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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

O futuro que a Rússia nos promete, de Olavo de Carvalho


Por Olavo de Carvalho, Brasil Sem Medo, 24 de Fevereiro de 2022.

Em artigo de 2011, o professor Olavo de Carvalho explica os planos da Rússia e as estratégias que serão usadas por Putin.

Um mês após a morte do grande filósofo e professor Olavo de Carvalho, o jornal Brasil Sem Medo (BSM) publica texto de sua autoria que mostra que ele sempre tinha razão. Dessa vez, sobre a situação da Rússia. Leia a íntegra abaixo:

O futuro que a Rússia nos promete

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 23 de maio de 2011

O prof. Alexandre Duguin, à testa da elite intelectual russa que hoje molda a política internacional do governo Putin, diz que o grande plano da sua nação é restaurar o sentido hierárquico dos valores espirituais que a modernidade soterrou. Para pessoas de mentalidade religiosa, chocadas com a vulgaridade brutal da vida moderna, a proposta pode soar bem atraente. Só que a realização da idéia passa por duas etapas. Primeiro é preciso destruir o Ocidente, pai de todos os males, mediante uma guerra mundial, fatalmente mais devastadora que as duas anteriores. Depois será instaurado o Império Mundial Eurasiano sob a liderança da Santa Mãe Rússia.

Carrasco mostra para a multidão a cabeça do executado na guilhotina.

Quanto ao primeiro tópico: a “salvação pela destruição” é um dos chavões mais constantes do discurso revolucionário. A Revolução Francesa prometeu salvar a França pela destruição do Antigo Regime: trouxe-a de queda em queda até à condição de potência de segunda classe. A Revolução Mexicana prometeu salvar o México pela destruição da Igreja Católica: transformou-o num fornecedor de drogas para o mundo e de miseráveis para a assistência social americana. A Revolução Russa prometeu salvar a Rússia pela destruição do capitalismo: transformou-a num cemitério. A Revolução Chinesa prometeu salvar a China pela destruição da cultura burguesa: transformou-a num matadouro. A Revolução Cubana prometeu salvar Cuba pela destruição dos usurpadores imperialistas: transformou-a numa prisão de mendigos. Os positivistas brasileiros prometeram salvar o Brasil mediante a destruição da monarquia: acabaram com a única democracia que havia no continente e jogaram o país numa sucessão de golpes e ditaduras que só acabou em 1988 para dar lugar a uma ditadura modernizada com outro nome.

"Proclamação da República", 1893, óleo sobre tela de Benedito Calixto (1853 - 1927).
Acervo da Pinacoteca Municipal de São Paulo.

Agora o prof. Duguin promete salvar o mundo pela destruição do Ocidente. Sinceramente, prefiro não saber o que vem depois. A mentalidade revolucionária, com suas promessas auto-adiáveis, tão prontas a se transformar nas suas contrárias com a cara mais inocente do mundo, é o maior flagelo que já se abateu sobre a humanidade. Suas vítimas, de 1789 até hoje, não estão abaixo de trezentos milhões de pessoas – mais que todas as epidemias, catástrofes naturais e guerras entre nações mataram desde o início dos tempos. A essência do seu discurso, como creio já ter demonstrado, é a inversão do sentido do tempo: inventar um futuro e reinterpretar à luz dele, como se fosse premissa certa e arquiprovada, o presente e o passado. Inverter o processo normal do conhecimento, passando a entender o conhecido pelo desconhecido, o certo pelo duvidoso, o categórico pelo hipotético. É a falsificação estrutural, sistemática, obsediante, hipnótica. O prof. Duguin propõe o Império Eurasiano e reconstrói toda a história do mundo como se fosse a longa preparação para o advento dessa coisa linda. É um revolucionário como outro qualquer. Apenas, imensamente mais pretensioso.

Quanto ao Império Mundial Eurasiano, com um pólo oriental sustentado nos países islâmicos, no Japão e na China, e um pólo ocidental no eixo Paris-Berlim-Moscou, não é de maneira alguma uma idéia nova. Stalin acalentou esse projeto e fez tudo o que podia para realizá-lo, só fracassando porque não conseguiu, em tempo, criar uma frota marítima com as dimensões requeridas para realizá-lo. Ele errou no timing: dizia que os EUA não passariam dos anos 80. Quem não passou foi a URSS.

Como o prof. Duguin adorna o projeto com o apelo aos valores espirituais e religiosos, em lugar do internacionalismo proletário que legitimava as ambições de Stálin, parece lógico admitir que a nova versão do projeto imperial russo é algo como um stalinismo de direita.

O então primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, aperta a mão de operadores spetsnaz do Grupo Alpha da FSB durante uma visita a Gudermes, na Chechênia, em 2011.

Mas a coisa mais óbvia no governo russo é que seus ocupantes são os mesmos que dominavam o país no tempo do comunismo. Substancialmente, é o pessoal da KGB (ou FSB, que a mudança periódica de nomes jamais mudou a natureza dessa instituição). Pior ainda, é a KGB com poder brutalmente ampliado: de um lado, se no regime comunista havia um agente da polícia secreta para cada 400 cidadãos, hoje há um para cada 200, caracterizando a Rússia, inconfundivelmente, como Estado policial; de outro, o rateio das propriedades estatais entre agentes e colaboradores da polícia política, que se transformaram da noite para o dia em “oligarcas” sem perder seus vínculos de submissão à KGB, concede a esta entidade o privilégio de atuar no Ocidente, sob camadas e camadas de disfarces, com uma liberdade de movimentos que seria impensável no tempo de Stalin ou de Kruschev.

Ideologicamente, o eurasismo é diferente do comunismo. Mas ideologia, como definia o próprio Karl Marx, é apenas um “vestido de idéias” a encobrir um esquema de poder. O esquema de poder na Rússia trocou de vestido, mas continua o mesmo – com as mesmas pessoas nos mesmos lugares, exercendo as mesmas funções, com as mesmas ambições totalitárias de sempre.

O Império Eurasiano promete-nos uma guerra mundial e, como resultado dela, uma ditadura global. Alguns de seus adeptos chegam a chamá-lo “o Império do Fim”, uma evocação claramente apocalíptica. Só esquecem de observar que o último império antes do Juízo Final não será outra coisa senão o Império do Anticristo.


Compre na livraria do BSM: Os EUA e a Nova Ordem Mundial, um debate entre o cientista político russo Alexandre Dugin e o filósofo brasileiro Olavo de Carvalho.

sábado, 12 de fevereiro de 2022

FOTO: Mercenário do Corpo Eslavo com retrato de Bashar al-Assad

Mercenário da PMC Corpo Eslavo com um retrato de Bashar al-Assad, 2013.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 12 de fevereiro de 2022.

Um combatente da Companhia Militar Privada (Private Miltiary Company, PMC) russa Slavyanski Korpus (Corpo Eslavo / Славянский Корпус) posando com o retrato do presidente Bashar al-Assad na Síria, em 2013. O Corpo Eslavo precedeu o Grupo Wagner e teve vida curta, sendo aniquilado em uma emboscada do Jaysh al-Islam (Exército do Islã). Ao chegarem ao aeroporto de Vnukovo, em Moscou, os mercenários sobreviventes foram detidos pelas autoridades; pois o mercenarismo é oficialmente ilegal na Rússia. Alguns destes mercenários foram incorporados no nascente Grupo Wagner.

Vídeos de combate do Corpo Eslavo mostram algumas operações, inclusive um combate noturno com uso de OVN, onde um canhão autopropulsado 2S1 Gvozdika do Exército sírio é visto atirando.

Segundo relatos da mídia, o Corpo Eslavo foi registrado em Hong Kong por dois funcionários da empresa de segurança privada Moran Security Group, os cidadãos russos: Vadim Gusev e Yevgeniy Sidorov.

Na primavera de 2013, anúncios de emprego de uma empresa sediada em Hong Kong surgiram em vários sites militares russos. Os anúncios prometiam 5.000 dólares por mês para os serviços de guarda protegendo as instalações de energia na Síria durante a guerra civil naquele país. Os anúncios atraíram a atenção de ex-membros da OMON, SOBR, VDV e Spetsnaz; muitos deles tinham experiência militar anterior na Guerra Civil do Tajiquistão, bem como na Segunda Guerra da Chechênia.

A foto mais famosa do Corpo Eslavo na Síria.

Em 2013, depois de chegar inicialmente a Beirute, no Líbano, os mercenários foram transferidos primeiro para Damasco, a capital da Síria, e depois para uma base do exército sírio em Latakia. Em outubro, o Corpo Eslavo tinha uma força de 267 contratados divididos em duas companhias que estavam presentes em Latakia.

Os contratados receberam equipamentos desatualizados, o que levantou preocupações entre os participantes. Eles logo perceberam que a FSB e o governo sírio não tinham envolvimento com a operação. Aqueles que desejavam retornar à Rússia não tiveram escolha a não ser ganhar sua passagem de volta através da participação direta na guerra civil síria. O novo objetivo do Corpo Eslavo foi descrito como guardar os campos de petróleo de Deir ez-Zor. Em vez dos prometidos T-72, os contratados receberam ônibus cobertos de placas de metal. A caminho de Deir ez-Zor, a coluna encontrou um helicóptero da força aérea síria que colidiu com uma linha de transmissão e caiu em cima duma caravana, ferindo um dos contratados.

Em 18 de outubro, a coluna recebeu ordens para reforçar as forças do exército sírio na cidade de Al-Sukhnah. Três horas em sua jornada, a coluna foi atacada. Com a ajuda de um canhão autopropulsada do exército sírio e apoio aéreo de um único caça, os contratados assumiram uma posição defensiva. Os combatentes do Jaysh al-Islam, de dois a seis mil homens (de acordo com os russos), tentaram um movimento de pinça. Em desvantagem numérica, os contratados recuaram para seus veículos enquanto uma tempestade no deserto cobria o campo de batalha. No rescaldo da batalha, seis membros do Corpo Eslavo foram feridos. Tendo falhado em atingir seus objetivos, o grupo retornou à Rússia.

Ao chegar ao Aeroporto Internacional de Vnukovo, os participantes foram detidos pela FSB por suspeita de agir como mercenários, o que é punível nos termos do artigo 359 da lei penal russa. Apesar do fato de a empresa estar registrada em Hong Kong, os proprietários, Gusev e Sidorov, também foram acusados e condenados em outubro de 2014.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

ENTREVISTA: Mercenários Wagner na Síria

Por John Sparks, Sky News, 10 de agosto de 2016.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 8 de fevereiro de 2022.

Revelado: os "mercenários secretos" da Rússia na Síria.

John Sparks, correspondente em Moscou da Sky News, fala com homens que afirmam que foram treinados e voaram em aviões militares russos para ajudar as tropas leais a Bashar al-Assad.

Se a Rússia é uma nação em guerra, o Kremlin sempre teve o cuidado de enquadrar sua campanha na Síria como uma operação aérea. Além de um número limitado de "instrutores e conselheiros militares", as autoridades russas afirmaram repetidamente que não precisam colocar "botas no chão".

Um dos ex-mercenários que afirma ter sido treinado e enviado para lutar na Síria.

A narrativa russa de conflito de baixo custo foi seriamente desafiada, no entanto, por um grupo de jovens russos que afirmam que o envolvimento de seu país na Síria é muito mais extenso - e mais caro - do que qualquer um no governo do presidente Putin está preparado para admitir. Esses indivíduos disseram à Sky News que foram recrutados por uma empresa militar privada altamente secreta chamada "Wagner" e levados para a Síria a bordo de aviões de transporte militares russos.

Exclusivo: Soldados Secretos da Rússia lutando na Síria

Pelo equivalente a £ 3.000 por mês (R$ 21.421,20), eles dizem que foram jogados em batalhas e tiroteios com facções rebeldes - incluindo o Estado Islâmico. Dois do grupo, Alexander e Dmitry, disseram à Sky News que se sentiam sortudos por estarem vivos.

"É 50-50", disse Alexander (nome fictício). "A maioria das pessoas que vão lá pelo dinheiro acaba morta. Aqueles que lutam por ideais, para lutar contra os americanos, forças especiais americanas, alguma ideologia - eles têm uma chance melhor de sobrevivência."

"Aproximadamente 500 a 600 pessoas morreram lá", afirmou Dmitry. "Ninguém nunca vai descobrir sobre eles... essa é a coisa mais assustadora. Ninguém nunca vai saber."

Mercenários russos supostamente lutaram no leste da Ucrânia.

O primeiro-ministro do país, Dmitry Medvedev, alertou em fevereiro que o envio de tropas terrestres por potências estrangeiras poderia resultar em uma "guerra mundial". Ele parece ter excluído o uso de mercenários russos desse cálculo, no entanto - embora os analistas não estejam surpresos.

O envio de contratados militares é consistente com a visão russa da "guerra híbrida", de acordo com o analista militar Pavel Felgenhauer. Ele disse: "Obviamente (Wagner) existe. Esses tipos de 'voluntários' aparecem em diferentes zonas de guerra, onde o governo russo quer que eles apareçam. Então, primeiro na Crimeia, depois no Donbass, agora na Síria. Mas eles não foram legalizados até agora."

As empresas militares privadas são proibidas pela constituição russa - mas isso não é algo que parece incomodar o homem que dirige a operação.

A única imagem conhecida do líder sombrio do Grupo Wagner, Nikolai Utkin.
(Foto: Fontanka)

Um ex-soldado das forças especiais, ele é conhecido por seus homens como Nikolai Utkin. A única foto conhecida do senhor Utkin foi publicada no início deste ano pelo jornal Fontanka, de São Petersburgo. O jornal o descrevia como um aficionado da estética e ideologia do Terceiro Reich nazista alemão. Seu nome-de-guerra, Wagner, é considerado uma homenagem ao compositor favorito de Hitler.

A empresa recrutou centenas de homens online, publicando anúncios temporários em salas de bate-papo com temas militares em um popular site russo.

Os homens dizem que foram levados da Rússia para a Síria em aviões militares russos.

A Sky News obteve um registro de uma conversa entre um recruta e um agente Wagner. Lê-se:

Recruta: Ouvi dizer que Wagner está procurando caras. Eu estava no exército em ..... divisão.

Wagner: Em que tipo de forma física você está?

Recruta: Eu posso correr 10km. Eu posso fazer 20 barras.

Wagner: Você consegue fazer 3km em 13 minutos?

Recruta: Com certeza! No exército eu fazia 11km em 40 minutos.

Wagner: Você tem algum problema com a lei, dívidas?

Recruta: Eu tenho um problema com dinheiro. Quero comprar um apartamento.

Wagner: Você tem passaporte válido para viajar?

Recruta: Sim, claro.

Wagner: Ok, venha para Molkino. Você tem uma grande chance de ser selecionado.

Molkino é uma pequena vila no sul da Rússia que abriga uma base de forças especiais do Ministério da Defesa. Parte da base foi entregue ao Grupo Wagner para seleção e treinamento de recrutas.

Alexander, que realizou várias missões na Síria, disse estar ciente de homens de todas as habilidades sendo aceitos para treinamento - mesmo aqueles que nunca dispararam uma arma. Ele disse que o treinamento - que geralmente dura de um a dois meses - foi intenso.

Ele acrescentou: "Se a pessoa não foi do exército, ele é treinado desde o nível zero. Eles são ensinados a ser soldados de infantaria - a bucha de canhão usual. Se a pessoa serviu na artilharia, reconhecimento, brigadas de assalto - suas habilidades são polidas... eles ensinam você a dirigir e usar absolutamente todo o equipamento que eles têm."

Dmitry disse que os recrutas receberam um kit "padrão da OTAN" para praticar.

Alguns dos homens com quem a Sky News falou dizem que participaram da batalha por Palmira.

Ambos os homens logo se viram destacados para a principal base russa na costa síria. Alexander disse que ele foi acompanhado por mais de 500 homens.

"Havia 564 soldados comigo e fomos colocados na base", acrescentou. "Tínhamos duas companhias de reconhecimento, uma companhia de defesa anti-aérea, dois grupos de assalto e tropas de infantaria, além de artilharia pesada, tanques e assim por diante."

Dmitry disse que se juntou a 900 outros - mas teve dúvidas na chegada. Ele trabalhou anteriormente como secretário de escritório e tinha pouca experiência militar. "Chegamos à noite no aeroporto", disse ele. "Como se chama? Hmay? Hymeem? Hhmemeen? (Khmeimim). Então fomos colocados em caminhões. Para ser honesto, eu estava com medo. Não tenho uma constituição forte e não era muito bom nos exercícios".

Os combatentes Wagner acusaram seus comandantes de enviá-los em "missões suicidas" destinadas a "suavizar" a oposição antes que as tropas do Exército sírio fossem enviadas. Alexandre relembrou a batalha pela cidade de Palmira, realizada no início deste ano (2016). Ele disse:

"Durante o assalto a Palmira, fomos usados como bucha de canhão. Pode-se dizer isso. O reconhecimento avançou primeiro para que pudessem observar e relatar. Eu conhecia três naquele grupo - dois morreram antes de chegarem à cidade. Da minha companhia de assalto, 18 morreram. Depois de nós, aquelas galinhas covardes do exército de Assad seguiram e terminaram o serviço, mas nós fizemos a maior parte do trabalho."

O número oficial de russos mortos na Síria é de 19. No entanto, os combatentes Wagner disseram à Sky News que acreditavam que centenas de seus colegas de trabalho foram mortos.

Eles acusam as autoridades de encobri-las.

"Quem vai te contar sobre isso? Às vezes os corpos são cremados, mas os jornais dizem 'eles estão desaparecidos'. Às vezes os documentos dizem que o soldado foi morto em Donbass (leste da Ucrânia). Às vezes eles dizem 'acidente de carro' e assim por diante", afirmou Alexandre.

Fotos capturadas por combatentes do Estado Islâmico parecem mostrar mercenários russos na Ucrânia.

Dmitry afirmou que centenas de homens foram deixados na Síria. "Às vezes eles estão enterrados, às vezes não", disse ele. "Às vezes eles apenas cavam um buraco. Depende de como os comandantes se sentem em relação à pessoa".

Ele está de volta a Moscou agora, mas diz que a experiência ainda o persegue. Quando ele assinou com o Grupo Wagner, Dmitry entregou seus documentos de identificação pessoal - uma parte essencial da vida na Rússia. Ao retornar, ele voltou à base de treinamento para recuperar seus documentos, mas foi preso pela polícia. Um oficial lhe disse, inequivocamente, que o Grupo Wagner "não existe".

Dmitry disse à Sky News que há outros 50 homens - sobreviventes do Grupo Wagner - agora andando pelas ruas de Moscou, traumatizados e sem documentos.

"Ninguém me conhece", disse ele. "Eles simplesmente me jogaram fora".

Bibliografia recomendada:

"Wagner Group":
Africa's Chaos is an Economic Boom.

Leitura recomendada:



domingo, 9 de janeiro de 2022

A operação de manutenção da paz do CSTO no Cazaquistão: uma visão geral

Tropas russas enviadas para Almaty.
(Fonte: Ministério da Defesa russo)

Por Oleg Shakirov, European security, digital diplomacy, 8 de janeiro de 2022.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 8 de janeiro de 2022.

Em 6 de janeiro de 2022, a Organização do Tratado de Segurança Coletiva lançou sua primeira operação de manutenção da paz a pedido do Presidente do Cazaquistão Kassym-Jomart Tokayev. Devido à natureza sem precedentes desse desdobramento, às incertezas sobre a situação de rápido desenvolvimento no Cazaquistão e ao contexto geopolítico mais amplo, há muitas especulações sobre o que está acontecendo. Nesta visão geral, quero apresentar evidências conhecidas sobre a operação da CSTO na esperança de que ajude a entendê-la melhor.

Organização do Tratado de Segurança Coletiva

O Tratado de Segurança Coletiva foi assinado em Tashkent em 15 de maio de 1992, poucos meses após a dissolução da União Soviética. Seus participantes originalmente incluíam Armênia, Cazaquistão, Quirguistão, Rússia, Tadjiquistão e Uzbequistão; no ano seguinte, juntaram-se o Azerbaijão, Geórgia e Bielo-Rússia.

Em 1999, quando o Tratado precisou ser prolongado, surgiram os membros básicos de seis países: Armênia, Bielo-Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Rússia, Tajiquistão e Bielo-Rússia (o Uzbequistão voltou a aderir de 2006 a 2012). Em 2002, eles criaram a Organização do Tratado de Segurança Coletiva.

Os membros da CSTO cooperam nas dimensões política, militar e parlamentar. Uma de suas prioridades tem sido o combate às ameaças transnacionais, como a migração ilegal, o tráfico de drogas e o terrorismo, com exercícios regulares nessas áreas.

Sua estrutura militar conjunta é dividida em três regiões: Europa Oriental, Cáucaso, Ásia Central. A CSTO mantém as Forças Coletivas de Desdobramento Rápido da Região da Ásia Central (desde 2001), Força de Paz Coletiva (desde 2007), Forças de Reação Rápida Coletiva (desde 2009), Força Aérea Coletiva (desde 2014).

O Acordo sobre as atividades de manutenção da paz da CSTO foi assinado em 2007 e estabeleceu a estrutura legal para as operações de manutenção da paz dentro da CSTO ou em outro lugar (desde que haja um mandato do Conselho de Segurança da ONU). Recentemente, a CSTO estava planejando integrar sua capacidade de manutenção da paz na estrutura da ONU e se envolver em missões da ONU.

Além dos exercícios, a CSTO nunca usou suas forças de manutenção da paz ou outras forças num cenário da vida real. Em 2010, o Quirguistão solicitou a assistência da CSTO durante confrontos étnicos, mas outros participantes decidiram não se envolver. Mais recentemente, a CSTO foi testada por várias crises em sua área de responsabilidade, desde a guerra do Nagorno-Karabakh e confrontos subsequentes entre a Armênia e o Azerbaijão (em 2021, a Armênia solicitou oficialmente consultas conjuntas nos termos do Artigo 2 do Tratado de Segurança Coletiva devido às incursões das tropas do Azerbaijão); confrontos entre o Quirguistão e Tadjiquistão sobre disputas de fronteira; situação na Bielo-Rússia. Embora as autoridades da CSTO não tenham ficado em silêncio nesses e em outros casos, a organização e a Rússia em particular, seu membro mais poderoso, preferiram não interferir militarmente.

A operação de manutenção da paz no Cazaquistão é, portanto, o primeiro exemplo em que a CSTO desdobra sua força coletiva para ajudar a resolver uma crise real.

Solicitação de assistência e tomada de decisão da CSTO

Na noite de 5 de janeiro, em meio aos protestos que se tornaram violentos em Almaty, Tokayev disse publicamente que solicitou a assistência dos líderes da CSTO “para superar essa ameaça terrorista”. Ele se referiu aos eventos da seguinte forma: “isso está minando a integridade do Estado e o mais importante - este é um ataque aos nossos cidadãos, que me pedem como chefe de Estado para ajudá-los imediatamente”. (No início do mesmo dia, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que o Cazaquistão não havia solicitado ajuda da Rússia.)

Logo depois disso, Nikol Pashinyan, primeiro-ministro da Armênia e presidente do Conselho de Segurança Coletiva de 2022 (órgão supremo da CSTO composto por chefes de Estado ou de governo), postou no Facebook que acabara de falar com Tokayev por telefone e em resposta a seu pedido para obter assistência estava começando uma consulta imediata dentro do Conselho de Segurança Coletiva.

Duas horas depois, por volta da meia-noite (horário de Moscou), Pashinyan anunciou no Facebook que o Conselho de Segurança Coletiva decidiu enviar a Força Coletiva de Paz ao Cazaquistão por um período de tempo limitado. A mesma declaração foi publicada posteriormente pelo Kremlin e pela CSTO. Aqui está a tradução oficial para o português da declaração da CSTO:

Em conexão com o apelo do Presidente da República do Cazaquistão Kassym-Jomart Tokayev e em vista da ameaça à segurança nacional e à soberania da República do Cazaquistão causada, entre outras coisas, por agressão externa, o Conselho de Segurança Coletiva da CSTO de acordo com o Artigo 4 do Tratado de Segurança Coletiva, decidiu enviar as Forças Coletivas de Paz da CSTO à República do Cazaquistão por um período limitado de tempo a fim de estabilizar e normalizar a situação naquele país.

Nikol Pashinyan
Presidente do Conselho de Segurança Coletiva da CSTO,
Primeiro Ministro da República da Armênia

Alguns pontos devem ser destacados:
  • A CSTO não interpretou a situação como contraterrorismo. Embora Tokayev tenha enquadrado a situação em termos de combate ao terrorismo, a declaração da CSTO claramente evita qualquer menção ao terrorismo. Além disso, os líderes da CSTO decidiram desdobrar uma força de manutenção da paz em vez de outros tipos de força coletiva que a organização afirma que mencionam especificamente o terrorismo (ver as Forças de Reação Rápida Coletiva e as Forças Coletivas de Desdobramento Rápido da Região da Ásia Central).
  • A declaração de Pashinyan enfatizou a "agressão externa" entre as coisas que ameaçaram a segurança nacional e a soberania do Cazaquistão. Embora não esteja claro o que isso implica, as autoridades do Cazaquistão e da Rússia fizeram alegações não especificadas sobre o envolvimento estrangeiro na crise atual. Esta ênfase também pode ter sido feita para justificar a invocação do Artigo 4 (disposição de defesa coletiva da CSTO). No entanto, uma leitura atenta do artigo 4 mostra que ele é realmente ambíguo quanto à fonte da agressão, ou seja, não importa se é de fora ou de dentro.
  • O desdobramento da manutenção da paz seria “por um período limitado de tempo”, aparentemente até que a situação no Cazaquistão fosse normalizada.
O secretário-geral da CSTO notificou a OSCE, a organização de cooperação de Xangai e a ONU sobre o envio de forças de manutenção da paz.

Tomada de Decisão Nacional

Todos os membros da CSTO (exceto o Cazaquistão) decidiram contribuir para a força de manutenção da paz. Por se tratar da primeira operação da CSTO desse tipo, vale a pena observar como cada membro procedeu com sua participação.
  • Na Rússia, a decisão de participar da operação de manutenção da paz da CSTO foi aparentemente tomada pela alta liderança sem a participação do parlamento. De acordo com a Constituição, o Conselho da Federação (câmara superior) deve dar consentimento ao pedido do presidente para usar as forças armadas fora da Rússia - por exemplo, este procedimento foi seguido em 2015 no que diz respeito à Síria e em 2014 à Ucrânia. Mas o envolvimento do Conselho da Federação nem sempre é necessário e o Presidente tem ampla autoridade para decidir sobre o uso da força por si mesmo. De acordo com a resolução de 2009 da câmara superior, o presidente pode tomar tais decisões em quatro tipos de situações, incluindo "para repelir ou prevenir um ataque armado a outro Estado, que fez um pedido relevante à Federação Russa." Esta condição aparentemente se aplica ao caso do Cazaquistão. O Ministério das Relações Exteriores divulgou uma declaração sobre a decisão da CSTO explicando que a Rússia “apoiou a adoção de medidas urgentes em meio à rápida deterioração da situação política interna e ao aumento da violência no Cazaquistão. Vemos os desenvolvimentos recentes neste país amigo como tentativas provocadas externamente de perturbar a segurança e integridade do Estado por meios violentos, incluindo grupos armados treinados e organizados.”
  • Na Bielo-Rússia, a decisão de participar na operação de manutenção da paz também não envolveu o parlamento. O Ministro da Defesa divulgou um comunicado oficial dizendo: “Decidi, e foi aprovado pelo Presidente da República da Bielo-Rússia, enviar uma companhia de manutenção da paz especializada da 103ª Brigada Aerotransportada das Forças de Operações Especiais de Vitebsk para esses fins [participar da operação da CSTO].”
  • Na Armênia, a contribuição exigiu uma decisão do governo adotada em 6 de janeiro.
  • A operação da CSTO foi mais polêmica no Quirguistão, onde alguns manifestantes em frente ao prédio do Parlamento exigiram que o país evitasse o envio de tropas ao vizinho Cazaquistão. O Governo até fez uma declaração especial explicando a necessidade de participar na operação: “O Gabinete de Ministros apela ao povo do Quirguistão e a todas as forças sociopolíticas do país para tomarem esta decisão com total compreensão e responsabilidade. Como vizinho próximo e aliado estratégico da República do Cazaquistão, a República do Quirguistão não tem o direito de rejeitar o pedido de assistência de suas autoridades legítimas e cumprirá suas obrigações na medida necessária dentro da CSTO.” Em 6 de janeiro, não havia quorum no Parlamento para considerar a questão. Mas, em última análise, em 7 de janeiro, o Parlamento deu permissão para participar da operação da CSTO, com 69 dos 120 membros votando a favor. O vice-chefe do Gabinete argumentou em sua declaração perante os parlamentares que as tropas quirguizes não iriam dispersar os comícios, mas protegeriam instalações governamentais estratégicas.
  • Também na sexta-feira, foi relatado que o Parlamento do Tadjiquistão realizou uma reunião conjunta das câmaras inferior e superior e aprovou o envio de tropas para o Cazaquistão.

Mandato

De acordo com o Secretário-Geral da CSTO, as forças de paz têm duas tarefas principais: “A primeira é a proteção das instalações estratégicas e estatais mais importantes. E a segunda tarefa é ajudar a manter a lei e a ordem, para que as pessoas se sintam seguras”.

Da mesma forma, o Ministério da Defesa russo em seus comunicados à imprensa afirma que as principais missões da Força Coletiva de Manutenção da Paz são "proteger importantes instalações estatais e militares, ajudar as forças de aplicação da lei da República do Cazaquistão a estabilizar a situação e trazê-la de volta para o campo jurídico.”

As primeiras tarefas foram enfatizadas como as principais por vários altos funcionários, ver, por exemplo, a declaração já mencionada do Vice-Chefe do Gabinete do Quirguistão. Em um relatório do Canal Um da Rússia, a proteção de instalações estratégicas é considerada a principal tarefa das forças de paz. Foi noticiado em 7 de janeiro que as tropas da CSTO assumiram o controle do aeroporto de Almaty.

É a última tarefa, a assistência na manutenção da lei e da ordem, que levanta mais questões. A possibilidade de tropas estrangeiras participarem de protestos reprimidos ou se engajarem em combates gerou controvérsias no Cazaquistão e em outros estados da CSTO. Tanto o Cazaquistão quanto outras autoridades trataram explicitamente dessas preocupações. O secretário-geral da CSTO, Stanislav Zas, disse que as tropas da CSTO não se envolverão na dispersão de comícios. Em 7 de janeiro, o Ministério da Defesa russo disse à mídia:

“Conforme acordado com o lado do Cazaquistão, os militares da Força Coletiva de Manutenção da Paz da CSTO não estão envolvidos em atividades operacionais e de combate das agências locais de aplicação da lei e unidades do exército para estabelecer a lei e a ordem no país.”

Um representante da administração Tokayev afirmou de forma semelhante:

“Os soldados da CSTO não participam de operações de combate e não se envolvem na eliminação de militantes.”

No que diz respeito à duração da operação da CSTO, aparentemente não há limite definido no momento. De acordo com Stanislav Zas, a duração do "período limitado" (por decisão do Conselho de Segurança Coletiva) "dependerá da situação que se desenvolverá no Cazaquistão e, é claro, da posição da liderança do Cazaquistão" e pode demorar alguns dias ou algumas semanas.

Contribuições de tropas


O número total da Força Coletiva de Manutenção da Paz da CSTO é de 3.600 soldados. De acordo com o Secretário-Geral da CSTO, Stanislav Zas, o desdobramento esperado seria de cerca de 2.500 soldados. A partir de 8 de janeiro, as contribuições de tropa são as seguintes:
  • De acordo com o Ministério da Defesa russo, as forças de paz russas incluem "unidades da 45ª Brigada Separada de Forças Especiais das Forças Aerotransportadas, 98ª Divisão Aerotransportada das Forças Aerotransportadas e 31ª Brigada Separada das Forças Aerotransportadas". O número exato de tropas não foi especificado até agora. O Ministério da Defesa criou o grupo de 70 aeronaves Il-76 e 5 An-124 para transportar tropas e equipamentos russos e auxiliar no transporte de outras tropas da CSTO para Almaty. O comandante das Forças Aerotransportadas, o Coronel-General Andrey Serdyukov foi nomeado chefe da operação de manutenção da paz (sua biografia oficial está disponível no site do Ministério da Defesa e seu perfil foi criado pelo Kommersant).
  • A Bielo-Rússia desdobrou uma companhia de manutenção da paz especializada da 103ª Brigada Aerotransportada das Forças de Operações Especiais de Vitebsk (100 militares com 200 na reserva), que foram transportados em 8 de janeiro por aviões russos.
  • A Armênia desdobrou mais de 100 soldados, transportados pela Rússia em 8 de janeiro.
  • O Quirguistão contribuiu com 150 soldados.
  • O Tadjiquistão enviará cerca de 200 soldados.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

APS: O Fuzil de Assalto Especial Subaquático soviético

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 24 de dezembro de 2021.

O APS (Avtomat Podvodny Spetsialnyy, Fuzil de Assalto Especial Subaquático) é uma arma subaquática projetada pela União Soviética no início dos anos 1970 e adotada em 1975; produzido pela fábrica de Tula.

Embaixo d'água, balas comuns são imprecisas e têm um alcance muito curto. O APS dispara um dardo de aço calibre 5,66mm de 120mm de comprimento, especialmente projetado para esta arma. Seu carregador comporta 26 tiros. O cano do APS não é estriado; o projétil disparado é mantido em linha por efeitos hidrodinâmicos. Por conta disso, o APS é um tanto impreciso quando disparado fora d'água. No entanto, em seu habitat sob as ondas, o APS pode disparar impressionantes 500 tiros por minuto.

Fora da água, o APS pode atirar, mas seu alcance efetivo não ultrapassa 50 metros, e a vida útil do fuzil cai para 180 tiros no ar em oposição aos 2.000 tiros debaixo d'água. Portanto, as Spetsnaz navais carregavam principalmente uma pistola SPP-1 (de quatro canos) para autodefesa debaixo d'água e um AK-74 para lutar em terra.

Mergulhador de combate disparando o fuzil APS em um campo de tiro de tiro subaquático.

Demonstração em Kaliningrado


Fuzil APS e dardo de 5,56mm.

O APS tem um alcance maior e mais poder de penetração do que arpões. Isso é útil em situações como atirar em um mergulhador adversário através de uma roupa seca reforçada, um capacete de proteção (com proteção de ar ou não), partes grossas e resistentes de conjuntos de respiração e seus arneses, e os invólucros de plástico e coberturas transparentes de alguns pequenos veículos subaquáticos.

O APS é mais poderoso do que uma pistola, mas é mais volumoso e leva mais tempo para mirar, principalmente manejando seu cano longo e carregador plano e volumoso lateralmente na água. O fuzil logo se tornou a principal arma dos homens-rãs soviéticos e dos homens-rãs da flotilha sérvia. Fabricado pela Fábrica de Armas de Tula, na Rússia, o APS é exportado pela Rosoboronexport, sendo utilizado por países amigos ou ex-integrantes do Pacto de Varsóvia como a Polônia, Vietnã e Cuba.

Desenho do APS.

Visão explodida das peças.

Após a anexação da Criméia em 2014 e a subsequente guerra por procuração na região ucraniana do Donbass, as relações entre a Rússia e o Ocidente deterioraram-se. O aumento da mobilização militar da OTAN nas fronteiras da Rússia levou a uma situação tensa na região estrategicamente vital dos países Bálticos, que abraçam o Mar Báltico. A Rússia tem duas enormes bases navais no Báltico: uma no enclave isolado de Kaliningrado e outra na região de São Petesburgo (ex-Leningrado). Um dos efeitos colaterais foi um renovado interesse pelo fuzil APS, em preparação para a defesa de sua Frota do Báltico contra quaisquer adversários possíveis.

No final da década de 1980, os soviéticos desenvolveram o fuzil anfíbio ASM-DT Morskoi Lev ("Leão do Mar"), que pode disparar munição convencional 5,45mm e dardos; tendo um desempenho comparável ao APS debaixo d'água e à carabina AKS-74U em terra firme. Esse fuzil foi adotado no ano 2000, mas por questões orçamentários ou problemas de projeto, esse fuzil foi emitido muito raramente.





Bibliografia recomendada:

Spetsnaz:
Russia's Special Forces.
Mark Galeotti e Johnny Shumate.

Leitura recomendada:

FOTO: Mergulhadores de combate gregos18 de janeiro de 2020.

domingo, 10 de outubro de 2021

FOTO: Spetsnaz com um telêmetro Intrigan

Spetsnaz com telêmetro Intrigan, outubro de 2021.

Um soldado das forças especiais (Spetsnaz) das Forças Armadas Russas com o complexo de reconhecimento "Intrigan" (Интриган). Esse telêmetro reconhece assinaturas térmicas e ilumina facilmente o alvo com um laser designador.

Bibliografia recomendada:

Spetsnaz:
Russia's Special Forces.
Mark Galeotti.

Leitura recomendada:

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

FOTO: Entre dois leões na Síria

Spetsnaz russo em um prédio público sírio.
Atrás dele os retratos do atual ditador Bashar al-Assad e seu pai, Hafez al-Assad.
Assad significa "Leão" em árabe.

A placa diz:

"O fracasso consistente em atingir objetivos ao longo da vida resulta em derrotismo, baixa auto-estima ou depressão. A Revolução Industrial e suas consequências foram um desastre para a raça humana. O sistema industrial-tecnológico pode sobreviver ou ele pode entrar em colapso." 

Leitura recomendada:

Os condutores da estratégia russa16 de julho de 2020.

General russo foi morto em ataque com IED na Síria3 de setembro de 2020.

GALERIA: Os fuzis AK-74M da Síria29 de agosto de 2020.

FOTO: Posto defensivo das Spetsnaz do GRU na Síria27 de julho de 2020.

GALERIA: Uso operacional do VSK-94 pelas Forças Armadas Árabes Sírias14 de julho de 2020.

FOTO: Forças Especiais do Exército Livre da Síria em Alepo2 de julho de 2020.

FOTO: Spetsnaz das SSO na Síria16 de maio de 2020.

Tanques russos T-14 Armata estão sendo testados na Síria20 de abril de 2020.

VÍDEO: Emboscada noturna das Spetsnaz na Síria27 de fevereiro de 2020.

GALERIA: Exercício conjunto de fuzileiros navais russos e sírios em Tartus18 de fevereiro de 2020.

GALERIA: Spetsnaz russos em Palmira, 2017,18 de fevereiro de 2020.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

FOTO: Gorka do FSB

Paramilitares da FSB usando uniforme Gorka 4 durante um exercício.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 1º de maio de 2020.

“Gorka” (Горка), significando montanha, sua designação completa é “Костюм Горный Ветрозащитный” - uniforme de montanha à prova de vento. Esse uniforme foi criado nos anos 1980, atendendo às necessidades do Afeganistão, um terreno completamente oposto àquele planejado nos estados-maiores soviéticos da época: montanhoso, com poucas estradas e terreno acidentado. O STAVKA havia moldado as forças armadas soviéticas para uma guerra mecanizada nos terrenos planos da Europa Ocidental, contando com a infra-estrutura de estradas e ferrovias, e inclusive prescrevendo doutrinariamente que terrenos elevados deviam ser ignorados e desbordados para não desacelerar o avanço mecanizado do Passo de Fulda ao Canal da Mancha.

Paramilitares do FSB em combate no Daguestão.

Em 1979, os soviéticos sequer tinham tropas de montanha, e os uniformes e equipamentos da infantaria eram quase todos voltados para unidades mecanizadas que não se distanciariam muito dos veículos; com botas longas e pesadas e fardamentos que não protegiam adequadamente do ar rarefeito das altas montanhas. O Gorka, chamado inicialmente apenas como "Uniforme Experimental" foi testado no Afeganistão com sucesso e foi usado largamente nas guerras da Chechênia. Atualmente, utilizam o Gorka, em suas várias versões, os operadores das Spetsnaz e forças paramilitares do MVD, FSB, GRU, pelos paraquedistas da VDV e pelos fuzileiros navais.

Tropas do Ministério do Interior (MVD) no Daguestão.

Leitura recomendada: