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sexta-feira, 30 de julho de 2021

Dois mortos após o ataque a um petroleiro ao largo do Sultanato de Omã


Por Laurent Lagneau, Zone Militaire OPEX360, 30 de julho de 2021.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 30 de julho de 2021.

Em 30 de julho, o UKMTO, órgão da Marinha Real responsável pela segurança marítima, relatou um incidente envolvendo um "navio mercante" navegando a aproximadamente 152 milhas náuticas [280 km] ao largo do Sultanato de Omã. Mais tarde, o proprietário Zodiac Maritime levantou "suspeitas de pirataria" a bordo do M/T Mercer Streest, um navio-tanque japonês que opera sob a bandeira da Libéria.

O navio estava em uma rota vazia entre Dar es Salaam [Tanzânia] e Fujairah [Emirados Árabes Unidos] quando foi atacado. Na época dos fatos, ele estava localizado precisamente no nordeste da ilha de Masirah em Omã.

No momento, ainda não está claro se este petroleiro foi ou não vítima de um ato de pirataria. Em qualquer caso, em uma declaração feita posteriormente pela Zodiac Maritime, o ataque a ela resultou na morte de dois de seus tripulantes, um segurança britânico e um cidadão romeno.

Atualmente, o M/T Mercer Street está navegando sob o controle de sua tripulação para um "local de segurança" com escolta fornecida pela Marinha dos Estados Unidos.

O armador Zodiac Maritime é propriedade do empresário israelense Eyal Ofer... o que explicaria o motivo do ataque. Na verdade, desde o início deste ano, houve pelo menos quatro ataques confirmados a navios ligados a Israel na região, o primeiro tendo como alvo o MV Helios Ray, um navio operado pela Ray Shipping Ltd, uma empresa com sede em Tel Aviv, em Israel. Israel então acusou o Irã de ser o responsável.

“O incidente envolvendo o M/T Mercer Street segue-se a um ataque de 3 de julho de 2021 ao CSAV Tyndall, que teria sido alvo de forças iranianas. Este pertenceu à Zodiac Maritime antes de ser vendido recentemente", lembra a britânica Dryad Global, especialista em segurança marítima.

Enquanto isso, alega-se que pelo menos um drone foi usado para realizar o ataque na M/T Mercer Street. Isso só pode reforçar a pista iraniana... Além disso, conforme revelado pelo Wall Street Journal, Israel e o Irã estão engajados em uma "guerra naval clandestina" há alguns meses, vários navios iranianos foram atacados, incluindo navios de contêineres fazendo a conexão com a Síria, bem como navios usados ​​pela Guarda Revolucionária. Além do mais, o recente naufrágio de um navio de abastecimento da marinha iraniana levantou a questão do possível envolvimento israelense.

Recorde-se que foram lançadas duas missões navais, nomeadamente a Sentinel [sob comando americano] e Agenor, apoiadas pela França num quadro europeu, para garantir a segurança marítima nas proximidades do muito estratégico Estreito de Ormuz, não muito longe da posição onde ocorreu o ataque ao M/T Mercer Street.

Bibliografia recomendada:

O Mundo Muçulmano.
Peter Demant.

Leitura recomendada:









terça-feira, 27 de julho de 2021

FOTO: T-62 iraquiano atolado

Um T-62 iraquiano atolado num pântano durante a guerra contra o Irã, anos 1980.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 27 de julho de 2021.

A Guerra Irã-Iraque, que durou de 1980 a 1988, viu incontáveis batalhas em terreno pantanoso nas regiões de Abadan, próxima à península de al-Faw, de Bostan, nos pântanos de Hawizeh e nas ilhas Majnoon.

O T-62, já ultrapassado pelo T-72, enfrentou carros de combate ocidentais iranianos comprados na época do Xá. Em algumas ocasiões até conseguiram alguns disparos de sorte, mas ambos os lados operavam seus equipamentos com baixíssima capacidade por falta de treinamento.

Chieftain Mk3/5 iraniano nocauteado por um disparo de 115mm de um tanque T-62 iraquiano (munição 3UBM5 ou 3UBM9 APFSDS/Flecha).
Disparo de sorte, atravessou o mantelet, o ponto menos blindado possível.

Cena de combate entre iranianos e carros T-72 iraquianos


Bibliografia recomendada:

TANKS:
100 Years of Evolution.
Richard Ogorkiewicz.

Leitura recomendada:




FOTO: T-62M no Passo de Salang, 28 de janeiro de 2020.


quarta-feira, 30 de junho de 2021

FOTO: Combatente xiita iraquiano

Um combatente muçulmano xiita das Saraya al-Salam (Companhias de Paz) na linha de frente de Jurf al-Sakhr ao sul de Bagdá em 18 de agosto de 2014. (AFP)

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 30 de junho de 2021.

As Companhias de Paz (árabe: سرايا السلام, Sarāyā as-Salām), frequentemente mal traduzidas como Brigadas de Paz na mídia americana, são um grupo armado iraquiano ligado à comunidade xiita do Iraque. Eles são um renascimento de 2014 do Exército Mahdi (جيش المهدي Jaysh al-Mahdī) que foi criado pelo clérigo xiita iraquiano Muqtada al-Sadr em junho de 2003 e dissolvido em 2008. Apoiadas pelo Irã, as Companhias de Paz foram recriadas em 2014.

O Exército Mahdi alcançou proeminência internacional em 4 de abril de 2004, quando liderou o primeiro grande confronto armado da comunidade xiita contra as forças dos Estados Unidos e seus aliados no Iraque. O confronto tratou-se de um levante que se seguiu à proibição do jornal de al-Sadr e sua subsequente tentativa de prisão, que durou até uma trégua em 6 de junho. A trégua foi seguida por medidas para desmantelar o grupo e transformar o movimento de al-Sadr em um partido político para participar nas eleições de 2005; Muqtada al-Sadr ordenou que os combatentes do Exército Mahdi cessassem as hostilidades, a menos que fossem atacados primeiro. A trégua foi quebrada em agosto de 2004 após ações provocativas do Exército Mahdi, com novas hostilidades surgindo. O grupo foi dissolvido em 2008, após uma repressão das forças de segurança iraquianas.

No auge, a popularidade do Exército Mahdi era forte o suficiente para influenciar o governo local, a polícia e a cooperação com os sunitas iraquianos e seus apoiadores. O grupo era popular entre as forças policiais iraquianas; além de ser acusado de operar esquadrões da morte. Suas batalhas mais notáveis nesse período foram a Batalha de Karbala em 2007 e o Cerco de Basrah em 2008. Um dos seus membros mais célebres é Abu Azrael, "O Anjo da Morte".

Moqtada al-Sadr (centro) ao lado do clérigo Ali Khamenei e do General Qassem Soleimani, Teerã, 2019.

As Companhias de Paz estavam armadas com uma variedade de armas leves, incluindo dispositivos explosivos improvisados (improvised explosive devicesIEDs). Muitos dos IEDs usados durante os ataques às Forças de Segurança e Forças de Coalizão do Iraque usaram sensores infravermelhos como gatilhos, uma técnica amplamente usada pelo IRA na Irlanda do Norte no início a meados da década de 1990.

O grupo foi re-mobilizado em 2014 para lutar contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS) e ainda estava ativo em 2016; participando na recaptura de Jurf al-Sakhr (Operação Ashura, 24–26 de outubro de 2014) e na Segunda Batalha de Tikrit (2 de março a 17 de abril de 2015).

Bibliografia recomendada:

Estado Islâmico: Desvendando o exército do terro.
Michael Weiss e Hassan Hassan.

Leitura recomendada:


PERFIL: Abu Azrael, "O Anjo da Morte", 18 de fevereiro de 2020.



GALERIA: Os fuzis AK-74M da Síria, 29 de agosto de 2020.


sábado, 29 de maio de 2021

Na Síria, Bashar Al-Assad foi reeleito presidente com 95,1% dos votos


Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 28 de maio de 2021.

Em um país arruinado por mais de uma década de guerra, ele ganhou um quarto mandato em uma eleição antecipada. Informações do Le Monde e da AFP.

Bashar Al-Assad foi sem surpresa reeleito presidente da Síria para um quarto mandato em uma votação realizada em áreas controladas pelo governo em um país em crise econômica devastada por uma década de guerra. Uma reeleição que Moscou, aliada da Síria, descreveu na sexta-feira (28/05) como uma "vitória convincente" e "um passo importante para fortalecer a estabilidade" do país.

Em uma entrevista coletiva à noite na quinta-feira, 27 de maio, o Presidente do Parlamento, Hammoud Sabbagha, anunciou que Assad havia sido reeleito com 95,1% dos votos. Segundo Sabbagha, participaram da votação 14,2 milhões de pessoas, das 18,1 milhões teoricamente convocadas para votar, ou seja, uma taxa de participação de 76,64%.


Levado ao poder em 2000, sucedendo seu pai, Hafez, que morreu após trinta anos de governo incontestado, Assad criticou ocidentais, Washington e europeus na terça-feira por julgarem que a eleição não era livre. Em 2014, ele obteve mais de 88% dos votos, de acordo com o resultado oficial.

Em Damasco, milhares de apoiadores de Bashar Al-Assad se reuniram na Praça Umayyad, agitando bandeiras sírias e retratos do presidente, entoando slogans à sua glória e dançando.

Antes mesmo dos resultados oficiais serem anunciados, com o término da contagem dos votos, dezenas de milhares de sírios já haviam se reunido em várias cidades do país. Na cidade portuária de Tartus (oeste), em meio a bandeiras e retratos, alguns dançavam batendo em tambores, segundo imagens veiculadas pela televisão síria. Milhares de pessoas também se reuniram na cidade costeira de Latakia e na Praça Umayyad em Damasco. Em Soueida, cidade no sul do país, uma multidão também se aglomerou em frente ao prédio da governadoria, enquanto em Aleppo os homens terminaram de armar uma plataforma.


Esta é a segunda eleição presidencial desde o início de uma guerra devastadora em 2011, envolvendo uma multidão de beligerantes e potências estrangeiras. Nascido da repressão às manifestações pró-democracia da Primavera Árabe, este conflito deixou mais de 388.000 mortos. A luta agora diminuiu significativamente em intensidade.

Se, oficialmente, o país tem pouco mais de 18 milhões de eleitores, seu número é, na verdade, menor, pois a guerra dividiu o país e fez com que milhões de pessoas fugissem para o exterior.

"Suas opiniões não valem nada"


Em um país com infraestrutura em ruínas, Bashar Al-Assad se apresenta como o homem da reconstrução, depois de ter colecionado vitórias militares desde 2015 com o apoio de seus aliados Rússia e Irã, conquistando dois terços do território. As regiões autônomas curdas do nordeste ignoraram a votação. Assim como a última grande fortaleza jihadista e rebelde de Idlib (noroeste), onde vivem cerca de três milhões de pessoas.

A eleição foi realizada em meio a uma crise econômica, com depreciação cambial histórica, inflação galopante e mais de 80% da população vivendo na pobreza, segundo as Nações Unidas. A Síria, como o próprio Assad, é alvo de sanções internacionais. E as necessidades de reconstrução são enormes. Um relatório recente da ONG World Vision estima o custo econômico da guerra em mais de US$ 1,2 trilhão (pouco mais de US$ 1 trilhão).


Duas personalidades consideradas fantoches se apresentaram contra Bashar Al-Assad: o ex-ministro e parlamentar Abdallah Salloum Abdallah e um integrante da oposição tolerada pelo governo, Mahmoud Marei.

A votação excluiu de fato as figuras da oposição muito enfraquecidas no exílio, com a lei eleitoral exigindo que os candidatos tenham vivido na Síria por dez anos consecutivos. "Suas opiniões não valem nada", disse Assad esta semana, dirigindo-se aos países ocidentais, que acreditavam que a eleição "não foi livre nem justa".

Bibliografia recomendada:

Arabs at War:
Military Effectiveness, 1948-1991.

Leitura recomendada:




sexta-feira, 28 de maio de 2021

GALERIA: A Divisão Daguet no Golfo

A praça d'armas do PC da divisão Daguet em Miramar. Um merlon circunda o acampamento Miramar, na Arábia Saudita, dezembro de 1990.
(Yann Le Jamtel / ECPAD)

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 25 de maio de 2021.

A partir de 2 de agosto de 1990, a França condenou o Estado iraquiano contra sua agressão ao Kuwait e envolveu-se em um conflito que se desenrolaria no coração da Península Arábica.

A ação francesa resultou na criação da Divisão Daguet, composta por 14.500 soldados deslocados no terreno. A partir de setembro de 1990, a divisão Daguet teve que desdobrar meios técnicos colossais para garantir as posições francesas no coração do deserto saudita, nos campos de Miramar ou do Rei Khaled e, assim, preparar seus contingentes para a ofensiva direta dos meses de janeiro e Fevereiro de 1991.

Soldados do 1er REC (1er Régiment Étranger de Cavalerie / 1º Regimento Estrangeiro de Cavalaria) aguardando embarque em Toulon, no sul da França, em setembro de 1990.
(Christian Fritsch / ECPAD)

O TCD "Foudre" ("Relâmpago") no mar carregado de helicópteros Gazelle e atracado em Yanbu, na Arábia Saudita, fevereiro de 1991.
(Didier Charre / ECPAD)

Desembarque dos tanques de combate pesados ​​AMX 30 B2 do 4e Régiment de Dragons (4º Regimento de Dragões), à partir do "Saint Romain" em Yanbu, na Arábia Saudita, fevereiro de 1991.
(Didier Charre / ECPAD)

A Operação "Tempestade do Deserto", lançada em 16 de janeiro de 1991, consiste sobretudo em um ataque aéreo de 43 dias contra o exército iraquiano, seguido de uma ofensiva terrestre de 24 a 26 de fevereiro, durante a qual os soldados franceses avançam em direção à cidade de As-Salman (ou Al-Salman) a fim de assumir o controle do eixo do Texas. Objetivo alcançado em 48 horas, menos tempo que o previsto no cronograma do planejamento do estado-maior. O aeroporto de As-Salman foi tomado após um avanço rápido de 150km em apenas dois dias, perdendo apenas 2 homens mortos e 35 feridos.

As imagens produzidas pelos repórteres do ECPA (Établissement cinématographique et photographique des arméesEstabelecimento Cinematográfico e Fotográfico das Forças Armadas) tendem a mostrar a eficiência estratégica e logística do exército francês, em um terreno desértico localizado a mais de 7.000 quilômetros da França e dentro de uma coalizão internacional.

Foto aérea do campo do Rei Khaled (camp du roi Khaled, CRK) na Arábia Saudita, novembro de 1990.
(Yann Le Jamtel / ECPAD)

Os marsouins do 2e RIMa (2e Régiment d'Infanterie de Marine / 2º Regimento de Infantaria Naval) praticam a condução de prisioneiros no campo de passagem de Clémence, na Arábia Saudita, em fevereiro de 1991. Falsos prisioneiros jazem no chão sob a vigilância dos marsouins armados com fuzis FAMAS, baionetas caladas.
(Christian Fritsch / ECPAD)

Um soldado do 1er RI (1er Régiment d'Infanterie / 1º Regimento de Infantaria) descansa à sombra de seu veículo Peugeot P4 no campo de Miramar, na Arábia Saudita, em janeiro de 1991.
(Didier Charre / ECPAD)

Manutenção em Jaguars pelos mecânicos de pista de Al Ahsa, Arábia Saudita, dezembro de 1990.
(Yann Le Jamtel / ECPAD)

Em Olive, na Arábia Saudita, uma estrada cortada com Hummers e caminhões americanos e transformada em um aeroporto. Ao fundo, um avião de transporte americano Hercules C-130, fevereiro de 1991.
(Didier Charre / ECPAD)

Quatro Mirage 2000 da Força Aérea Francesa armados com mísseis Matra R 550 Magic II estão prestes a decolar na pista da base aérea de Al Ahsa, na Arábia Saudita, dezembro de 1990.
(Yann Le Jamtel / ECPAD)

Um caça a jato Mirage F1-CR da Força Aérea Francesa, armado com mísseis Matra R-550 Magic II na ponta das asas e bombas, avança pela pista da Base Aérea de Al Ahsa, Arábia Saudita, outubro de 1990.
(Christian Fritsch / ECPAD)

Na base aérea de Al Ahsa, no retorno de uma missão, são verificados os armamentos dos aparelhos da Força Aérea Francesa: canhão de 30mm em um Jaguar, outubro de 1990.
(Christian Fritsch / ECPAD)

Um avião de combate francês Jaguar da base aérea de Al Ahsa em patrulha é reabastecido em vôo por um avião de reabastecimento KC-135, outubro-dezembro de 1990.
(Yann Le Jamtel / ECPAD)

Sistema de radar de baixa altitude Aladdin (autônomo leve de desdobramento instantâneo) da Força Aérea Francesa, próximo à base aérea de Al Ahsa, Arábia Saudita, dezembro de 1990. (Yann Le Jamtel / ECPAD)

Jaguar da Força Aérea Francesa pousando na frente de um avião de transporte Hercules C-130 na pista de taxiamento da base aérea de Al Ahsa, Arábia Saudita, dezembro de 1990. (Yann Le Jamtel / ECPAD)

No centro operacional da Divisão Daguet, em Olive, na Arábia Saudita, tendas camufladas e VAB posto-de-comando (PC) cobertos por antenas. Um helicóptero Puma sobrevoa o acampamento, janeiro de 1991.
(Christian Frisch / ECPAD)

Vista aérea das posições fortificadas iraquianas e dos tanques T-55 destruídos em Rochambeau, na Arábia Saudita, fevereiro de 1991.
(Michel Riehl / ECPAD)

Pouco antes da ofensiva terrestre, um soldado do RICM (Régiment d'Infanterie de Char de Marine / Regimento de Infantaria de Blindados Navais) é iluminado em contraste ao pôr do sol, em observação em frente à sua toca de combate no Camp Olive, zona de desdobramento operacional em Rahfa, na Arábia Saudita, fevereiro de 1991.
(Michel Riehl / ECPAD)

Os AMX-10 RC do 1er REC na posição de tiro em Hafar El Batin, outubro-novembro de 1990. Um veículo blindado acaba de disparar: a partida do projétil causa um deslocamento de ar.
(Yann Le Jamtel / ECPAD)

Os marsouins do 3e RIMa (3e Régiment d'Infanterie de Marine / 3º Regimento de Infantaria Naval) investem a cidade de Al-Salman, no Iraque, fevereiro de 1991: alguns estão deitados, armados com FAMAS, outros avançam e cruzam uma cerca.
(Michel Riehl e Yann Le Jamtel / ECPAD)

Marsouins do 3e RIMa sondam setor por setor a vila de Al-Salman. Atrás deles, um retrato de Saddam Hussein está pintado na parede. Os homens vestem o traje S-3P, o ​​capacete e o colete à prova de balas. Eles se comunicam pelo rádio TRPP-13, fevereiro de 1991.
(Michel Riehl / ECPAD)

Em Rochambeau, na Arábia Saudita, uma equipe de filmagem do ECPA filma prisioneiros iraquianos rendidos, fevereiro de 1991.
(Yann le Jamtel / ECPAD)

No eixo Texas, no Iraque, um caminhão americano rebocando um obus M-198 de 155mm cruza com soldados iraquianos se rendendo, fevereiro de 1991.
(Michel Riehl / ECPAD)

Evacuação de feridos da Divisão Daguet para a metrópole em Orly, na França, fevereiro-março de 1991. Pessoal do Serviço de Saúde, incluindo um capitão-médico, cuidam dos feridos em Fort Al-Salman dentro de um Boeing C-135-FR em versão de evacuação médica. A fotografia foi tirada sob luz artificial.
(Fabienne Seynat / ECPAD)

A bandeira tricolor foi içada novamente na Embaixada da França na Cidade do Kuwait, capital do Kuwait, em 28 de fevereiro de 1991.
(Claude Savriacouty / ECPAD)

Vídeo recomendado:


Bibliografia recomendada:

BATTLEGROUND:
The Greatest Tank Duels in History.
Steven J. Zaloga.

Leitura recomendada:







terça-feira, 4 de maio de 2021

O segredo dos [in]sucessos árabes

Prisioneiros egípcios durante a Guerra dos Seis Dias, 1967.

Do site Strategy Page, 18 de maio de 2008.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 18 de maio de 2008.

Por que os árabes perdem guerras contra não-árabes com tanta freqüência? Por que existem tantas atividades terroristas nas últimas décadas perpetradas por árabes? Por que as sociedades árabes são tão corruptas, mal instruídas e carecem de progresso econômico e científico? Apenas levantar essas questões é considerado não-diplomático, provocativo, e racista e por aí vai. Mas existe algo acontecendo.


Pegue, por exemplo, um item recente rolando na web. Parece que no último novembro, sete funcionários da companhia Abu Dabhi Aircraft Technologies (ADAT) estavam inspecionando um novo Airbus 340-600. Este é um avião de 4 motores, custando US$ 240 milhões. Pense nele como um “747 leve”. Ele estava sendo inspecionado antes de ser aceito, e entrega para a Etihad Airways em Abu Dabhi. Através de uma horrenda série de erros pelas pessoas nos controles, o avião taxiou em alta velocidade e bateu em uma barreira. O avião foi perda total e quatro pessoas a bordo se feriram. Nunca houve menção oficial da nacionalidade daqueles responsáveis pela perda do avião. Muitas pessoas presumem que eram árabes, embora a maioria dos empregos técnicos no Golfo Pérsico seja de residentes não-árabes. Este ainda é o caso sessenta anos depois que o dinheiro do petróleo começou a fluir. Com certeza houve tempo suficiente para que uma geração de engenheiros, técnicos e pilotos árabes fosse treinada. Existiram alguns, mas não o suficiente. Além disso, existem sérios problemas culturais entre árabes e tecnologia. Muitos residentes estrangeiros que trabalharam no Oriente Médio foram embora, exasperados com a falta de espírito das atitudes das pessoas que eles estão treinando ou supervisionando.

O Tenente-General Mike Hindmarsh, comandante da Guarda Presidencial emirática, um general do Exército Australiano com 33 anos de serviço.

Tropas americanas no Iraque têm experiências similares quando treinam, ou apenas trabalham junto dos iraquianos. O PR oficial mostra as experiências positivas, mas são as negativas que causam todos os problemas. Se você quiser se livrar de todos os problemas de lá, você precisa entender o que está havendo ou, mais incisivo, o que não está e por que não.

Prisioneiros egípcios capturados pelos franceses no Porto Fouad, novembro de 1956.

Muito foi escrito sobre o por quê dos exércitos árabes terem de forma tão uniforme perdido guerras contra não-árabes. Essas razões também explicam por que os países árabes, e muitos outros países de Terceiro Mundo da mesma forma, também têm problemas para estabelecer governos democráticos e economias prósperas. Muito disto tem a ver com cultura, especialmente cultura influenciada pelo Islã.
Algumas das razões desses fracassos são:

- A maioria dos países árabes são uma colcha de retalhos de diferentes tribos e grupos, e líderes árabes sobrevivem jogando um grupo contra o outro. Lealdade é com um grupo, não à nação. A maioria dos países é dominada por um único grupo que geralmente é a minoria (Beduínos na Jordânia, Alawitas na Síria, Sunitas no Iraque, Nejdis na Arábia Saudita). Tudo isso significa que oficiais são comissionados, não por mérito, mas por lealdade e afiliação tribal.

Escolas islâmicas favorecem a memorização escrita, especialmente de escrituras. A maioria dos acadêmicos islâmicos são hostis à idéia de interpretar o Corão (considerado a palavra de Deus dada ao Seu profeta Maomé). Isso resultou em olhares de desprezo para tropas ocidentais que apontam algo que eles não saibam. Árabes preferem fingir, e fazer de conta de que “está tudo em suas cabeças”. Improvisação e inovação geralmente são desencorajadas. Exércitos árabes seguem o manual, exércitos ocidentais re-escrevem o manual e, portanto, vencem, como de costume.

Prisioneiros egípcios capturados pelos israelenses nas cercanias de El-Arish, no Sinai, 1967.

- Não há corpo de praças de verdade. Oficiais e militares alistados são tratados como duas castas diferentes e não há esforço de diminuir essa brecha usando praças de carreira. Pessoal alistado é tratado com rispidez. Acidentes de treinamento que terminariam com a carreira de oficiais americanos são ocorrências comuns em exércitos árabes, e ninguém liga.

Oficiais são desprezados por suas tropas, e isso não incomoda os oficiais de forma alguma. Muitos oficiais árabes simplesmente não conseguem entender como tratar as tropas decentemente fará deles melhores soldados.

- A paranóia impede o treinamento adequado. Tiranos árabes insistem que suas unidades militares tenham pouco contato entre elas, garantindo dessa forma que nenhum general torne-se poderoso o suficiente para derrubá-lo. Unidades são impedidas, propositalmente, de trabalharem juntas ou treinarem em grande escala. Generais árabes não têm um conhecimento de suas forças tão amplo quanto seus pares ocidentais. Promoções são baseadas mais em confiança política do que profissionalismo em combate. Líderes árabes preferem ser temidos a serem respeitados por seus soldados. Essa abordagem leva a tropas com pouco treinamento e moral baixo. Alguns discursos inflamados sobre “A Irmandade Muçulmana” fazem pouco para consertar o estrago.

Prisioneiros iraquianos na Arábia Saudita, fevereiro de 1991.


- Oficiais árabes com freqüência não têm confiança entre si. Enquanto um oficial de infantaria americano pode ser razoavelmente confiante que o oficial de artilharia conduzirá o seu bombardeio na hora e no alvo, oficiais de infantaria árabes duvidam seriamente que sua artilharia fará o seu trabalho na hora e no alvo. Esta é uma atitude fatal em combate.

Líderes militares árabes consideram aceitável mentir para subordinados e aliados para estender sua agenda pessoal. Isso teve conseqüências catastróficas durante todas as guerras árabe-israelenses e continua a tornar a paz difícil entre israelenses e palestinos. Quando questionados sobre esse comportamento, árabes dirão que foram “mal-compreendidos”.

Enquanto oficiais e praças americanos estão muito felizes em compartilhar seu conhecimento e habilidade com outros (ensinar é a maior expressão de prestígio), oficiais árabes tentam manter qualquer informação técnica e manuais em segredo. Para os árabes, o valor e prestígio de um indivíduo é baseado não no que ele pode ensinar, mas no que ele sabe que ninguém mais sabe.

Enquanto oficiais americanos prosperam em competições entre eles, oficiais árabes evitam isso, pois o perdedor seria humilhado. Melhor para todos é falhar junto do que permitir a competição, mesmo que isso eventualmente traga benefícios para todos.

Americanos aprendem liderança e tecnologia; oficiais árabes aprendem apenas tecnologia. Liderança recebe pouca atenção, pois se presume que os oficiais o saibam em virtude de seu status social como oficiais.

Um Tipo 69 iraquiano em chamas depois de ser destruído em combate contra a 1ª Divisão Blindada do Reino Unido, 28 de fevereiro de 1991.

- A iniciativa é considerada em traço perigoso. Então, subordinados preferem falhar a fazer uma decisão independente. Batalhas são micro-gerenciadas por generais mais graduados, que preferem sofrer derrotas a perder o controle de seus subordinados. E pior, um oficial árabe não dirá a um aliado americano por que ele não pode tomar a decisão (ou mesmo que ele não pode tomá-la), deixando o oficial americano irritado e frustrado porque os árabes não podem tomar uma decisão. Os oficiais árabes simplesmente não vão admitir que eles não tenham autoridade para fazê-lo.

A falta de iniciativa torna difícil aos exércitos árabes manter armas modernas. Armas modernas complexas necessitam de manutenção no local, e isso significa delegar autoridade, informação, e ferramentas. Exércitos árabes evitam fazer isso e preferem utilizar depósitos centrais de reparos, fáceis de controlar. Isto torna a manutenção rápida das armas difícil.

Carros de combate principais T-62 sírios destruídos e abandonados no Vale das Lágrimas, nas Colinas de Golã, outubro de 1973.

- A segurança é insana. Tudo, até mesmo informação militar vaga é taxada como secreta. Enquanto no Exército dos Estados Unidos listas de promoção são publicados rotineiramente, isso raramente acontece em exércitos árabes. Oficiais são transferidos repentinamente sem aviso para impedi-los de forjar alianças ou redes. Qualquer espírito de equipe entre oficiais é desencorajado.

Todos esses traços foram reforçados, da década de 1950 à de 1990, por conselheiros soviéticos. Para os russos, tudo relacionado às forças armadas era secreto, pessoal alistado era escória, não havia sistema funcional de praças, e todo mundo suspeitava de todo mundo. Esses não eram traços “comunistas”, mas costumes russos que existiram por séculos e foram adotados pelos comunistas para fazer sua ditadura mais segura contra rebeliões. Ditadores árabes avidamente aceitaram esse tipo de conselho, mas ainda estão preocupados com a rapidez com a qual as ditaduras comunistas desmoronaram entre 1989-91.

Multidões de prisioneiros iraquianos na Guerra do Golfo, 1991.

Tal sistema pode produzir exércitos de aparência assustadora, mas não uma força que possa sobreviver a um encontro com soldados bem liderados e treinados. As mesmas técnicas são aplicadas ao governo e na economia, produzindo tirania e atraso que horrorizam os ocidentais, e enraivecem os cidadãos destes, desafortunados, estados. Esse ódio produziu muitos esforços reformistas. Incluindo tal ultraje de horrores quanto a Al Qaeda.

Líderes árabes, especialmente no Golfo Pérsico, costumam ser bem espertos e sabem com o quê estão trabalhando. Então eles contratam vários estrangeiros para trabalhos técnicos chave. Mas você ainda tem um monte de suspeitas, paranóia, pessoas pouco instruídas e inseguras no comando. Mudar tudo isso é, compreensivelmente, difícil.

Agora você sabe.

Fuzileiros navais americanos escoltando filas de prisioneiros iraquianos, 21 de março de 2003.

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