quinta-feira, 12 de março de 2020

A FEB e os jipes


Pelo Major Elber de Mello, 1957.

Um dos fatos mais aborrecidos da guerra era a facilidade com que os americanos se apoderavam dos jipes uns dos outros.

Não havia possibilidade de um minuto de despreocupação para aquêles que viajassem pela ITÁLIA a serviço ou a passeio.



Qualquer descuido e lá se ía o jipe, trazendo transtornos, interrompendo umas merecidas férias, criando dificuldades, infernando as vidas dos combatentes.

Ordens severas eram dadas para que os motoristas se grudassem aos seus veículos e mil e uma artimanhas eram empregadas contra os perigosos ladrões.



Logo que o primeiro escalão da F.E.B. recebeu seu material vários jipes desapareceram. Não havia jornada sem que surgisse algum motorista em desespêro.

Era necessário pôr um fim àquele estado de coisas.



Constou então que um de nossos chefes (evidentemente em desabafo) coçando a cabeça, declarou que só se fazendo o mesmo com êles, isto é, furtando-lhes também em represália.

Tanto bastou. Em uma só semana uma dezena de jipes dos americanos foram furtados.

Contou-me um repórter de um jornal de Nova Iorque que deixara seu veículo à porta da casa de uma família italiana enquanto namorava na sala. Em dado momento pára uma viatura brasileira com guindaste, iça seu jipe e sai em disparada.

Mesmo no acampamento da Esquadrilha, um dos nossos “desapertou” um jipe, armou uma espaçosa barraca coletiva e lá dentro entocou o furto.



A polícia americana percorreu o acampamento, ficou “quente”, mas nada descobriu.

A surprêsa foi grande quando ao raspar a numeração e os emblemas do Exército de Tio Sam apareceram por baixo a numeração e os emblemas da Marinha dêles.

O brasileiro esfregou as mãos de contente: ladrão que rouba de ladrão tem cem anos de perdão.



Apesar das severas ordens emanadas do comando da D.I.E., muita viatura furtada do V Exército serviu aos brasileiros até o fim da campanha.

O mesmo se conclui quanto às nossas, anteriormente furtadas, que jamais foram encontradas ou restituídas.




Durante a Ofensiva da Primavera um dos pilotos da Esquadrilha achou uma viatura militar alemã, correspondente ao jipe americano e a utilizou oficialmente até embarcar para o BRASIL.

Positivou-se a sua superioridade ao similar do TIO SAM tendo maior maneabilidade, velocidade e, sobretudo, realidade.

A viatura alemã tinha as seguintes características:

Marca - Volkswagenkerk.

Modêlo - 1/4 tonelada.

Rodas - 4.

Indicativo - 103.

Para que uma viatura inimiga capturada pudesse trafegar era necessário a permissão oficial e a côr e os emblemas da tropa que a utilizava.




- Major Elber de Mello Henriques, A FEB doze anos depois, 1957, pg. 200-202.



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