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quinta-feira, 26 de maio de 2022

FOTO: Elefantes de guerra no Vietnã

Elefantes de guerra do exército sul-vietnamita em patrulha nas Terras Altas Centrais, Vietnã do Sul, 1962.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 26 de maio de 2022.

Esta foto, tirada por Howard Sochurek, aparece na edição de 16 de março de 1962 da revista LIFE. Essa foto aparece no livro War Elephants (2007), por John M. Kistler.

Legenda original:

"Nas costas suavemente levantadas de quatro elefantes, uma patrulha do exército vietnamita parte para as selvas montanhosas do centro do Vietnã do Sul, com suas armas prontas. Por gerações, os guerreiros da região cavalgaram para a batalha dessa maneira, e tanto o governo quanto seu inimigo ainda usam as enormes feras. Um homem a pé não pode percorrer muito mais do que cinco quilômetros por dia através da densa vegetação rasteira e um elefante pode fazer quatro vezes isso. Mas a cena arcaica desmente a verdadeira natureza da guerra selvagem do Vietnã. Em algum lugar à frente da patrulha de elefantes, as chances são fortes de que guerrilheiros inimigos com mortais armas modernas esperem emboscados."

Soldados do Exército Popular Vietnamita usando elefantes na Trilha Ho Chi Minh.

Bibliografia recomendada:

War Elephants,
John M. Kistler.

Leitura recomendada:

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

FOTO: Sniper australiano na selva

Sniper australiano se deslocando em ambiente selvático, 2021.

Um atirador de elite do Exército Australiano do 6º Batalhão, Regimento Real da Austrália (6th Battalion, Royal Australian Regiment (6 RAR)), muda de posição durante uma atividade de fogo real como parte do Exercício Diamond Walk, em Shoalwater Bay, na região de Queensland, na Austrália, 2021.

O Exercício Diamond Walk 2021 visa melhorar a cooperação entre os elementos da 7ª Brigada de Combate, cada um com a sua especialização. Quase 1.100 soldados e 500 veículos estiveram presentes na cerimônia de abertura.

Bibliografia recomendada:

Out of Nowhere:
A History of the Military Sniper.
Martin Pegler.

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Soldado da Guarda Nacional de NY é aprovado no CIGS

O 3º Sargento Thomas Carpenter, da Guarda Nacional do Exército de Nova York, segundo da direita, e outros soldados formados no Curso Internacional de Operações na Selva, realizado pelo Centro de Treinamento em Guerra na Selva do Exército Brasileiro, brandem seus facões.

Por Eric Durr, Guarda Nacional de Nova York, 10 de dezembro de 2019.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 16 de setembro de 2021.

Soldado da Guarda Nacional de NY é aprovado em difícil curso de guerra na selva brasileira.

LATHAM, N.Y. - O 3º Sargento Thomas Carpenter, da Guarda Nacional do Exército de Nova York, sabia que iria afundar ou nadar quando apareceu no Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) do Exército Brasileiro em outubro de 2019.

Ele foi inscrito no Curso Internacional de Operações na Selva de seis semanas que o Exército Brasileiro oferece para soldados estrangeiros. Mas o NCO em treinamento, de 38 anos, do 2º Batalhão, 108º Regimento de Infantaria, sabia que precisava passar no teste inicial de natação ou voltaria para casa.

"Foi uma grande luta conseguir nadar", lembrou o graduado da Escola de Rangers do Exército dos EUA. "Foi um pesadelo."

Por uma semana depois de chegar no quartel-general da escola em Manaus, no Brasil, ele ficou na piscina trabalhando com instrutores até que pudesse nadar de uniforme completo, com sua arma e rebocando uma mochila.

Seis semanas depois, o aspirante, residente de N.Y., não apenas conquistou o cobiçado Brevê de Onça do guerreiro de selva emitido pela escola, como também foi o terceiro graduado com honra no curso internacional.

"Eu era burro demais para desistir", disse Carpenter.

Insígnia do 2º Batalhão, 108º Regimento de Infantaria, Guarda Nacional de Nova York.

Passar pela escola é grande coisa, de acordo com o tenente-coronel do Exército Rob Santamaria, um militar de ligação na Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. "A maioria dos especialistas militares na selva considera a Escola de Guerra na Selva do Exército Brasileiro a principal escola de selva do mundo", disse Santamaria.

“A graduação do 3º Sargento Carpenter no Curso Internacional da da Escola de Guerra na Selva do Exército Brasileiro deu credibilidade instantânea à Guarda Nacional do Exército de Nova York e conquistou muito respeito junto ao Exército Brasileiro”, acrescentou.

O desempenho de Carpenter não surpreendeu ninguém que o conheça, disse o Sargento-Mor David Piwowarski, principal suboficial da Guarda Nacional do Exército de Nova York.

"O 3º Sargento Carpenter incorpora o espírito do homem-minuto [minuteman, miliciano colonial]", disse Piwowarski. "Num prazo muito curto, sem nenhum treinamento específico, ele respondeu com dureza a este percurso exigente apenas com o treinamento que já tinha sob o cinto e com muita coragem."

A Guarda Nacional de Nova York foi convidada a enviar soldados para a escola de guerra na selva do Brasil como parte da nova parceria de treinamento e intercâmbio entre a Guarda Nacional de Nova York e as forças armadas do Brasil, rubricada em março de 2019.

Ser capaz de nadar bem é uma parte vital do curso de guerra na selva porque os rios substituem as estradas na floresta tropical, explicou Carpenter.

“Onde eles operam na selva amazônica existem apenas duas estradas”, disse Carpenter. "Quase tudo é feito através do sistema fluvial. Eles usam as redes fluviais para transportar suprimentos e pessoas."

A onça é o símbolo do CIGS.

Ao chegar à escola, todos os participantes devem passar por testes de habilidades básicas, incluindo os requisitos de natação, para indicar que eles podem enfrentar o curso. Em seguida, eles se vão para a selva.

A primeira fase do curso de seis semanas concentra-se em viver e sobreviver na selva, disse Carpenter. Os soldados aprenderam o que podiam ou não comer. "Nós não comemos cobras, mas eu tive que pegar uma", disse ele.

Eles também aprenderam a evitar insetos mortais, animais e cobras. Lidar com a umidade constante foi outra habilidade que aprenderam, disse Carpenter. "A chuva não é como a chuva daqui", disse ele. "É como a chuva da monção. É uma batalha constante para manter a ferrugem longe e manter tudo em boas condições operacionais." Navegar na selva densa também é uma habilidade especial, disse Carpenter.

Dependendo da estação, os níveis de água nos riachos e rios podem ser drasticamente diferentes. Os brasileiros emitem mapas diferentes para diferentes épocas do ano refletindo essas mudanças, disse ele. E o dossel da selva torna difícil criar mapas com características de contorno precisas, disse ele.

Os soldados aprenderam a seguir a "linha seca" durante a navegação, explicou. Eles ficariam em terreno elevado e evitariam as ravinas, o que significava que demorariam mais para ir a qualquer lugar.

Essas habilidades de sobrevivência e navegação foram testadas em um exercício de quatro dias em que cada grupo de combate foi lançado na selva e recebeu uma distância, uma direção e tarefas para realizar ao longo do caminho. "Eles nos lançaram em um lugar onde sabiam que não havia frutas e vegetais para comer", disse ele. "Nós praticamente morremos de fome."

Brevê de Onça do guerreiro de selva.

As duas semanas seguintes foram passadas na água. Eles voaram de helicóptero - saltando de um helicóptero para a Amazônia - e aprenderam a fazer jangadas e a impermeabilizar equipamento. Por fim, Carpenter e sua equipe - que incluía soldados da China, Canadá, França e Paraguai - realizaram uma inserção de dois quilômetros no rio. “Ficamos na água por três horas naquela noite”, lembrou. "Estávamos molhados 24 horas por dia, 7 dias por semana", disse Carpenter. "Se não estivéssemos na água, chovia todos os dias. Se não estivesse chovendo, você estava suando através do uniforme."

A fase final do treinamento focou em táticas militares na floresta tropical. Esse treinamento foi semelhante ao da Escola de Rangers do Exército, disse Carpenter. Os homens planejaram e conduziram patrulhas e missões táticas. Eles desceram de rapel na selva de helicópteros pairando no ar. Esta fase foi culminada com uma patrulha de longo alcance.

A principal diferença entre a Escola de Rangers e o treinamento na selva brasileira é que a selva é várias vezes mais densa do que a floresta e os pântanos da Flórida onde os Rangers treinam, disse Carpenter. "Uma força inimiga pode estar no topo de uma patrulha antes deles perceberem", disse ele.

Cerimônia do facão de selva.

Ao final das seis semanas, Carpenter e os demais estudantes internacionais, inclusive um outro americano, foram presenteados com seu Brevê de Onça - o símbolo oficial de um guerreiro de selva brasileiro - e um facão.

"É um facão muito legal", disse Carpenter. "No final do curso, você tem uma cerimônia do facão."

“Alguém já qualificado te presenteia e então você o batiza agitando-o através da fumaça de uma fogueira”, acrescentou.

Desde que o Brasil fundou sua escola de guerra na selva em 1964, mais de 6.300 soldados conseguiram passar pelo curso, disse Santamaria. São 530 formandos do curso internacional do Exército brasileiro uma vez por ano.

A fogueira.

Carpenter é o 30º membro do Exército dos EUA a passar pelo curso, disse ele. Seu objetivo agora, disse Carpenter, é trazer as habilidades que aprendeu de volta para sua unidade e outras formações da Guarda Nacional do Exército de Nova York. "Não sou um bom sargento a menos que treine soldados e os torne melhores do que eu", disse ele.

O principal conselho que ele daria a outros soldados da guarda em direção ao curso de selva é se concentrarem na natação e, em seguida, nadar um pouco mais. "Todos que foram lá estavam preparados", disse Carpenter. "Eu era o único idiota que não fazia ideia das coisas."

O 3º Sargento Thomas Carpenter, da Guarda Nacional do Exército de Nova York, à direita, está ao lado de outros dois soldados homenageados pelo Curso Internacional de Operações na Selva realizado pelo CIGS, brandindo a estatueta do guerreiro da selva.

Bibliografia recomendada:

A History of Jungle Warfare:
From the earliest days to the battlefields of Vietnam.
Bryan Perrett.

Jungle Warriors:
Defenders of the Amazon.
Carlos Lorch.

Leitura recomendada:

Um soldado americano se forma na selva brasileira, 30 de setembro de 2018.

FOTO: Conferência de selva com o Exército Americano no Panamá, 23 de agosto de 2020.

Chineses buscam assistência brasileira com treinamento na selva9 de julho de 2020.

Alguns soldados estão agora autorizados a usar o novo brevê de selva do Exército Americano23 de maio de 2020.

Retorno à Selva: Um renascimento da guerra em terreno fechado17 de julho de 2019.

Bem vindo à selva11 de julho de 2020.

Membros do 3º Batalhão, Royal 22e Régiment se preparam para a guerra na selva30 de setembro de 2019.

Relatório Pós-Ação de participação na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército Brasileiro, 5 de janeiro de 2020.

segunda-feira, 26 de julho de 2021

A experiência australiana de contra-insurgência no Vietnã 1966-1971

Soldados do 7 RAR, armados de SLR/FAL, aguardam transporte para Phuoc Hai, em 26 de agosto de 1967.

Por Frédéric Jordan, L'Écho du Champ de Bataille, 17 de outubro de 2011.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 26 de julho de 2021.

Alguns historiadores e soldados referem-se cada vez mais à experiência pouco conhecida das tropas australianas durante a Guerra do Vietnã e, em particular, sua capacidade de adaptação a esse tipo de combate, bem como seus modos específicos de ação. Os últimos são, portanto, descritos como tendo sido eficazes, pelo menos mais eficazes do que a maioria das operações realizadas pelo Exército Americano. Da mesma forma, é interessante notar que o formato da força expedicionária australiana, bem como as missões e a zona de engajamento confiadas, têm fortes semelhanças com aqueles, por exemplo, da TF La Fayette atualmente destacada no Afeganistão.

Será, portanto, uma questão de determinar, em poucas linhas, se essa experiência histórica pode fornecer lições táticas em termos de engajamentos franceses contra um adversário do tipo insurgente.

Distintivo da Força-Tarefa Lafayette durante uma parada militar no Palácio do Governador Militar de Estrasburgo em 31 de janeiro de 2013, por ocasião do retorno da Força-Tarefa Lafayette à França.
A missão francesa no Afeganistão terminou em 25 de novembro de 2012.

A Zona de Operações

Engajado desde 1961 no Vietnã com conselheiros militares, o exército australiano desdobrou, em junho de 1966, dois e depois três batalhões de infantaria e seus apoios, bem como meios aéreos no Vietnã do Sul. A área confiada é então a província de Phuoc Tuy com uma área de 390.000km². Ela é constituída por uma planície central limitada a oeste pela zona especial impenetrável de Rung Sat, a norte e a leste por colinas dominadas pelo Viet Cong e a sul pelo mar. Eles devem manter abertos e em segurança um eixo logístico principal, a Rodovia 15. As unidades de infantaria são apoiadas por uma bateria australiana, uma companhia de engenharia e um esquadrão blindado (Centurion) e por um batalhão de artilharia americano. Algumas forças especiais e uma unidade de reconhecimento completam a Força-Tarefa.

Os Engajamentos

Assim que chegou, o corpo expedicionária procurou tomar o controle da planície central e teve que travar uma batalha campal em 18 de agosto de 1966, em Long Tran, contra o 275º regimento vietcongue. Nesta ocasião, os soldados australianos infligiram pesadas baixas entre o inimigo e demonstraram uma verdadeira teimosia no combate, bem como um sentido aguçado de manobra. O adversário deve abandonar a cena e recuar de volta para as colinas ou dentro da selva.

Uma nova fase então começa para os australianos que devem executar uma luta anti-guerrilha. Para isso, buscam colocar em prática as habilidades adquiridas na Malásia entre 1948 e 1960, principalmente sob a influência de um experiente oficial australiano, o coronel Ted Serong. Eles, portanto, lideram missões de transferência de aldeões, ações cívico-militares e treinam tropas locais, apesar da relutância do exército sul-vietnamita. Durante a ofensiva do Tet, eles serão enviados a vários setores para restaurar a situação, mas nunca estão engajados em áreas altamente urbanizadas.

A partir de 1971, apenas conselheiros permaneceriam no local para treinar o exército do regime de Saigon.

M113 australiano com civis vietnamitas.

O Retorno da Experiência

Apesar dos bons resultados, os australianos descobrem que a fraqueza de suas tropas (7.672 homens no pico) não lhes dá a possibilidade de controlar toda a sua zona de ação. Eles também cometem erros, como as bandas minadas colocadas ao sul de Dat Do para evitar infiltrações e cujos artefatos explosivos serão recuperados pelo Viet Cong para reutilização. Apesar de tudo, os insurgentes desconfiam dos modos de ação australianos, resumidos claramente por um jornalista, Gerald Stone:

"As patrulhas australianas evitaram cuidadosamente pistas e clareiras (...) abrindo caminho cuidadosamente em silêncio por entre bambuzais e folhagens emaranhadas, (...) conseguiram perseguir os guerrilheiros sem se expor a emboscadas mortais que custaram tantas mortes aos americanos."

Operadores SAS australianos desembarcando de um Huey da Real Força Aérea Australiana.

Esses modos de operação flexíveis, como "Cordon and Search" (Cordão e Busca) despertar críticas veementes do estado-maior americano e do general Westmoreland, comandante das forças americanas no Vietnã, que vêem isso como uma falta de agressividade e combatividade de seus aliados. Da mesma forma, os australianos se oporão ao programa estratégico das aldeias (strategic hamlets), aldeias rurais fortificadas para isolar os camponeses da insurreição comunista, liderado pelos Estados Unidos e pelo Vietnã do Sul.

No entanto, este recorde australiano permanece misto porque os vietconques, ciente do potencial de seu adversário, evitará o contato e recuperará o controle da província de Phuoc Tuy após a partida da força expedicionária em novembro de 1971. Se 46.852 soldados australianos permanecerem neste teatro em rotações de 6 meses, quase 496 deles serão mortos e 2.398 outros feridos.

Centurion do 1st Battalion, Royal Australian Regiment no Vietnã.

É certo que o método australiano oferece algumas soluções táticas (flexibilidade de emprego, utilização do terreno, emboscadas, varreduras, etc.), porém, o controle do ambiente manteve-se precário e as ações junto à população não possibilitaram cortar a população permanentemente da influência do Viet Cong. Consequentemente, as lições permanecem limitadas para os engajamentos atuais, como aqueles conduzidos no Afeganistão, por exemplo.

Bibliografia recomendada:

Vietnam ANZACs:
Australian & New Zealand Troops in Vietnam 1962-72.
Kevin Lyles.

Leitura recomendado:


sábado, 29 de maio de 2021

Notas japonesas sobre a guerra na selva

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 29 de maio de 2021.

O seguinte relatório da inteligência militar dos EUA sobre táticas japonesas na guerra na selva foi publicado originalmente na revista Tactical and Technical Trends, nº 29, 15 de julho de 1943.

Tactical and Technical Trends (Tendências Táticas e Técnicas) era um periódico do serviço de inteligência americano (U.S. Military Intelligence Service), inicialmente bi-semanal e depois mensal, que foi publicado de junho de 1942 a junho de 1945.

Notas japonesas sobre a guerra na selva


Ao planejar seu treinamento para a guerra na selva, os japoneses estiveram cientes das grandes variedades de regiões selvagens do Leste Asiático e da região sudoeste do Pacífico. Os seguintes pontos sobre a guerra na selva, retirados de fontes japonesas, enfatizam certos métodos de guerra na selva aparentemente testados pela experiência japonesa.

A) O Avanço

Deixe alguma distância entre a unidade líder e o corpo principal e distribua os homens de ligação entre as unidades; embora seja melhor substituir a unidade a cada dia, o oficial que comanda a unidade líder não deve ser mudado.

O diagrama acima, reproduzido de um diário japonês, tinha a legenda: "Sugestão de formação para uma companhia avançando através da selva".

É essencial que a unidade líder inclua nos relatórios regulares ao comandante da retaguarda, o estado da trilha e o tipo de terreno.

Como há clareiras na selva, o oficial comandante deve avançar suas unidades por limites e correr de uma área para outra. A camuflagem de cada homem e de cada arma deve ser completa. Ao cruzar uma planície gramada, cubra tudo com grama. Se aviões inimigos aparecerem enquanto você estiver em uma clareira, fique quieto. Geralmente, os fuzileiros devem apoiar as armas pesadas. O mínimo é um pelotão de fuzileiros para uma companhia de metralhadoras e um para o pelotão de petrechos pesados do batalhão.

Ao acampar na selva, o cozimento deve ser feito em vários locais, bem longe da área do acampamento. Todas as fogueiras devem ser extintas imediatamente após o cozimento. Durante o avanço, a comunicação será por telefone e corredor. O rádio não será usado. A taxa de avanço será regulada pelas armas pesadas. A distância percorrida em um dia normalmente é de 3 a 5 milhas (5-8km).


B) O Ataque

Ao selecionar áreas de montagem para o ataque, tente dispersar as unidades e escolha locais que sejam naturalmente camuflados. A concentração da força principal no ponto de reunião para o ataque, deve ser feita à noite. Se houver fogo de artilharia inimiga, é importante que seja neutralizado antes que as unidades tomem suas posições. As unidades de ataque se moverão para a borda da floresta durante a escuridão, rastejando se necessário. Ao sinalizar, eles irão atacar as posições inimigas. Como é melhor para cada unidade de flanco fazer uma investida ao mesmo tempo, o momento do ataque deve ser coordenado.


Bibliografia recomendada:


Leitura recomendada:




Bem vindo à selva11 de julho de 2020.


segunda-feira, 26 de abril de 2021

Sobre o adestramento do Exército Brasileiro na região Norte


Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 26 de abril de 2021.

Em uma pesquisa feita em 2020 para a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO) do Exército Brasileiro, foram entrevistados 99 militares da ativa (2 coronéis, 3 majores, 62 capitães, 5 tenentes e 27 sargentos) que serviram ou serviam no Comando Militar da Amazônia (CMA) e Comando Militar do Norte (CMN) nos 3 anos anteriores, perguntando-se caso acreditavam que suas tropas estivessem devidamente adestradas para operações convencionais (Ofensivas e Defensivas) em ambiente de selva.

A resposta deveria ser dada em notas de 1 a 5, onde cada cada nota representava um percentual de adestramento, onde 1 significa estar até 20% adestrada e 5 significa estar 100% adestrada. O autor da pesquisa, o Capitão de Infantaria Francisco José Carneiro, considerou que para a tropa ser considerada devidamente adestrada o nível de adestramento deveria ficar acima de 75%, ou seja, deveria ter nota 4 ou 5.

Dos entrevistados, 69,8% (ou 69 deles) responderam que consideravam a tropa no máximo 60% adestrada (notas 1 a 3), o que para o autor do trabalho implica que consideram a tropa carente de adestramento.



Sobre o adestramento da tropa para as Operações de Apoio a Órgãos Governamentais, como Garantia da Lei e da Ordem (GLO), Operações de Cooperação e Coordenação com outras agências, Operações de Faixa de Fronteira, e tendo como padrão de resposta o mesmo da pergunta anterior, 71,7% dos entrevistados indicaram que as tropas estão em condições de serem empregadas de imediato para esses tipos de operações.

O autor considera que esse efeito ocorre pela tropa ser empregada nesse tipo de operação quase que diariamente, coisa que não acontece com as Operações Convencionais.



A importância da criação do Centro de Adestramento da Amazônia no aperfeiçoamento do adestramento e a contribuição na formação da consciência situacional dos comandantes das tropas do ambiente de selva, pelo Capitão de Infantaria Francisco José Carneiro.

O PDF de 26 páginas está disponível no link.

Bibliografia recomendada:


Leitura recomendada:




sexta-feira, 5 de março de 2021

FOTO: Parada noturna na Caiena

Legionários em parada na praça d'armas do quartel de la Madeleine, do 9e RIMa, durante a visita da ministra da Defesa, 10 de dezembro de 2020.
(Lara Priolet / ECPAD)

Parada noturna com legionários do 3e REI no quartel de la Madaleine na Caiena, a capital da Guiana Francesa, para a visita da ministra da Defesa, Florence Parly, 10 de dezembro de 2020.

O quartel pertence ao 9e RIMa, das tropas navais do exército. O 3e REI é baseado em Kouru e tem por missão a  proteção ao programa espacial francês. As duas unidades participam de missões de segurança territorial e ao combate ao garimpo ilegal. As duas unidades possuem treinamento especial de selva e respondem às Forças Armadas Francesas na Guiana.

Bibliografia recomendada:

French Foreign Legion:
Infantry and Cavalry since 1945.

Leitura recomendada:

VÍDEO: O Brasil poderia tomar a Guiana Francesa?12 de dezembro de 2020.

O Estado-Maior Brasileiro considera a França a principal ameaça militar até 20409 de fevereiro de 2020.

A Viabilidade das Operações na Selva à Noite, 5 de outubro de 2020.

PINTURA: Desembarque anfíbio em Caiena, 18094 de fevereiro de 2020.

FOTO: 14ª Reunião de Estados-Maiores entre o Brasil e a França2 de maio de 2020.

Legionários e gendarmes destruíram um grande acampamento de garimpeiros ilegais na Guiana7 de abril de 2020.

FOTO: Equipe de míssil anti-aéreo Mistral durante o lançamento do foguete Ariane 515 de janeiro de 2020.

Chineses buscam assistência brasileira com treinamento na selva9 de julho de 2020.

VÍDEO: Estágio Jaguar na Guiana Francesa19 de setembro de 2020.

sábado, 12 de dezembro de 2020

VÍDEO: O Brasil poderia tomar a Guiana Francesa?

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 12 de dezembro de 2020.

O canal de análises militares Binkov's Battlegrounds, apresentado pela marionete Camarada Binkov, publicou ontem (11/12/2020) um vídeo de análise sobre uma hipotética invasão brasileira à Guiana Francesa, com a reação da França e com o possível desenrolar da guerra com os meios militares de cada um.

A análise segue o procedimento de jogos de guerra, com a distinção dos "players" (jogadores, os combatentes), os objetivos e os meios; estes são o número de tropas no local, número disponível de tropas a serem movidas para o teatro, meios de transporte e equipamentos. Os equipamentos variam em qualidade mas são adotados como em condições de operação. Armas nucleares francesas e aliados para ambos foram excluídos.

Resumidamente, ambos os lados teriam dificuldades em mover tropas para o teatro de operações (TO) e os combates seriam de pequenas unidades na selva, com intervenções de artilharia e aviação. O Brasil iniciou a invasão com um assalto paraquedista de forças especiais e paraquedistas tomando o aeroporto de Caiena, se beneficiando de superioridade local. Essa força inicial seria reforçada por fuzileiros navais e tropas do exército aerotransportadas para a região. A marinha francesa moveria uma força-tarefa anfíbia para o Caribe, onde possui ilhas, e tomaria as águas ao redor, sendo incomodada por sortidas de submarinos brasileiros.

Legionários da 2ª companhia do 3e REI com o míssil AAe Mistral durante o lançamento do foguete Ariane 5 em Kourou, na Guiana Francesa, em 17 de novembro de 2016.

Os franceses lançariam paraquedistas na Guiana e estes seriam reforçados por desembarques anfíbios de fuzileiros apenas marginalmente mais equipados que os paraquedistas. Uma discussão interessante foi o uso de carros de combate na selva pelos dois lados, assim como artilharia auto-propulsada (o que Binkov nota, o Brasil estaria em vantagem). Uma coisa que Binkov não notou foi o uso de carros de combate sobre rodas, o que é comum nos dois exércitos.

A aviação francesa teria superioridade aérea no mar e sobre o TO, mas não conseguiriam manter um guarda-chuva anti-aéreo o tempo todo e as forças francesas seriam incomodadas por bombardeiros à hélice fazendo sortidas ocasionais. A marinha brasileira seria obliterada e a sua força aérea reduzida à metade, mas o território permaneceria nas mãos brasileiras.

O veredicto foi a França tomando todas as ilhas brasileiras no saliente nordestino mas perdendo a Guiana para o Brasil. Esse resultado é muito otimista e assume que os brasileiros não teriam problemas de suprimentos, mas é provável que os militares brasileiros teriam dificuldade em negociar suas próprias linhas internas, demorando para trazer reforços e suprimentos (comida, munição, peças de reposição, etc) para o campo de batalha. Já a França, trazendo material pelo mar com depósitos posicionados na Martinica teria um acesso mais fácil. Seria interessante que o Camarada Binkov fizesse um segundo vídeo tratando das considerações logísticas de ambos os combatentes.

Vídeo:


A França como adversária do Brasil

Essa idéia veio com a publicação do Livro Branco da Defesa de 2020 que apontou a França como a principal ameaça ao Brasil na região. Essa decisão ecoou no mundo todo, trazendo surpresa à França, que sempre viu o Brasil como aliado. O anúncio não foi tomado como uma agressão vinda do Brasil e não teve maiores repercussões exceto uma "guerra de memes" na internet.

A última vez que o Brasil teve problemas diplomáticos reais com a França foi na "Guerra da Lagosta", uma ocasião onde as duas marinhas se encararam e uma marinha brasileira quase incapaz de fazer a navegação de cabotagem do Rio de Janeiro para o nordeste conseguiu defender os interesses nacionais pelo blefe. A última vez onde forças brasileiras de fato chegaram "às vias de fato" com os franceses foi na intrusão francesa no Amapá, em 1895. Tropas francesas comandadas pelo Capitão Lunier invadiram território brasileiro, sendo repelidos pelo general honorário do exército brasileiro Francisco Xavier da Veiga Cabral. Após a defesa do Amapá, Veiga Cabral se tornou um dos maiores heróis da história do estado. Na época, uma frase foi dita que acabou marcando o sentimento do povo do Amapá em relação a Veiga Cabral:

“Se é grande o Cabral que nos descobriu, maior é o Cabral que nos defendeu!”

Um enfrentamento de maior relevância ocorreu na invasão da Guiana Francesa em 1809, no âmbito das Guerras Napoleônicas. Nessa ocasião, a Brigada Real da Marinha desembarcou nas praias da Caiena, capital da então colônia francesa, sendo seguida por regulares da colônia brasileira e tropas portuguesas e britânicas, ocupando a Guiana Francesa até 1817.

Desembarque em Caiena, 1809. Óleo sobre tela de Álvaro Martins.
Essa operação é considerada o batismo de fogo dos Fuzileiros Navais do Brasil.

As forças luso-brasileiras na operação contaram 550 fuzileiros navais (fuzileiros-marinheiros da Brigada Real da Marinha) e 2.700 regulares do exército colonial, e parte da guarnição de marinheiros e fuzileiros navais britânicos do HMS Confiance, enfrentando a pequena guarnição francesa de 450 regulares e 800 milicianos.

Depois das Guerras Napoleônicas, o Brasil e a França têm uma história de estreita amizade, desde o reconhecimento do Brasil por Paris logo cedo até três missões militares de instrução francesas no Brasil (duas na Força Pública de São Paulo e uma no Exército Brasileiro). Aliados nas duas guerras mundiais, a França novamente mandou equipes de instrução durante o regime militar, até mesmo o Brasil recebendo o General de Gaulle durante o governo Castello Branco. 

Os dois países também vêm de uma longa história de compras militares e exercícios conjuntos (especialmente entre as duas marinhas). Culturalmente, a França vê o Brasil como o país sul-americano mais interessante e trata com surpresa os turistas brasileiros na França. O Brasil, sempre muito ligado à cultura francesa, vê a França como um país de sofisticação e progresso.

Uma fonte de estudo interessante é o livro do General Aurélio de Lyra Tavares sobre as relações dos dois países até a década de 1970.

Bibliografia recomendada:

Brasil França: Ao longo de 5 séculos.
General A. de Lyra Tavares.

Leitura recomendada:

O Estado-Maior Brasileiro considera a França a principal ameaça militar até 20409 de fevereiro de 2020.

PINTURA: Desembarque anfíbio em Caiena, 18094 de fevereiro de 2020.

FOTO: 14ª Reunião de Estados-Maiores entre o Brasil e a França2 de maio de 2020.

FOTO: Equipe de míssil anti-aéreo Mistral durante o lançamento do foguete Ariane 515 de janeiro de 2020.

A geopolítica do Brasil entre potência e influência13 de janeiro de 2020.

Relatório Pós-Ação de participação na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército Brasileiro5 de janeiro de 2020.

Legionários e gendarmes destruíram um grande acampamento de garimpeiros ilegais na Guiana7 de abril de 2020.

Chineses buscam assistência brasileira com treinamento na selva9 de julho de 2020.

VÍDEO: Estágio Jaguar na Guiana Francesa19 de setembro de 2020.

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

A arma excepcional da ação: O FAL em Long Tan no Vietnã

Batalha de Long Tan, 1966.
O relatório oficial pós-ação do exército australiano chamou o FAL de "a arma excepcional da ação".
Ilustração de Steve Noon.

Por Bob Cashner, The FN FAL Battle Rifle, 2013.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 16 de julho de 2019.

As unidades australianas e neozelandesas que lutando ao lado de forças dos EUA, do Vietnã do Sul e outras no Vietnã durante as décadas de 1960 e 1970 foram armadas com o fuzil SLR L1A1 semi-automático feito pela Lithgow; eles o consideraram uma arma confiável para a luta na selva. Apesar da mão-de-obra e artilharia e apoio aéreo muito limitados quando comparados com seus aliados americanos, os australianos e neozelandeses, recebendo treinamento especial na selva, derivado das lições aprendidas nas selvas da Malásia e Bornéu, operaram de uma maneira que o Viet Cong e o NVA chegaram a temer. Pequenas patrulhas australianas e neo-zelandesas movimentavam-se como fantasmas e muitas vezes provavam ser superiores ao inimigo quando se tratava de furtividade e habilidades de campanha. Apesar do desprezo geral dos australianos pela “contagem de corpos” como uma medida de sucesso, as estatísticas fornecem uma considerável defesa dos métodos não convencionais que eles usaram.

SLR L1A1, o FAL australiano e neo-zelandês.

Algumas estimativas afirmam que as tropas americanas gastaram cerca de 200.000 cartuchos de munição de armas portáteis por baixa inimiga; para os australianos e neozelandeses armados com o L1A1, 275 tiros foram gastos por baixa inimiga (Hall & Ross 2009). As razões para isso foram muitas. Primeiro, os soldados australianos e neozelandeses foram treinados em um padrão de pontaria muito acima e além daquele do soldado de infantaria americano. Em segundo lugar, muitos veteranos da 1ª Força-Tarefa Australiana eram veteranos de Bornéu e da Malásia, reforçando o treinamento na selva que as forças australianas e neozelandesas receberam antes de serem desdobradas para o Vietnã. Em terceiro lugar, os australianos e neozelandeses freqüentemente operavam em patrulhas pequenas, silenciosas e furtivas, em vez de em enormes varreduras do tamanho de um batalhão (ou maiores).

O método australiano foi recompensado ao infligir baixas inimigas sem a necessidade de dezenas de aeronaves e milhares de granadas de artilharia por engajamento. Por exemplo, mais de um terço dos contatos inimigos dos australianos foram emboscadas. Em 34% dos casos, os Aussies e os Kiwis emboscaram o Viet Cong/Exército Norte-Vietnamita (VC/NVA), enquanto que em apenas 2% dos contatos o inimigo conseguiu surpreender os ANZACs em suas próprias emboscadas. Um estudo do SAS sobre as ações australianas no Vietnã afirmou que, apesar dos ataques aéreos e de artilharia normalmente bastante oportunos e relativamente pesados que a infantaria ocidental desfrutou na guerra, cerca de 70% das baixas inimigas foram infligidas com armas portáteis de infantaria. Os métodos táticos dos ANZAC também mantiveram o inimigo respondendo a eles em vez de vice-versa, um elemento crítico na guerra de contra-insurgência.

O Soldado Bill Stallan do 6º Batalhão, do Regimento Real Australiano, em patrulha de selva em Phuoc Tuy, 1971.
Embora os fuzis L1A1 australianos fabricados pela Lithgow fossem soberbamente confiáveis e poderosos, os soldados foram inicialmente fornecidos apenas cinco carregadores, os quais deveriam ser recarregados de bandoleiras.
(Imperial War Museum, MH 16767)

Apesar de seu comprimento de 1.143 mm (45 polegadas) dificilmente ser ideal na selva, o SLR obteve notas muito altas por sua robustez e confiabilidade. A batalha de Long Tan em agosto de 1966 ocorreu sob uma forte chuva de monções e lama viscosa, condições que causaram mais do que alguns problemas para as metralhadoras M60 e suas cintas de munição expostas, bem como o punhado dos novos fuzis americanos Armalite M16 usados pelos australianos. O L1A1 resistiu ao teste com notação perfeita; o relatório oficial pós-ação do exército australiano chamou-lhe "a arma excepcional da ação". (Australian Army 1967: 26)

Tal como acontece com o L1A1 britânico, o SLR australiano ofereceu apenas fogo semi-automático. A conservação da munição fornecida pelo modo semi-automático fez uma diferença real em Long Tan. A maioria dos soldados recebia, na melhor das hipóteses, um carregador cheio no fuzil e quatro carregadores sobressalentes em seu equipamento de lona; um total de 100 tiros ou menos não dura muito em um tiroteio de longa duração, mesmo em modo semi-automático. Ainda assim, na selva, geralmente era um procedimento operacional padrão "despejar" o primeiro carregador o mais rápido possível para estabelecer a superioridade de fogo e, em seguida, alternar para o "double-tap" ("tiro duplo") mirado.

Militares da Companhia B do 2º Batalhão do Regimento Real Australiano, avançam com cuidado após desembarcarem de helicóptero, julho de 1967.
Os ANZACs no Vietnã freqüentemente removiam as alças de transporte dos seus SLR para diminuir o peso, e os quebra-chamas para diminuir a extensão.
(Bettmann/Corbis)

Mesmo assim, uma das maiores lições de Long Tan foi a emissão de muito mais munições e carregadores para o soldado de infantaria. O fornecimento de apenas cinco carregadores, os quais deveriam ser recarregados de bandoleiras, era obviamente insuficiente para um soldado engajado em um tiroteio.

Tal como acontece com os combatentes em todo o mundo, os australianos e os neozelandeses rapidamente também fizeram uso do poder de penetração da munição de 7,62x51mm OTAN. Mais de um soldado inimigo escondido atrás do tronco de uma seringueira encontrou seu abrigo transformado em mera coberta por tiros de 7,62x51mm explodindo através dela.

Soldados do 7 RAR, armados de SLR/FAL, aguardam transporte para Phuoc Hai, em 26 de agosto de 1967.

Uma modificação semioficial do L1A1 no Vietnã, que começou no SAS australiano, foi apelidada de "The Beast" ("A Besta") ou, às vezes, de "The Bitch" ("A Megera"). Este era um L1A1 convertido para fogo totalmente automático com peças do FM L2A1 e o cano, menos o quebra-chama, cortado logo adiante do conjunto do obturador de gás. Com um carregador de 30 tiros, o qual poderia esvaziar em menos de três segundos, era uma arma de curto alcance temível. Um número nada insignificante de soldados de ambos os lados pensaram que a enorme explosão "d'A Besta" parecia uma metralhadora pesada .50, proporcionando um poderoso efeito psicológico junto com poder de fogo extra. O veterano australiano de reconhecimento, Peter Haran, descreveu suas modificações na zona de combate em seu SLR:

No Recce [reconhecimento] tínhamos escolha de arma e voltei para o SLR [ao invés do Armalite], mas fiz alguns ajustes. Substituí a trava de segurança por uma de um SLR de cano pesado L2A1 e limei a armadilha do gatilho e o pino projetado para impedir que a trava de segurança ficasse em "automático". Com uma carregador de 30 tiros em vez de um de 20 tiros, eu agora tinha a arma que queria no mato - um "Slaughtermatic", como eu a chamei: em essência, uma metralhadora totalmente automática de 7,62 mm sem alimentador de cinta, um fuzil leve com soco máximo quando em fogo automático. Considerei que carregadores demais passando sem uma pausa provavelmente derreteriam o cano, mas se algum dia acontecesse esse tipo de luta, eu provavelmente não voltaria para casa de qualquer maneira. (Crossfire: An Australian Reconnaissance Unit in Vietnam, Haran & Kearney 2001: 32)

- Bob Cashner, The FN FAL Battle Rifle, pg. 52-54.

The FN FAL Battle Rifle,
Bob Cashner.

Bibliografia recomendada:

Vietnam ANZACs:
Australian & New Zealand Troops in Vietnam 1962-72.
Kevin Lyles.

Leitura recomendada: