quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Israel dá um passo "revolucionário" com drones táticos

A SpearUAV está tentando mudar a forma como os veículos aéreos não-tripulados (UAV) são usados no campo de batalha. (IDF)

Por Dave Makichuk, Asian Times, 27 de agosto de 2020.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 3 de setembro de 2020.

O SpearUAV está tentando mudar a forma como os veículos aéreos não tripulados (UAV/VANT) são usados no campo de batalha.

Drones militares táticos, também conhecidos como “munições à espreita” (loitering munitions), entraram em cena em uma encruzilhada crucial da história militar. Após décadas de guerra global contra o terrorismo, as forças armadas americanas estão mudando a estratégia de defesa para enfrentar concorrentes semelhantes, como a Rússia e a China - o que significa menos medidas de contra-insurgência e mais tecnologia. No entanto, a próxima geração de drones não será de grandes drones armados empregados pelas forças aéreas. Muito pelo contrário, na verdade. Os drones táticos serão muito menores e mais fortes, capazes de serem carregados para a batalha pela infantaria e forças especiais, e facilmente desdobrados e operados e, mais importante, descartáveis.

O tubo do drone Ninox da SpearUAV pode ser carregado e disparado de um lança-granadas. (SpearUAV)

A empresa israelense SpearUAV - que fabrica drones que são desdobrados a partir de uma lata de metal ou cápsula - acredita ter a resposta. Na verdade, está tentando “revolucionar” a maneira como os veículos aéreos não-tripulados (UAV) são usados no campo de batalha, relatou Seth J. Frantzman, da National Interest.

A SpearUAV fez uma linha de UAVs, chamada Ninox, que vem em vários tamanhos, desde o que chama de Ninox 40 até Ninox 103. O que é especial nisso é que eles podem ser desdobrados a partir de um lança-granadas de 40mm ou de tanques ou veículos. Uma vez disparados de sua cápsula, os drones se desdobram automaticamente e podem realizar suas missões sob o controle das forças terrestres.

De acordo com a SpearUAV, o Ninox 40, um UAV de 250 gramas que pode voar por quarenta minutos; o Ninox 66 feito para uso com tanques e outros veículos com tempo de vôo de cinquenta minutos, e o Ninox 103 que é projetado para cargas maiores com tempo de vôo de sessenta minutos. Vários problemas estão envolvidos quando se trata de drones táticos, mas a SpearUAV parece ter resolvido esses desafios colocando seus drones em uma cápsula, informou o National Interest.

O drone Ninox da SpearUAV pode ser disparado de um lança-granadas e controlado por um usuário no solo. (SpearUAV)

Um problema é o custo. Os militares querem drones pequenos que os pelotões possam usar, mas esses tipos de drones precisam ser robustos ou descartáveis, porque a natureza das forças terrestres que caminham por montanhas ou lutam nas cidades é que seu equipamento é jogado de um lado para outro. Em segundo lugar, os pequenos drones táticos precisam ser fáceis de usar. O soldado em campo precisa usar seu fuzil e, potencialmente, pilotar um drone ao mesmo tempo, informou o National Interest.

Isso significa usar um tablet ou alguma tecnologia simples que os soldados já sabem usar na vida civil, como apontar e clicar em uma tela. A empresa prevê que o operador tenha uma tela facilmente dobrável incorporada a um colete tático.

Pense basicamente em lançar um drone de um tubo, como do tipo daquele das batatas chips Pringles. Isso tem a vantagem de que o UAV pode ser disparado para o céu como uma granada ou flare ou pode ser colocado em um tanque no lugar de uma lata de metal de fumaça, relatou o National Interest. Isso também significa que o drone pode ser facilmente embalado em campanha sem a preocupação de que possa entrar poeira, lama ou água.

O drone Ninox da SpearUAV tem um perfil muito fino, dificultando sua localização e neutralização pelas forças inimigas. (SpearUAV)

“Estamos criando uma nova dimensão para o soldado de infantaria”, diz Boaz Ben-Haim, chefe de desenvolvimento de negócios e ex-piloto.

Para o soldado de infantaria comum ou guerreiro das forças especiais, a guerra não mudou muito em termos do equipamento básico ao qual eles tiveram acesso ao longo dos anos, informou o National Interest. Dar a eles drones, especialmente drones que podem  carregar munições, o que é chamado de munição à espreita, aumentaria a sua letalidade.

“Para gerenciar o campo de batalha caótico de hoje, o soldado precisa de equipamento com preço conveniente, tamanho escalonável e uso acessível”, diz Ben-Haim.

O que isso significa é não deixar o custo desses drones subir. Em vez disso, esses UAVs encapsulados podem até ser descartáveis, o que significa que não é necessário que voltem à base e sejam reparados ou recarregados.

Bibliografia recomendada:

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Um comentário:

  1. Há poucos drones militares, agora este também é um mercado em expansão. Drones militares permitem ao agressor alcançar praticamente qualquer alvo em qualquer local, sem colocar as pessoas em risco. Seus casos de uso estão aumentando. De acordo com sites especializados, está sendo desenvolvida tecnologia de drones que poderiam expandir o uso militar de armas simples para ferramentas de espionagem sofisticadas. Várias organizações de terceiros estão desenvolvendo drones que podem grampear ou interferir nos sistemas de comunicação, interceptar dados e se autodestruir, se capturados. Drones militares portadores de armas são fabricados pelos EUA, Israel, China, Rússia e Irã, entre outros países.

    https://aeromagazine.uol.com.br/artigo/uso-de-drones-em-guerras-e-no-cotidiano-desperta-polemica_4873.html

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