precisa usar seu fuzil e, potencialmente, pilotar um drone ao mesmo tempo, informou o National Interest.

Isso significa usar um tablet ou alguma tecnologia simples que os soldados já sabem usar na vida civil, como apontar e clicar em uma tela. A empresa prevê que o operador tenha uma tela facilmente dobrável incorporada a um colete tático.

Pense basicamente em lançar um drone de um tubo, como do tipo daquele das batatas chips Pringles. Isso tem a vantagem de que o UAV pode ser disparado para o céu como uma granada ou flare ou pode ser colocado em um tanque no lugar de uma lata de metal de fumaça, relatou o National Interest. Isso também significa que o drone pode ser facilmente embalado em campanha sem a preocupação de que possa entrar poeira, lama ou água.

O drone Ninox da SpearUAV tem um perfil muito fino, dificultando sua localização e neutralização pelas forças inimigas. (SpearUAV)

“Estamos criando uma nova dimensão para o soldado de infantaria”, diz Boaz Ben-Haim, chefe de desenvolvimento de negócios e ex-piloto.

Para o soldado de infantaria comum ou guerreiro das forças especiais, a guerra não mudou muito em termos do equipamento básico ao qual eles tiveram acesso ao longo dos anos, informou o National Interest. Dar a eles drones, especialmente drones que podem  carregar munições, o que é chamado de munição à espreita, aumentaria a sua letalidade.

“Para gerenciar o campo de batalha caótico de hoje, o soldado precisa de equipamento com preço conveniente, tamanho escalonável e uso acessível”, diz Ben-Haim.

O que isso significa é não deixar o custo desses drones subir. Em vez disso, esses UAVs encapsulados podem até ser descartáveis, o que significa que não é necessário que voltem à base e sejam reparados ou recarregados.

Bibliografia recomendada:

Military Drones.
Matt Chandler.

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