sexta-feira, 27 de março de 2020

Patton na lama de Argonne

Tenente-Coronel George S. Patton em frente a um Renault FT-17 no centro de treinamento de blindados em Bourg, 15 de julho de 1918. (Colorização por Memento)

Por Camille Harlé Vargas, Theatrum Belli, 18 de março de 2019.
Tradução Filipe A. Monteiro, 08 de agosto de 2019.

O General Patton é conhecido por suas ações de combate durante a Segunda Guerra Mundial, especialmente depois de desembarcar na Normandia à frente do 3º Exército dos EUA. Antes disso, ele já havia demonstrado durante a Grande Guerra suas habilidades de luta e sua lendária ousadia.

Patton chega à França

Quando os EUA entraram na guerra em 6 de abril de 1917, o presidente Wilson nomeou o General Pershing como comandante-em-chefe da AEF; O capitão Patton, que era então seu assistente pessoal no seio do seu estado-maior, o acompanhou e desembarcou na França em 28 de maio de 1917. Depois de um tempo passado no QG da AEF em Chaumont, o fervente Patton suporta cada vez menos sua função com papelada no estado-maior e desenvolve um certo fascínio pelos carros de assalto, cujo potencial na guerra moderna agrada o caráter impetuoso do futuro general. As altas autoridades militares americanas estimam que os EUA devem ter um "tank corps" e Pershing confia sua constituição ao coronel Rockenbach. Patton, em seguida, conseguiu ser atribuído neste novo corpo, onde foi encarregado da criação de um centro de treinamento em Bourg (perto de Langres). Patton, muito entusiasmado e zeloso, foi rapidamente promovido a tenente-coronel com apenas 32 anos. Depois de ter seguido um treinamento acelerado dado pelos franceses para saber tudo sobre o novo carro leve Renault FT-17, ele foi nomeado para o comando da 1ª brigada de carros americana. Ele segue os cursos de Champlieu no Oise, visita as fábricas que produzem os carros Renault.

À frente de uma unidade blindada

Seu batismo de fogo ocorreu em setembro de 1918, quando a brigada, composta dos 344º e 345º Batalhões de Tanques, se dedicava à redução do saliente de Saint-Mihiel. Mas é durante a ofensiva de Meuse-Argonne, conduzida pelo 1º Exército americano em direção a Sedan, que o futuro general se distingue particularmente.


Carro Saint-Chamond.

Na manhã de 26 de setembro de 1918 (dia do lançamento da ofensiva), Patton, violando as ordens, deixa seu PC para ver como são engajados seus carros no terreno; estes últimos apóiam então o ataque da 35º DI americana em Cheppy. Ele encontra o 138º RI (35º DI) em apuros ao sul de Cheppy, seu ataque totalmente encalhado pela tenaz resistência dos batalhões da guarda alemã. Os pequenos carros Renault da Companhia B do 345º Batalhão, para apoiar o ataque, são então completamente colados ao solo devastado pelos tiros da artilharia. Dois carros pesados franceses Saint-Chamond se juntam ao ataque, mas também se atolam em uma trincheira alemã. Patton, usando seu caráter execrável, reúne as tripulações e alguns elementos da infantaria para desencalhar os veículos e relançar o ataque para o sudoeste de Cheppy; ele pessoalmente assume o comando de um ataque visando reduzir um ninho de metralhadoras bloqueando o avanço da infantaria na estrada Cheppy-Varennes. Expondo-se imprudentemente para despertar o ardor da tropa e estimular sua combatividade, ele proclama sobre seu inimigo “Que vão pro inferno! Eles não podem me pegar!”, ele é quase imediatamente baleado na coxa. Ele é resgatado pelo soldado de primeira classe Joe Angelo, distinguido pela DSC por este ato, e então Patton continua a ordenar seus homens de um buraco de obus antes de ser evacuado uma hora depois.


Joe Angelo com a Distinguished Service Cross (DSC).

O ataque criou uma cuia nas linhas alemãs entre Cheppy e Varennes, enquanto outras duas companhias de carros leves do 345º Batalhão contornaram o sólido ponto de apoio de Cheppy pelo leste, forçando os alemães a recuarem. Patton, gravemente ferido, foi levado para o centro de socorro de Neuvilly-en-Argonne, depois de apresentar seu relatório ao QG. Após sua convalescença, ele retorna à frente em 28 de outubro, mas sem participar dos combates.


Esta ação lhe rendeu a atribuição da Distinguished Service Cross (Cruz de Serviços Distintos, a segunda maior condecoração americana), insuficiente aos seus olhos, ele teria, de acordo com sua lendária modéstia, dito que tal ação valia uma Medal of Honor (Medalha de Honra). Ao mesmo tempo, ele é promovido ao posto de coronel.


Ofensiva de Argonne, 1918.

Depois da guerra

De volta aos Estados Unidos, ele foi transferido para o Fort Meade, Maryland, para trabalhar no desenvolvimento de uma arma blindada. Pouco tempo depois, Patton encontra Eisenhower, que lhe será uma ajuda preciosa em seu projeto de concepção de uma unidade mecanizada.


Camille Herlé Vargas.
Autora e especialista da história de conflitos e da memória do século XX. Encarregada da missão no ONAC-VG do Marne como parte do Centenário da Grande Guerra (programa educacional, mediação e implementação de projetos). Envolvida na vida da comunidade para divulgar ao público a história e os locais da Primeira Guerra Mundial (Main de Massiges). Em colaboração com historiadores para a redação de artigos e livros sobre as duas guerras mundiais.

Original: https://theatrum-belli.com/patton-dans-la-boue-de-largonne/

Fontes:

PATTON and his third army.
The AEF in the great War, Meuse Argonne 1918: breaking de line, Maarten Otte.

Características do carro Saint-Chamond:
- 1 canhão de 75mm abastecido de 106 obuses, 4 metralhadoras
- Hotchkiss Mle 1914 de 8mm (7488 cartuchos).
- Comprimento: 8,83 m. Largura: 2,67 m, Altura: 2,365m. Peso: 24t
- Blindagem : de 17 à 11mm
- Tripulação: 9 homens; chefe de carro, chefe de peça, 2 artilheiros, 4 metralhadores, mecânico
- Motor : Panhard 4 cilindros sem sans válvulas de 90cv à 1450t/m
- Autonomia: 6 à 8 horas
- Velocidade: 4km/h em todo-terreno
- 400 exemplares construídos aproximadamente.

Características técnicas do carro Renault FT-17:
- Fabricante: Renault (1850), Berliet (800), SOMUA (600), Delauney-Belleville (280)
- Período de produção: 1917 – 1920
- Tipo: Carro leve
- Tripulação: 2 hommes
- Comprimento (m): 4,95 m
- Largura (m): 1,74 m
- Altura (m): 2,14 m
- Peso em ordem de combate: 6 700 kg
- Blindagem máxima: 22mm
- Equipemento de rádio: nenhum.
- Armamento
- Armamento principal: 1 metralhadora Hotchkiss de 8mm ou 1 canhão de 37mm SA18
- Rotação (graus): 360°
- Elevação (graus): + 35° – 20°
- Mobilidade
- Motor: Renault
- Tipe & Deslocamento: 4cyl 4,48l
- Potência (máx.): 35cv
- Relação peso/potência: 5cv/t
- Caixa de velocidades: 4 velocidades
- Combustível: Gasolina
- Autonomia: 35km
- Consumo: 30 litros/100km
- Capacidade de combustível: 100 litros
- Velocidade sobre estrada: 7,5 km/h
- Lagartas: 32 sapatas
- Largura da lagarta: 0,34m
- Distância do solo (m): 0,43m
- Inclinação: 10°
- Obstáculo vertical: 0,60m
- Passagem à vau: 0,70m
- Travessia: 1,35m

Leitura recomendada:

O impacto decisivo da inteligência militar francesa na ofensiva alemã de Marneschutz-Reims, 25 de janeiro de 2020.

A Herança Tática da Primeira Guerra Mundial I: O Combate da Infantaria, 27 de março de 2020.

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