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domingo, 10 de abril de 2022

ARTE MILITAR: Tropas sul-africanas na África Ocidental Alemã

Tropas sul-africanas marchando pela Deutsch Südwestafrika durante a Primeira Guerra Mundial enquanto estavam sob fogo dos alemães, 1915.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 7 de abril de 2022.

Tropas sul-africanas marchando por dunas no Sudoeste Africano Alemão (Deutsch Südwestafrika), a atual Namíbia em 1915. A Primeira Guerra Mundial na África foi principalmente uma guerra de procuração de impérios coloniais europeus e nativos, pontilhada por algumas revoltas nativistas locais. Os alemães, um império colonial tardio, foi cercado por inimigos poderosos e suas colônias foram conquistadas e tomadas com o Tratado de Versalhes (1919).

Uma notável exceção foi a campanha de guerrilha do General Paul von Lettow-Vorbeck na África Oriental Alemã (atuais Burundi, Rwanda e Tanzania). Vorbeck servira no Sudoeste Africano Alemão, de 1904 a 1907 como capitão, e lutou na Rebelião Herero (1904-1908), participando no genocídio perpetrado pelos alemães.

Uma invasão do Sudoeste Africano Alemão pelo sul falhou na Batalha de Sandfontein em 25 de setembro de 1914, perto da fronteira com a Colônia do Cabo. Fuzileiros africanos liderados por alemães (Schutztruppe) infligiram uma séria derrota às tropas britânicas e os sobreviventes retornaram ao território britânico. Os alemães iniciaram uma invasão da África do Sul para impedir outra tentativa de invasão e a Batalha de Kakamas ocorreu em 4 de fevereiro de 1915, entre as forças sul-africanas e alemãs, uma escaramuça pelo controle de dois vaus fluviais sobre o rio Orange.

A campanha do Sudoeste Africano em 1915.

Em fevereiro de 1915, os sul-africanos estavam prontos para ocupar o território alemão. O General Louis Botha colocou o General Jan Smuts no comando das forças do sul enquanto ele comandava as forças do norte. Botha chegou a Swakopmund em 11 de fevereiro e continuou a aumentar sua força de invasão em Walfish Bay (ou Walvis Bay), um enclave sul-africano na metade do caminho ao longo da costa do Sudoeste Africano Alemão. Em março Botha começou um avanço de Swakopmund ao longo do vale de Swakop com sua linha férrea e capturou Otjimbingwe, Karibib, Friedrichsfelde, Wilhelmsthal e Okahandja e depois entrou em Windhuk em 5 de maio de 1915.

Os alemães ofereceram termos de rendição, que foram rejeitados por Botha e a guerra continuou. Em 12 de maio, Botha declarou lei marcial e dividiu suas forças em quatro contingentes, que isolaram as forças alemãs no interior das regiões costeiras de Kunene e Kaokoveld e se espalharam para o nordeste. Lukin foi ao longo da linha férrea de Swakopmund a Tsumeb. As outras duas colunas avançaram rapidamente no flanco direito, Myburgh para o entroncamento de Otavi e Manie, e Botha para Tsumeb e o terminal da ferrovia. As forças alemãs no noroeste lutaram na Batalha de Otavi em 1º de julho, mas foram derrotadas e se renderam em Khorab em 9 de julho de 1915.

No sul, Smuts desembarcou na base naval do Sudoeste Africano em Luderitzbucht, depois avançou para o interior e capturou Keetmanshoop em 20 de maio. Os sul-africanos ligaram-se a duas colunas que avançaram sobre a fronteira da África do Sul. Smuts avançou para o norte ao longo da linha férrea para Berseba e em 26 de maio, após dois dias de combates, capturou Gibeon. Os alemães no sul foram forçados a recuar para o norte em direção à força de Windhuk e Botha. Em 9 de julho, as forças alemãs no sul se renderam.

Generais Botha e Smuts em Versalhes, julho de 1919.

domingo, 13 de março de 2022

ARTE MILITAR: Sobrevoando o arrozal


Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 13 de março de 2022.

Desenho do artista Julien Lepelletier, artista 2D da Drydock Dreams Games, baseada em Marselha, e ilustrador freelancer. A ilustração da revista em quadrinhos Air America: Sur la Piste Ho Chi Minh (Air America: Sobre a Trilha Ho Chi Minh) mostra um avião americano sobrevoando uma camponesa vietnamita:

"Arte de capa, F-105 Thunderchief gritando como um pássaro louco sobre o arrozal."

Versão com os títulos.

Quadrinhos militares são muito comuns, e muito populares, na Europa. O nível artístico é elevadíssimo e os temas são bem avançados, com estórias realistas, que não fogem dos temas pesados.

"A guerra é o inferno."

Leitura recomendada:

quinta-feira, 10 de março de 2022

ARTE MILITAR: Santa Javelin-chan

Santa Javelin da Ucrânia,
por Grzegorz1996.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 10 de março de 2022.

Versão mangá da Santa Javelin, protetora da Ucrânia, pelo artista Grzegorz1996 (link para o site da Artstation). A auréola contém a inscrição Slava Ukraini (Glória à Ucrânia).

Mangá é um estilo de desenho japonês, com os olhos grandes e expressivos. Esse tipo de estilo prima pelo detalhe e boa aparência dos ambientes e personagens.

Da Wikipedia:

"Metáforas visuais são usadas ​​para simbolizar o estado emocional ou físico de um protagonista. Os personagens têm, frequentemente,olhos grandes , o que reforça a expressividade do rosto. A surpresa é muitas vezes traduzido pela queda do personagem. Os olhos grandes tem sua origem em capas de revistas shoujo de Junichi Nakahara e na influência da Walt Disney Pictures no estilo de Osamu Tezuka. No mangá, é comum o uso de numerosas linhas paralelas para representar o movimento."

A palavra "mangá" vem da palavra japonesa 漫画, (katakana: マンガ; hiragana: まんが) composto pelos dois kanji 漫 (homem) que significa "extravagante ou improvisado" e 画 (ga) que significa "imagens". O mesmo termo é a raiz da palavra coreana para quadrinhos, "manhwa", e a palavra chinesa "manhua".


Leitura recomendada:

domingo, 13 de fevereiro de 2022

ARTE MILITAR: Um Momento de Paz

Um Momento de Paz.
(Pintura de Saulo Pfeiffer)

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 13 de fevereiro de 2022.

A pintura Um Momento de Pazdo artista plástico Saulo Pfeiffer, representa soldados da Força Expedicionária Brasileira em uma igreja destruída na Itália, observando a estátua dum anjo auxiliando uma pessoa durante um momento de calmaria na guerra. Os febianos apresentam os dois modelos de insígnia divisional, com a famosa cobra fumando no soldado em evidência, e o escudo verde com a inscrição "Brasil" no soldado à direita. O soldado no centro carrega nas costas uma submetralhadora M3 Grease Gun ("Engraxadeira").

Saulo Pfeiffer é um ponta-grossense admirador da militaria (e até mesmo amigo do 13º Batalhão de Infantaria Blindado) e possui um perfil artístico no website Artstation (Link), onde suas várias obras podem ser visualizadas.

Insígnias da FEB ao redor da insígnia do 5º Exército americano.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

ARTE MILITAR: O FAL na Batalha de Long Tan no Vietnã


Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 3 de janeiro de 2022.

Cena da famosa Batalha de Long Tan em 1966, de status legendário na História Militar da Austrália, e da sua participação na Guerra do Vietnã. A ilustração de Steve Noon faz parte do livro The FAL Battle Rifle, de Bob Cashner para a série Weapon da Osprey Publishing. O capítulo foi traduzido no blog aqui.

A batalha evidenciou a confiabilidade do FAL em situações adversas, funcionando com água e lama sob pesada chuva de monção. A versão australiana do FAL, fabricada em Lithgow, seguia o padrão britânico de medidas no sistema imperial e era designado Self-Loading Rifle 1A1 - literalmente Fuzil Auto-Carregável L1A1 - com o acrônimo SLR. A versão fuzil-metralhador (FM) do L1A1, de cano pesado para tiro contínuo, foi designada L2A2 e é semelhante ao FAP, mas com um sistema de bipé dobrando como guarda-mão. O fuzil automático L1A1 foi chamado pelo relatório oficial australiano de "arma excepcional da ação".

Descrição da ilustração:

O FAL no Vietnã

Em 18 de agosto de 1966, em Long Tan, no Vietnã do Sul, elementos da Companhia D, 6º Batalhão, O Regimento Real Australiano, fizeram contato com o que viria a ser um regimento vietcongue apoiado por pelo menos um batalhão das forças do exército norte-vietnamita. Os australianos foram logo detidos aferrados ao terreno em uma plantação de borracha, assim que as chuvas de monção começaram a cair. Apesar do mar de lama e água, os fuzis de carregamento automático L1A1 dos australianos deram um desempenho extremamente confiável, o relatório oficial pós-ação chamando o SLR de "arma excepcional da ação".

O soldado mostrado aqui trocando o carregador não poderia fazê-lo tão frequentemente; a carga básica oficial na época era de um carregador de 20 tiros na arma e quatro suplementares, para um total de 100 tiros de munição. Carregadores vazios deveriam ser recarregadas de bandoleiras.

Este sistema, é claro, provou-se inadequado para o combate. Apenas um ousado lançamento de pára-quedas de reabastecimento de um helicóptero em baixa altitude impediu a Companhia D de ficar totalmente sem munição durante o combate. O comandante da companhia recomendou oito carregadores por homem após a batalha.

Embora o Exército Australiano tenha adotado a versão FM L2A2 de cano pesado do FAL e tenha começado a fazer melhorias muito promissoras na arma, a adoção da metralhadora americana M60 em 7,62 mm OTAN, vista aqui, levou ao fim do L2A2.

- Bob Cashner, The FN FAL Battle Rifle, pg. 54.

Recentemente, a batalha foi imortalizada no filme australiano Danger Close: The Battle of Long Tan (2019).

Trailer do filme Danger Close


Bibliografia recomendada:

The FN FAL Battle Rifle.
Bob Cashner.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

MODELISMO: SAS australiano no Vietnã

SAS australiano no Vietnã, 1970.
(Tony Dawe)

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 5 de janeiro de 2022.

Busto de um soldado australiano do Special Air Service Regiment (SASR), o SAS australiano, pintado pelo modelista Tony Dawe. O trooper - designação dos operadores do SAS - está usando a configuração típica das tropas no Vietnã, com uma faixa na cabeça, camuflagem facial, mosquiteiro como echarpe e o confiável fuzil FAL (chamado SLR L1A1), neste caso usando o carregador de 30 tiros.

O mosquiteiro e a bandana servem para absorver o constante suor produzido no ambiente tropical da selva. O FAL tem armação de madeira e uma banda na coronha com kit de primeiros socorros. O carregador mais longo permite o "despejo" de alto volume de fogo para suprimir o adversário e forçá-lo a abaixar a cabeça e ficar na defensiva. Dessa forma, o SAS poderia manobrar e destruir o inimigo, ou simplesmente romper contato e ir embora conforme a necessidade.

Durante seu tempo no Vietnã, o SAS australiano e neo-zelandês (NZ SAS) realizou diversas modificações no fuzil FAL, usualmente apelidando-o de "The Bitch" ("A Megera") ou "The Beast" ("A Besta"). O blog tratou desse assunto aqui.

Comando SASR com um FAL encurtado conhecido como "The Bitch".
(Kevin Lyles/ Vietnam ANZACs Elite 103 da Osprey Publishing).

SASR com fuzis FAL modificados.
(Vietnam ANZACs)

Durante o período de pouco mais de cinco anos, cerca de 580 soldados do SAS serviram no Vietnã. Eles conduziram 1175 patrulhas (não incluindo 130 do NZ SAS), a maioria sendo patrulhas de reconhecimento, emboscada de reconhecimento e emboscada. Seu serviço no Vietnã reforçou sua reputação como uma unidade de elite do Exército australiano.

O SAS australiano infligiu pesadas baixas ao vietcongue, incluindo 492 mortos, 106 possivelmente mortos, 47 feridos, 10 possivelmente feridos e 11 prisioneiros capturados. Suas próprias perdas totalizaram um morto em combate, um morreu de ferimentos, três mortos acidentalmente, um desaparecido e uma morte por doença. Vinte e oito homens ficaram feridos. Os restos mortais do último soldado australiano que desapareceu em combate em 1969, após cair na selva durante uma extração de corda suspensa, foram encontrados em agosto de 2008.

Trooper do 1º Squadrão (1SAS) com um SLR L1A1 e o carregador de 30 tiros em Bien Hoa, fevereiro de 1968.

Com base em Nui Dat, que ficou conhecida como "SAS Hill" ("Colina SAS"), o SASR foi responsável por fornecer inteligência para a 1ª Força Tarefa Australiana (1 ATF) e as forças americanas, operando em toda a província de Phuoc Tuy, bem como nas províncias de Bien Hoa, Long Khanh e Binh Tuy. A partir de 1966, os esquadrões SASR rotacionaram pelo Vietnã em desdobramentos de um ano, com cada um dos três esquadrões Sabre completando duas turnês antes que o último esquadrão fosse retirado em 1971. As missões incluíram patrulhas de reconhecimento de médio alcance, observação de movimentos de tropas inimigas e operações ofensivas de longo alcance e emboscada em território dominado pelo inimigo.

Operando em pequenos grupos de quatro a seis homens, eles se moviam mais lentamente do que a infantaria convencional pela selva ou mato e estavam fortemente armados, empregando uma alta taxa de fogo para simular uma força maior em contato e para apoiar sua retirada. O principal método de inserção foi por helicóptero, com o SASR trabalhando em estreita colaboração com o Esquadrão No. 9 RAAF, que regularmente fornecia inserção e extração rápidas e precisas de patrulhas em zonas de pouso na selva na altura do topo das árvores. Ocasionalmente, patrulhas SASR também foram inseridas por transportes blindados M-113 com um método desenvolvido para enganar os vietcongues quanto à sua inserção e localização de seu ponto de desembarque, apesar do barulho que os veículos faziam ao se moverem pela selva. Um salto operacional de paraquedas também foi realizado: O 3º Esquadrão (3 Squadron) realizou um salto operacional de paraquedas 5 quilômetros a noroeste de Xuyen Moc na noite de 15 para 16 de dezembro de 1969, com o codinome Operação Stirling.

Troopers do SASR no Vietnã.

Um quarto esquadrão foi criado em meados de 1966, mas foi posteriormente dissolvido em abril de 1967. Concluindo sua turnê final em outubro de 1971, o 2º Esquadrão foi dissolvido no retorno à Austrália, com o Esquadrão de Treinamento criado em seu lugar. O SASR operou em estreita colaboração com o SAS da Nova Zelândia, com um pelotão (troop) sendo anexado a cada esquadrão australiano a partir do final de 1968. Quando em modo tático, os dois SAS eram idênticos, com a única diferença visível sendo a boina vermelha bordô usada pelos neo-zelandeses em uniforme de passeio, seguindo o padrão da Segunda Guerra Mundial, em oposição à boina cor de areia dos australianos.

Durante seu tempo no Vietnã, o SASR provou ser muito bem-sucedido, com os militares do regimento sendo conhecidos pelos vietcongues como Ma Rung ou "fantasmas da selva" devido à sua discrição e furtividade.

Bibliografia recomendada:

On Patrol with the SAS: Sleeping with your ears open,
Gary McKay.

The FN FAL Battle Rifle.
Bob Cashner.

sábado, 1 de janeiro de 2022

ARTE DE GUERRA: IVECO CENTAURO II, OSÓRIO E CHALLENGER I SOB A PERSPECTIVA DO ARTISTA DIGITAL ALEX LEAL.

Por Alex Leal
Centauro II
 

Centauro II



Centauro II


Osório



Osório




Challenger I

Para conhecer outros trabalhos do Alex Leal em outros segmentos da arte digital, visitem o portfólio dele: alexlealdigital.artstation.com/

    


sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

ARTE MILITAR: Batismo de Fogo do Treze

"Batismo de Fogo do Treze".
Pintura sobre o 13º RI de Ponta Grossa na Revolução de 1924, óleo sobre tela de Saulo Pfeiffer.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 24 de dezembro de 2021.

O quadro imortaliza o batismo de fogo da unidade em 12 de agosto de 1924, ocorrido ás 12:15h, na ponte ferroviária sobre o Rio Pardo, na cidade de Salto Grande/SP, durante a Revolução Paulista de 1924. Essa batalha aconteceu apenas um ano após a criação do 13° Regimento de Infantaria (13º RI).

Atualmente, o antigo regimento chama-se 13º Batalhão de Infantaria Blindado (13º BIB), com o título Batalhão Tristão de Alencar Araripe, em homenagem ao oficial que foi prolífico escritor militar da Biblioteca do Exército e que comandou o regimento em 1941. Tristão de Alencar Araripe foi Presidente, por seis mandatos, do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil e atingiu o posto de marechal em 1964.

Saulo Pfeiffer (esquerda) e sua obra.

O quadro foi apresentado à unidade pelo artista plástico Saulo Pfeiffer, ponta-grossense e amigo do batalhão, no dia 12 de agosto de 2019. O talentoso artista possui um perfil no website Artstation (Link), onde suas várias obras podem ser visualizadas.

Após essa primeira batalha, o regimento jamais foi derrotado em combate, nisto gerando o lema Nunca Vencidos, que dá nome ao monumento e à medalha do batalhão. Durante a cerimônia foi colocada uma coroa de flores em frente ao monumento histórico Nunca Vencidos, em homenagem aos mortos e feridos em todas as batalhas em que a unidade participou. Também foi entregue a recém-criada Medalha Nunca Vencidos, que representa todas as batalhas em que o 13º BIB participou.

A cerimônia também foi agraciada com a presença de dois pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que lutaram na Itália durante a Segunda Guerra Mundial: os senhores Major Odorico Dias de Góes e Tenente Jair Miranda.

Veteranos da FEB com a cobra fumando no braço.

domingo, 8 de agosto de 2021

ARTE MILITAR: O sistema Vampir em ação

"O StG-44 infravermelho".
(
Ramiro Bujeiro / Osprey Publishing)

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 8 de agosto de 2021.

Ilustração de Ramiro Bujeiro para o livro German Automatic Rifles 1941-45: Gew 41, Gew 43, FG 42 and StG 44, de Chris McNab para a Osprey Publishing. A lâmina demonstra a fase final da infantaria alemã, quando o Comando alemão tenta remediar a falta de landsers (soldados de infantaria) com o aumento de poder de fogo do grupo de combate com armas automáticas.

Volksgrenadiers equipados com fuzis StG-44 lutando nas Ardenas, em Luxemburgo, dezembro de 1944.

O fuzil de assalto StG-44, o primeiro armamento de sua classe, foi o maior exemplo dessa estratégia. Entre as muitas idéias de última linha de defesa estava um dos primeiros sistemas de visão infravermelha empregado em combate: o sistema Vampir (Vampiro), primeiro empregado em fevereiro de 1945.

Segue a legenda da lâmina:

O StG-44 infravermelho

Três Panzergrenadiers alemães se engajam em combates ferozes em março de 1945, nas florestas do leste da Alemanha. Dois soldados estão armados com os StG-44. Um deles, se abrigando atrás de uma árvore, tem seu fuzil equipado com uma mira infravermelha Zielgërat 1229 'Vampir'O holofote infravermelho que forma a parte superior da mira iluminaria o campo de visão quando observado pela mira ótica abaixo. Observe as baterias volumosas que o soldado usa nas costas para alimentar o sistema de mira; tanto por razões de peso quanto por sua distribuição limitada, o Vampir dificilmente era um encaixe prático. Seu camarada mais à frente dispara seu fuzil na floresta, lançando rajadas controladas totalmente automáticas a uma cadência cíclica de 500rpm. O soldado à esquerda tem um fuzil Kar 98k, que contrasta fortemente com o poder de fogo mais moderno de seus camaradas. Ele está no processo de recarregamento e um estojo do cartucho 7,92x57mm Mauser está sendo ejetada do ferrolho aberto. O StG-44 representou um conceito tão diferente no calibre do fuzil quanto no design do fuzil.

- Chris McNab, German Automatic Rifles 1941-45, pg. 62.

Modelo de um soldado carregando o sistema Vampir.

Bibliografia recomendada:

German Automatic Rifles 1941-45:
Gew 41, Gew 43, FG 42 and StG 44.
Chris McNab.

Leitura recomendada:



Mausers FN e a luta por Israel, 23 de abril de 2020.

Os mitos do Ostfront, 2 de novembro de 2020.


domingo, 25 de julho de 2021

PINTURA: A Batalha de Aboukir

"Batalha de Aboukir, 25 de julho de 1799", de Antoine-Jean Gros em 1806.
O cavaleiro em evidência é o futuro marechal Murat.

Hoje na história militar: vitória napoleônica de Aboukir, no Egito, em 25 de julho de 1799.

Relembrada pelo canal Theatrum Belli com a legenda:

25 de julho de 1799: vitória de Aboukir (Egito). Desaix, tendo levado o Paxá Mustafá prisioneiro após um duelo de sabre durante o qual ele cortou três dedos, disse-lhe: "Se você fizer isso com meus soldados novamente, eu juro a você, por Alá, que eu o cortarei outras coisas mais importantes".
Bibliografia recomendada:

Armies of the Napoleonic Wars: An illustrated history.
Chris McNab.

Leitura recomendada: 

No bicentenário de Napoleão, relembrando suas batalhas em Israel, 21 de maio de 2021.

domingo, 18 de julho de 2021

ARTE MILITAR: Helicópteros Tigre e Gazelle em ação

Tigre da ALAT cobrindo soldados franceses no Sahel malinense.
(Julien Lepelletier)

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 18 de julho de 2021.

Artes militares de Julien Lepelletier, artista 2D e ilustrador freelancer da Drydock Dreams Games (@Drydock Dreams Games) com sede em Marselha, França.

O primeiro desenho mostra o helicóptero Tigre disparando o seu canhão frontal em apoio à infantaria francesa - seus soldados armados com o FAMAS F1 - no terreno montanhoso de "superfície lunar" do Mali. O segundo desenho mostra um Gazelle disparando um míssil em operações noturnas, esverdeado por visores noturnos. Ambos os helicópteros são de uso padrão da Aviação Leve do Exército (Aviation légère de l'armée de Terre, ALAT).

Gazelle disparando um míssil em combate noturno.
(Julien Lepelletier)

Bibliografia recomendada:

Flying Tiger:
International Relations Theory and the Politics of Advanced Weapons.
Ulrich Krotz.

Leitura recomendada:


GALERIA: Tigres na Côte d'Azur, 19 de novembro de 2020.


domingo, 2 de maio de 2021

ARTE MILITAR: Cenas da Guerra da Indochina por Filip Štorch

Arte da capa.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 1º de maio de 2021.

Exemplos de cenas da Guerra da Indochina (1946-54) desenhados pelo artista tcheco Filip Štorch. O talentoso desenhista é artista conceitual de filmes e tem uma página no site ArtStation, e no site DeviantArt como Skvor.

Essas ilustrações são parte do projeto VIETMINH, de 2018, que é um livro de arte conceitual para um futuro jogo, inspirado em Vietcongum jogo de tiro em primeira pessoa de 2003.

Lançamento de paraquedistas, cena comum na Indochina.

Cenas de patrulha

Patrulha nos arrozais.

Montanhas e espaços abertos.

Uma vila em chamas.

Fortificações

Assalto aproximado do Viet-Minh.

Pequena guarnição na imensidão do arrozal.

Tropas passando por uma torre de vigia. Visão comum no Tonquim. Elas serviam tanto para barrar guerrilheiros Viet Minh quanto pelo medo de uma intervenção convencional chinesa..

Desenho incrivelmente preciso e detalhado das torres de guarda francesas no Tonquim, especialmente no delta do Rio Vermelho. Um arco de 378km de fortificações, à prova de obuses de 155mm, foi construído em grupos de três a seis em torno do perímetro do Delta; um cinturão interno de 56km de comprimento protegia as áreas da base de Haiphong. O programa exigia cerca de 2.950 toneladas métricas de concreto sendo entregue por dia.

Mapa topográfico.

Mais cenas de patrulha

Cachoeira.

Mapa topográfico com o lançamento de pára-quedas.

Templo abandonado.

Equipe de rádio observando o re-suprimento.

Vila vietnamita.

Desenho de armazéns da vila.

Legionários em posição na cachoeira observando os Viet-Minh que abateram.

Personagens

Os personagens principais da arte conceitual pertencem a um grupo de combate (GC) da Legião Estrangeira Francesa.

Sargento François Sauveterre.

Médico Pierre Lachance.

Helmut Dietrich, veterano alemão da Frente Russa.

Sniper Andrzej Jacek, veterano polonês da África do Norte com a Legião.

Atirador do GC Nguyen Manh Thinh, supletivo e guia.

Rádio-operador Daniel Picard, holandês.

Homem-ponto Quang Ngo Vinh, supletivo e guia.

Capitão Guillaume Lavoie, responsável pelas táticas e estratégia.

A unidade é diversa de acordo com a precisão histórica. O grupo tem um alemão veterano da Wehrmacht, que lutou na Frente Russa, enquanto o polonês é veterano da África do Norte pela Legião contra o Afrikakorps. Era e ainda é comum que ex-inimigos acabassem lutando do mesmo lado na Legião. Além dos ex-combatentes alemães afluindo na Legião durante os primeiros anos da Guerra da Indochina, os ex-inimigos alemães lutaram ao lado de soviéticos e até mesmo de espanhóis republicanos que lutaram na Guerra Civil Espanhola; um padrão que continuou na Argélia. Curiosamente, o grupo não tem nenhum tcheco, com o polonês sendo o único eslavo. A arte conceitual, no entanto, lembrou-se de adicionar dois vietnamitas, lembrando que o conflito foi uma mistura de guerra ideológica, guerra colonial e guerra civil, com indígenas apoiando os franceses e lutando contra os nativos comunistas também.

Os protagonistas da Legião interagiriam com locais e com inimigos.

Civis vietnamitas.

Combatentes Viet-Minh.

Exemplos de armamentos usados pelo Viet-Minh e pelos franceses.

Búfalos d'água, onipresentes na Indochina.

Por que a Indochina?

Paraquedistas franceses e vietnamitas do 6e BPC em marcha forçada de Tu Lê ao Rio Negro, no Tonquim, em outubro de 1952. A arte conceitual apresenta bem o terreno do Tonquim.

Cena do filme "Dien Bien Phu", um dos filmes mais bem ambientados na história do cinema:


É interessante que um grupo tcheco tenha se interessado pela Indochina, um conflito que teria sido esquecido não fosse a participação da famosa Legião Estrangeira Francesa. Essa mesma Legião contava muitos tchecos e eslovacos combatendo na Indochina, então há uma lembrança no imaginário coletivo nacional sobre a guerra, e especificamente do lado francês - do lado da Legião.

Em 1958, a então Tchecoslováquia produziu o filme Cerný prapor (O Batalhão Negro, IMDb), um drama de 1:30h sobre um legionário tcheco lutando na Indochina. Ele é o jovem tcheco Václav Maly (Jaroslav Mares) que sobreviveu aos campos de concentração alemães da Segunda Guerra Mundial e agora busca por vingança. Tendo sobrevivido ao campo de concentração que viu as mortes de seu pai e irmã, o jovem procura o líder da guarda da SS, Wolf (Hannjo Hasse), que escapou dos Aliados. Ele descobre que o guarda se juntou à Legião Estrangeira Francesa e está lutando na Indochina Francesa. Assim, o jovem se junta à Legião Estrangeira e se voluntaria para a Indochina e, de alguma forma, é designado para a mesma unidade do guarda. Wolf é agora um tenente e líder de pelotão de uma unidade da Legião Estrangeira e os dois pretendem acertar suas diferenças em meio à guerra. O enredo segue uma história real semelhante que ocorreu entre um judeu-romeno e um ex-guarda de ferro (mas isso é história para outro dia!).

O legionário Václav Malý (interpretado por Jaroslav Mareš) com uma carabina americana M1A1 na selva indochinesa.

Um legionário levanta uma mulher apressadamente durante um recuo. Os legionários são representados no filme como soldados profissionais.

Outra questão interessante é o filme representar o lado francês enquanto a Tchecoslováquia era parte do bloco soviético e, portanto, aliado ao Viet-Minh. E não apenas isso, mas representa os legionários como soldados profissionais, sem inclinações ideológicas, lutando porque devem lutar - "pois é isto que soldados fazem". Trata-se de mais um caso onde a Legião Estrangeira serve como embaixador cultural da França.

Além disso, o diretor Vladimír Cech sabia bem o que são lealdades em constante mudança: nascido em 1914, no Império Austro-Húngaro, vivenciou todas as mudanças até o fim da República Socialista da Tchecoslováquia, e morreu em dezembro de 1992 nos primeiros meses da nova República Tchecoslovaca. Um mês depois da sua morte, em janeiro de 1993, ocorreu a dissolução da Tchecoslováquia, com tchecos e eslovacos criando uma nova mudança política na região.

7554: Glorious Memories Revived: dessa vez os franceses são os inimigos.

Atualmente, o único jogo ambientado na Guerra da Indochina (1946-54) é o jogo de tiro em primeira pessoa (FPS) vietnamita 7554: Glorious Memories Revived, o primeiro jogo de FPS do Vietnã. Apesar da história ser uma peça de propaganda seguindo a linha oficial do partido comunista vietnamita - ainda no poder -, as traduções ruins das legendas e das capacidades técnicas limitadas do jogo, 7554 pode ser elogiado pela apresentação correta dos uniformes e das armas da época.

O título do jogo é uma alusão à vitória Viet-Minh em Dien Bien Phu: 7554 = 7 - 5 - 1954. Desenvolvido pela Emobi Games, o jogo pode ser baixado de graça no site oficial da desenvolvedora, link.

Tela de menu mostrando os protagonistas Hoàng Đăng Bình, Nguyễn Thế Vinh, Lưu Trọng Hà e Hoàng Đăng An.

Bibliografia recomendada:

Street Without Joy:
The French Debacle in Indochina.
Bernard B. Fall.

Hell in a Very Small Place:
The Siege of Dien Bien Phu.
Bernard B. Fall.

The Last Valley:
Dien Bien Phu and the French Defeat in Vietnam.
Martin Windrow.

Manual de Estratégia Subversiva.
Vo Nguyen Giap.

Leitura recomendada: