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terça-feira, 7 de junho de 2022

FOTO: Fuzil-metralhador C2, o FAP canadense

Soldado canadense com o fuzil-metralhador C2, a versão canadense do FAP; a versão de cano pesado do FN FAL, 20 de maio de 1983.

Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 7 de junho de 2022.

O Canadá foi primeiro país a adotar o FAL, antes mesmo da própria Bélgica, em 1956. Dois anos antes, o Canadá fizera com uma encomenda de 2.000 fuzis para testes. O FAL canadense seguiu o padrão imperial ("Inch pattern") e recebeu a designação C1. Sua versão mais utilizada foi o fuzil C1A1. Como todos os fuzis FAL imperiais, o C1 era apenas semiautomático, a única exceção sendo o fuzil C1D da Marinha Real Canadense. Ele tinha a opção totalmente automática para dar mais poder de fogo às equipes de abordagem, que operavam em pequenos grupos, sem a necessidade de uma arma mais pesada. 

A versão fuzil-metralhador, designada C2, usava um sistema sem guarda-mão fixo onde o bipé de ferro incorporava o guarda-mão de madeira. Neste sistema, quando o soldado fosse mudar de lugar, ele dobraria o bipé que então se tornaria o guarda-mão. Uma ideia muito boa dentro de um laboratório, mas que não levava em consideração o estresse do soldado sob fogo durante um tiroteio, e o ato de colocar a mão no cano quente em um momento de distração causaria queimaduras graves no operador do FM. Além disso, o bipé tinha o péssimo hábito de abrir sozinho durante o transporte. Outras modificações no C2 foram o cano, as miras e o carregador de 30 tiros (que causava sobreaquecimento e engripagens). Esse novo modelo FM foi considerado inferior ao equipamento que substituiu, o fuzil-metralhador Bren. Sua segunda versão foi o C2A1.

O C2A1 canadense


O FAL canadense também foi vendido à Austrália antes que a produção local fosse assumida pela Fábrica de Armas Portáteis em Lithgow, na Nova Gales do Sul. Os australianos também produziram a versão fuzil-metralhador C2 canadense sob a designação L2A1. Esse FM foi considerado insatisfatório pelos australianos e eles iniciaram o desenvolvimento duma arma melhorada chamada X2F2A2 foi iniciada usando exemplares L2A1 existentes.

As melhorias incluíram uma nova coronha com uma alavanca de transporte para a mão que não  está atirando e uma soleira de borracha. A combinação de bipé dobrando como guarda-mão foi abandonada e substituída por um bipé ajustável; o carregador de 30 tiros, responsável pela maioria das engripagens, foi abandonado em favor do carregador de 20 tiros. O novo guarda-mão tinha estojos metálicos internos e externos perfurados para resfriamento, com a manga externa protegida por uma empunhadura de liga de borracha. Um retém do conjunto do ferrolho também foi adicionado. A arma se tornou muito precisa, até mesmo podendo ser usada na função sniper com a luneta Leitz do C1 canadense. Mais melhorias levaram à versão final X3F2A2.

O FAP australiano foi cancelado abruptamente quando a Austrália entrou na Guerra do Vietnã ao lado dos Estados Unidos e o seu exército foi totalmente suprido com metralhadoras M60 americanas, tornando desnecessária a produção indígena de uma arma nova.

Bibliografia recomendada:

The FN FAL Battle Rifle.
Bob Cashner.

Leitura recomendada:


O FAL DMR neo-zelandês28 de dezembro de 2021.

domingo, 30 de maio de 2021

Como a Rússia capturou seu primeiro MKb-42(H)


Por Andrey Ulanov, Forgotten Weapons, 30 de maio de 2021.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 30 de maio de 2021.

Quando um novo modelo de arma chega à frente de batalha, sempre existe o risco de ser capturado pelo inimigo. As forças armadas fazem de tudo para evitá-lo. Por exemplo, quando a URSS realizou testes comparativos da submetralhadora Sudaev (PPS) e uma nova versão da submetralhadora Shpagin (PPSh-2), Stalin assinou pessoalmente uma ordem ordenando que os testes fossem realizados na retaguarda com as unidades retiradas da linha de frente que tem experiência em combate. Independentemente disso, a ordem foi violada e as submetralhadoras de Sudaev foram testadas nas batalhas perto de Leningrado.

Sem dúvida, os alemães tomaram precauções semelhantes. Então, quem capturou e quando foi capturado o primeiro Maschinenkarabiner 42 alemão?

Algumas fontes russas afirmam que o primeiro MkB foi capturado em março de 1943. No entanto, esta informação ainda não foi confirmada por nenhum documento. Conduzindo minha própria pesquisa no Arquivo Central do MOD russo (conhecido como TsAMO), encontrei um relatório datado de junho de 1943 (fonte: fundo 81, arquivo de caso 87, "Correspondência sobre armas leves estrangeiras"), que nos permite restabelecer a linha do tempo de captura do primeiro Maschinenkarabiner 42. Ele é o seguinte:

“Ao Chefe do GAU KA (diretoria principal de artilharia do Exército Vermelho). Estou enviando o tenente-técnico N.N. Troitsky para entregar uma carabina automática alemã e 4 cartuchos para ela, que foram capturados no setor do 22º Exército perto da cidade de Holm em junho”.


Encontramos então o MKb42(H), número de série 1334, na documentação do campo de tiro de teste soviético, onde a carabina chegou no início de julho. Curiosamente, ele tinha apenas 3 cartuchos até então. Aparentemente, um cartucho foi imediatamente encaminhado para os especialistas em munição. Este MKb42(H) passou por pesquisas preliminares e testes em julho de 1943. Uma vez que os três cartuchos originais não eram remotamente suficientes para quaisquer fins de teste, o campo de teste foi ordenado a fabricar 500 cartuchos de munição compatível "recravando os cartuchos alemães e aparando as balas" no local.


O livro de Dieter Handrich, Sturmgewehr! From Firepower to Striking Power (Sturmgewehr! Do poder de fogo ao poder de ataque), indica que os testes militares do MKb-42(H) foram ordenados em abril de 1943. Como resultado, cerca de 2.000 unidades foram enviadas para o Heeresgruppe Nord, destinadas às seguintes divisões: 1ª, 11ª, 21ª, 93ª, 212ª divisões de infantaria e 18ª divisão Panzergrenadier. Na verdade, a lista real era um pouco diferente. Para nós, o detalhe mais interessante é que a 93ª divisão de infantaria recebeu 213 Maschinenkarabiner, dos quais 7 foram perdidos já em junho de 1943 (fonte: NARA T-315 R-1167 e T-312 R-600).

Como você provavelmente já deve ter adivinhado, a 93ª Divisão de Infantaria estava localizada na área da cidade de Holm, enfrentando o 22º Exército soviético. A linha de frente nesta área era relativamente estável, então enviar um lote de novas armas aqui para testes de combate certamente pareceu uma ótima ideia para o comando alemão. No entanto, os alemães não consideraram a alta atividade de razvedka, as unidades soviéticas de reconhecimento de campanha nesta área. Não muito diferente dos Rangers do Exército dos EUA, esses operadores altamente treinados com trajes ghillie, muitas vezes com experiência de caça na Sibéria, realizavam ataques rotineiramente atrás das linhas inimigas para explorar novas informações sobre as forças inimigas e trazer prisioneiros vivos para interrogatório. Seu objetivo secundário era impedir que seus colegas alemães fizessem o mesmo.


Em um dos relatórios do 22º Exército, descobri o seguinte episódio:

Em 22 de junho de 1943, um grupo de batedores do 820º Regimento de Infantaria liderado pelo 2º Ten Arkhipov descobriu uma emboscada armada por uma unidade de reconhecimento alemã. Apoiados por um pelotão de infantaria sob o comando do Tenente Ivushkin, os batedores soviéticos atacaram o grupo, eliminando 12 soldados alemães e capturando três (dois obergefreiters e um soldado). De acordo com o relatório de campanha soviético, o grupo pertencia ao 1º Batalhão, 272º Regimento da 93ª Divisão de Infantaria. O relatório também lista “quatro carabinas-metralhadoras” como troféus.

Durante o interrogatório subsequente, o prisioneiro Hugo Hinsche indicou que um pelotão especial de reconhecimento de batalhão foi formado no 1º batalhão do 272º regimento de granadeiros em maio de 1943. O pelotão era composto por 27 pessoas armadas com “carabinas-metralhadora do modelo de 1942”. Pode-se dizer com alto grau de certeza que foi o razvedka do 820º Regimento de Infantaria soviético que se tornaram os primeiros soldados aliados a apreenderem uma amostra desta tão procurada arma alemã. A história do 43º modelo de cartucho, fuzis de assalto Kalashnikov e tudo o mais começa com essas pessoas.

Bibliografia recomendada:

German Automatic Rifles 1941-45:
Gew 41, Gew 43, FG 42 and StG-44.
Chris McNab.

Leitura recomendada:



domingo, 9 de maio de 2021

O longo caminho para a DP-27

Lord Tachanka com a metralhadora DP-27, Rainbow Six: Siege.
(Arte de @pumpkinnine)

Por Andrey Ulanov, Forgotten Weapons, 9 de maio de 2021.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 9 de maio de 2021.

As forças armadas russas se familiarizaram com metralhadoras leves em 1904, à beira da Guerra Russo-Japonesa. Depois de testar algumas metralhadoras Madsen, o Exército decidiu fazer uma compra. No entanto, a maior parte do lote encomendado não chegou a tempo para a guerra, então, de acordo com algumas fontes, Madsens foram usadas pela primeira vez durante as rebeliões de 1905, tanto pelas tropas do governo quanto pelos rebeldes.

Daqui para frente, o exército russo concentrou seus esforços em metralhadoras pesadas devido à capacidade limitada da indústria russa de produção de armas. Na época, havia apenas uma fábrica capaz de fabricar equipamentos militares de alta tecnologia (e no início do século XX, metralhadoras eram definitivamente consideradas de alta tecnologia), localizada em Tula, a potência armamentista da Rússia desde 1595.


Como a Grande Guerra tornou a necessidade de uma metralhadora leve muito clara, o Império decidiu construir uma nova fábrica em Kovrov usando a ajuda do sindicato dinamarquês (tais como equipamentos e engenheiros). Infelizmente, a turbulência revolucionária de 1917 não permitiu que a fábrica fosse concluída quando os dinamarqueses fugiram do país, levando a maior parte do equipamento com eles, de modo que a Madsen nunca se tornou a metralhadora russa ou soviética.

O recém-formado Exército Vermelho Soviético inicialmente tentou seguir o caminho alemão criando a Maxim-Tokarev, uma versão leve da metralhadora Maxim, semelhante às metralhadoras leves alemãs da Primeira Guerra Mundial. No entanto, os primeiros lotes atraíram muitas críticas dos tropas. Apesar de alguns deles poderem ser atribuídos às dificuldades iniciais de produção, normais no desenvolvimento de uma nova arma, o Exército Vermelho considerou que a Maxim-Tokarev tinha “pouco potencial”. Era pesada (não é uma boa característica para uma metralhadora leve) e complexa. Todas as melhorias posteriores levaram à perda de semelhança com a Maxim original e, conseqüentemente, tornaram a produção ainda mais complexa. A situação exigia o desenho de uma nova metralhadora leve do zero.

Metralhadora leve Maxim-Tokarev.

Na época, os soviéticos tinham um ótimo relacionamento com a República de Weimar e consideravam as metralhadoras leves alemãs muito promissoras. Dez amostras foram adquiridas, incluindo alguns modelos montados em tanques. Embora não possamos saber exatamente, essas eram provavelmente as versões experimentais da MG-13.

No entanto, em pouco tempo o comando do Exército Vermelho tinha uma nova opção doméstica. O Degtyarev DP-27 foi projetado por Vasily Degtyarev, um discípulo do General Vladimir Fedorov do famoso fuzil “Fedorov Avtomat”. Depois de criar vários protótipos, os projetistas se estabeleceram no esquema testado e confiável de recuo livre por gás (blowback, recuo simples).

Metralhadora leve Fedorov experimental.

A escolha do sistema de alimentação não foi tão simples. O formato e o anel do cartucho padrão russo 7,62x54R o tornava inadequado para alimentação em carregador de cofre ou em cinta. Os cartuchos do fuzil .303 britânico e do velho Lebel francês 8x50R tinham o mesmo problema. Fedorov tentou convencer a liderança a adotar o cartucho japonês 6.5x50mmSR Arisaka, mas sem sucesso. No final, o Comando decidiu ficar com o bom e velho 7,62x54R. Projetar um carregador tipo cofre confiável para isso parecia quase impossível, e as cintas de munição de tecido tiveram sua própria cota de problemas no frio e na chuva da Rússia (os soviéticos não seriam capazes de produzir cintas de metal até a Segunda Guerra Mundial). Então, Degtyarev optou por um carregador de tambor, que não apenas podia alimentar cartuchos 7,62x54R de maneira confiável, mas também continha 47 cartuchos, muito mais cartuchos do que os carregadores de cofre padrão de 20 ou 30 cartuchos de metralhadoras leves concorrentes.

Por outro lado, o sistema de alimentação de tambor também apresentava muitas falhas. Os testadores do Exército observaram um “peso morto” excessivo (muito metal por cartucho). Os tambores também eram complexos e caros de fabricar. Em combate, compartilhar munição entre soldados e recarregar sob fogo também estava longe de ser simples. Mesmo antes da Segunda Guerra Mundial, o Exército Vermelho trabalhou arduamente para projetar uma alternativa confiável para a alimentação da DP-27, testando uma variedade de abordagens, desde a instalação de alimentadores de cinta modulares e carregadores tipo cofre montados por cima até a cópia de sistemas japoneses de alimentação por clipe a partir de modelos capturados durante as batalhas de Khalkhin Gol em 1939.

DP-27 experimental com carregador tipo cofre por cima.

Em algum momento, o modelo de Goryunov-Voronkov-Goryunov (sim, dois Goryunovs diferentes) foi desenvolvido. Era uma metralhadora leve alimentada por cinta e estava pronta para teste mesmo antes da guerra, mas nunca entrou em produção e seu desenho mais tarde contribuiu para o SG-43, a metralhadora pesada de maior sucesso da Rússia na Segunda Guerra Mundial.

Goryunov-Voronkov-Goryunov.

Depois de 22 de junho de 1941, um fluxo constante de reclamações de soldados sobre a DP começou na linha de frente. A maioria delas considerava as questões relacionadas ao tambor, mas algumas eram novas. Os militares reclamaram do acúmulo de carbono no sistema de gás e nas molas de recuo, que muitas vezes falhavam devido ao superaquecimento, pois eram montadas diretamente sob o cano resfriado a ar. Em 1942, a URSS realizou uma competição para uma nova metralhadora leve. A metralhadora RPS de Simonov venceu e um pequeno lote foi produzido, mas nunca entrou em produção em massa. Em 1943, a metralhadora leve de Kalashnikov foi testada no campo de tiro, mas falhou em alimentar de forma confiável o 7,62x54R de um carregador de cofre de alta capacidade montado embaixo. Definitivamente, um momento de "eu avisei" para Degtyarev.

RP-46, modernização alimentada por cinta do DP-27.

Como resultado, nenhuma nova metralhadora leve calibrada em cartucho de fuzil foi adotada. A DP foi modernizado como DPM, com uma empunhadura de pistola mais confortável, novos bipés e uma mola de recuo movida para um local mais fresco na parte de trás do cano. Ela até recebeu um mecanismo de alimentação por cinta, que poderia ser instalado em vez de um tambor padrão, e foi renomeada como metralhadora RP-46. No entanto, à medida que o país entrava na era dos cartuchos intermediários, as metralhadoras leves calibradas em cartuchos de fuzil tornaram-se uma coisa do passado e Degtyarev passou a projetar a RPD-44, uma das metralhadoras leves mais conhecidos da Rússia em todo o mundo.

Paraquedista sul-vietnamita com uma RPD-44 capturada durante uma varredura perto do antigo cemitério francês de Saigon, parte da Ofensiva de Maio (Fase II do Tet), 7 de maio de 1968.

Vídeo recomendado:


Bibliografia recomendada:

MG 34 and MG 42 Machine Guns.
Chris McNab.

Leitura recomendada:

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Resultados dos testes do MAS 62


Por Ian McCollum, Forgotten Weapons, 8 de julho de 2015.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 1º de fevereiro de 2021.

Obrigado ao leitor Thibaud, temos uma tradução de alguns dos resultados dos testes do julgamento militar francês do FN FAL e do MAS Modelo 62. Obrigado, Thibaud!

Nos anos 1950 e no início dos anos 1960, o arsenal francês MAS produziu várias dúzias de protótipos de fuzis em 7.62x51 OTAN. Este artigo descreve um dos últimos, o Type 62 (Tipo 62). Ele mostra uma notável semelhança com o FAL belga e quase foi adotado pelas forças armadas francesas até que o novo cartucho da OTAN de 5,56mm começou a se tornar popular.

Os documentos informam que o FA MAS 62 foi testado junto com o FN FAL, que foi considerado um padrão de referência. Aqui está o resultado dos testes:
  • Miras: O equipamento de mira do FAL foi preferido pelos soldados franceses durante os testes devido à sua semelhança com aquele do FSA 49-56, mais familiar aos soldados franceses.
  • Ajuste de mira: Satisfatório em ambas as armas. Algumas massas de mira do FAL não eram apertadas o suficiente para permanecer no lugar durante o tiro automático.
  • Gatilho e seletor de tiro: O gatilho foi satisfatório em ambas as armas. Todos os testadores preferiram o seletor de tiro no FAL.
  • Precisão: A precisão do FAL era superior. Dispersão vertical estranha com o 62.
  • Manuseio durante o disparo: Satisfatório com ambas as armas. O manejo do FAL foi considerado melhor. A coronha ajustável no 62 foi apreciada.
  • Manuseio durante o tiro com luneta: Satisfatório com ambas as armas. O adaptador para montar a luneta no 62, que não é necessário para montar uma luneta no FAL, foi considerado muito frágil e complexo. A possibilidade de usar miras de ferro mesmo quando a luneta foi montada no 62 foi apreciada em oposição ao FAL, o qual não pode ser disparado usando as miras de ferro quando a luneta está instalada.
  • Manuseio e transporte: ambas as armas foram consideradas leves, fáceis de manusear e nem pesadas ou incômodas. O FAL foi preferido por seu peso mais leve (cerca de 400 gramas/0,9 libras a menos).
  • Robustez e funcionamento: Satisfatório em ambas as armas.
  • Notas durante o teste: Vantagem para o FAL pela facilidade de desmontagem e limpeza. O 62 foi considerado muito complicado, com várias peças, algumas das quais eram fáceis de perder.
4 unidades (de soldados em teste) em 5 preferiram o FAL pela sua “maturidade técnica, suas soluções práticas e seus melhores resultados durante os testes de tiro”. O FA MAS 62 foi, no entanto, melhor quando disparou granadas, mesmo que sua construção mecânica seja menos robusta.

Os resultados dos testes não culminaram na adoção de nenhum dos dois fuzis, o FA MAS 62 retornou ao fabricante e o FAL também não foi adotado. Algumas unidades francesas foram supridas com o FN FAL em pequenos números, pois parece que havia um “lobby FAL” no exército francês da época. Quando o ministro da Defesa da época, Michel Debré, foi informado disso, disse com raiva que “a arma do soldado francês será uma arma francesa!” (Por que isso não me surpreende?). Os fuzis FAL do exército francês foram eliminados e nunca mais voltaram.

Bibliografia recomendada:

Fusils d'Assaut Français de 1916 à nous jours.
Jean Huon.

Leitura recomendada:



quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Uma visão soviética do desenvolvimento de armas portáteis na Guerra Fria

Por Ian McCollum, Forgotten Weapons, 29 de dezembro de 2015.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 16 de dezembro de 2020.

Já cobri vários elementos do desenvolvimento de armas portáteis durante a Guerra Fria mais do que algumas vezes - geralmente envolvendo o processo contencioso que levou à adoção do cartucho 7,62mm OTAN e os vários fuzis que não conseguiram sobreviver o corte no processo. O que eu não postei antes, no entanto, é uma olhada no estado do desenvolvimento de armas portáteis visto por trás da Cortina de Ferro.

Bem, fui apontado para uma tradução desclassificada da CIA de uma avaliação do Ministério da Defesa soviético sobre armas portáteis de 1965. Originalmente publicado na revista Voyennaya mysl' (Pensamento Militar), o artigo explora as tendências gerais e atuais (a partir de 1965) das armas portáteis usadas pelos exércitos dos Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha Ocidental e da URSS.

Pensamento Militar (URSS): Alguns pontos sobre o status e o desenvolvimento das armas leves (1965, tradução para o inglês, link)

Provavelmente não deveria ser surpreendente que os autores tenham chegado à conclusão de que as armas portáteis soviéticas eram superiores às ocidentais, mas acho que eles apresentam alguns pontos bastante convincentes e posso concordar com eles se alguém me forçar a escolher um lado. A diferença fundamental de pensamento entre os dois lados era que os soviéticos escolheram usar cartuchos separados para fuzis de infantaria (7,62x39) e metralhadoras (7,62x54R), enquanto o Ocidente escolheu usar um único cartucho para ambos (7,62x51, e 7,5x54 pelos franceses). Para o Ocidente, isso levou a uma difícil área de escolha entre o peso e a eficácia do fogo automático, conforme evidenciado pelo baixo desempenho de todos os fuzis ocidentais (M14/15, FAL, G3) no disparo automático. Os soviéticos, em comparação, tinham o RPD e o RPK, que usavam seu cartucho de fuzil de infantaria mais leve e, portanto, eram capazes de disparar com mais precisão automática sem precisar ser tão pesado a ponto de impactar a mobilidade. O M16 e o cartucho de 5,56mm são vistos no artigo como uma solução americana recém-desenvolvida para esse problema.

O artigo também compara a metralhadora PK com suas contrapartes ocidentais, a M60, AA52, MG-1 e MAG-58. Mais uma vez, ele considera a arma soviética a melhor e, mais uma vez, acho que concordaria. Em geral, os projetos soviéticos tendiam a enfatizar a limitação do peso de uma forma que não parecia ser tão importante para os militares ocidentais. A PK em particular é um excelente exemplo de funcionalidade e confiabilidade em um pacote que não é desnecessariamente pesado.

Enfim, tem muito mais nas 23 páginas do artigo traduzido (revólveres, o cartucho 5,56mm, submetralhadoras, etc), e achei tudo de leitura interessante. Por exemplo, o hábito soviético de quantificar os acertos esperados/minuto de diferentes armas, dependendo do alcance de engajamento. Não encontrei uma explicação de como esses números são derivados, mas é interessante ver...

Bibliografia recomendada:


Leitura recomendada:

Como vídeos sobre armas de fogo antigas se tornaram um canal de sucesso no YouTube10 de março de 2020.

FOTO: Soldados Soviéticos nas ruínas do Reichstag2 de dezembro de 2020.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Armas vietnamitas para a Argélia

Atores Alain Delon e Anthony Quinn armados de MAT-49 no filme Lost Command (1966), adaptação do livro Os Centuriões.

Por Ian McCollum, Forgotten Weapons, 18 de outubro de 2016.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 14 de dezembro de 2020.

Fui apontado para este trecho interessante de um documento sobre um carregamento específico de armas para os rebeldes argelinos que lutavam contra a ocupação colonial francesa na década de 1950 - proveniente do Vietnã. Não posso dizer que teria pensado nos vietnamitas tentando fornecer exportação de ajuda militar na época! As armas em questão eram submetralhadoras francesas MAT-49, o que também é um detalhe interessante - armas francesas capturadas no Vietnã enviadas para complementar o mesmo tipo de armas francesas capturadas na Argélia, enquanto as forças militares francesas com seus próprios MAT-49 eram a oposição. Faz sentido, e certamente seria conveniente.

Soldado vietnamita em serviço francês trabalhando na sua submetralhadora MAT-49. (ECPAD)

Transcrição do documento:

23 de junho de 1958

Implementando as instruções recebidas do Comitê Militar Geral do Partido[1] e do Ministério da Defesa, o Departamento de Material Bélico providenciou para que uma grande quantidade de submetralhadoras Tulle (armas capturadas por nossas forças durante a guerra de resistência contra os franceses)[2] fossem embaladas e empacotadas para que pudessem ser fornecidas ao povo argelino para ajudá-los em sua guerra de resistência contra os colonialistas franceses.

Este era um programa especial e ultrassecreto, então o Departamento de Material Bélico providenciou para que fosse executado de maneira muito cuidadosa e segura. Uma equipe técnica foi selecionada para realizar esta missão. Esta equipe era chefiada pelo camarada Nguyen Quang Thanh e incluía Phung Thanh Toan, Ha Vien, etc.

A preservação, padronização e embalagem das armas foram feitas no Armazém 560 em Bach Mai, após o qual as armas foram secretamente transportadas para um local de teste no Armazém Kha Lam em Kien An para serem mantidas lá para serem carregadas a bordo de um navio polonês que as transportaria para nossos amigos [argelinos] sob o pretexto de mercadorias comerciais.

Este plano foi executado sob a orientação e estreita supervisão do Secretariado do Partido, do Comitê Militar Geral do Partido e do Ministério da Defesa. Esta operação teve início a 23 de junho e foi concluída a 24 de julho de 1958, sendo mantida total segurança e sigilo durante a implementação do plano.

Digitalização do documento original em vietnamita.

Notas de Merle Pribbenow:

[1] O Comitê Militar Geral do Partido (Tong quan uy) era um comitê composto por um pequeno número de membros do Politburo do Partido Comunista que era responsável por supervisionar e dirigir as forças armadas vietnamitas. Este comitê foi chefiado pelo General Vo Nguyen Giap.

[2] A submetralhadora Tulle mencionada é a MAT-49, uma submetralhadora francesa de 9mm que foi usada pelo exército francês durante a guerra na Indochina. Os vietnamitas capturaram grandes quantidades dessas armas durante a guerra, especialmente na Batalha de Dien Bien Phu. O termo Tulle vem do nome do fabricante francês: Manufacture Nationale d'Armes de Tulle (MAT) [localizada na cidade de Tulle].


Vídeo recomendado:


Bibliografia recomendada:

Les pistolet-mitrailleurs Français.
Jean Huon.

Leitura recomendada:


domingo, 14 de junho de 2020

O Galil ARM


Por Seth Cane, Forgotten Weapons, 27 de fevereiro de 2014.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 14 de junho de 2020.

O fuzil Galil começou a vida no final dos anos 1960. A Guerra dos Seis Dias de 1967 tornou aparente a necessidade de um fuzil de serviço mais robusto, versátil e de baixa manutenção para as IDF, depois que as experiências com o FN FAL produzido localmente se mostraram menos do que satisfatórias. Foi solicitado um novo fuzil de serviço que pudesse sobreviver às áridas condições do deserto de Israel.

O projeto inicial do Galil foi reconhecido ao longo dos anos como sendo uma cópia direta da série de fuzis finlandeses Valmet, mas isso não é muito preciso. Os primeiros protótipos do Galil começaram como modificações simples dos AK-47 soviéticos capturados feitas por Yisrael Galili, que incluíam vários recursos posteriormente implementados no projeto final. Apelidado de Balashnikov, eles incluíam um seletor de tiro modificado para uso com o polegar ou os dedos do atirador, enquanto segurava a empunhadura; um bipé montado diretamente no bloco de gás; um guarda-mão modificado/ampliado para acomodar o fogo prolongado e o bipé quando estiver na posição dobrada, e uma coronha dobrável.


Observe o registro de segurança modificado e a empunhadura do FAL.

O modelo mostrado acima é construído sobre um AK-47 do Tipo II ou Tipo III. Uziel Gal (criador da Uzi) projetou seu próprio protótipo de substituição dos fuzis de serviço em 5,56 e 7,62 da OTAN (vista acima do Balashnikov na foto abaixo).

O Balashnikov venceu os americanos M16 e Stoner, o russo AK47 e o alemão HK33. O Balashnikov de Yisrael Galili seria eventualmente alterado ainda mais para o que se tornou o Galil. A versão inicial de produção do Galil utilizou vários recursos de projeto diretamente do Valmet finlandês, sendo os mais notáveis os conjuntos do bloco de gases e da alça de mira, com disposições para visão noturna. O receptor do Galil também foi copiado diretamente do Valmet; há boatos populares de que os primeiros fuzis Galil a deixarem a fábrica da IMI usavam receptores em branco do Valmet antes do início da produção interna, embora ainda não haja evidências para confirmar isso.

Variedades de desenvolvimento do Galil.

Os Galil ARM foram adotados pela primeira vez pelas IDF em 1972, embora poucos tenham sido distribuídos por volta do início da Guerra do Yom Kippur de 1973. O Galil ARM (e todas as outras variações) seria mais utilizado durante o conflito no Líbano de 1982, onde serviu como fuzil de serviço primário ao lado do Galil SAR. Embora tenha adotado completamente a série Galil, as IDF continuariam a suprir fuzis M16 em funções de apoio devido ao seu peso mais leve. No final dos anos 90 e início dos anos 2000, o Galil foi amplamente substituído pelos americanos M16 e Carabinas M4, embora o Galil SAR permaneça popular entre as tripulações de veículos blindados por causa do seu tamanho compacto.

Revista Soldado da Fortuna com um israelense portando um Galil ARM.

Das três variações produzidas inicialmente, o ARM (fuzil de assalto e metralhadora) é sem dúvida o mais conhecido. O ARM foi projetado para atender a todas as necessidades básicas do soldado de infantaria das IDF, capaz de disparar com precisão e também de funcionar bem em situações de combate de curta distância. Cada ARM foi equipado com um bipé dobrável e cortador de arame integrados, um conjunto de alça de transporte com abridor de garrafas integrado e um guarda-mão ampliado capaz de armazenar o bipé quando dobrado. O modelo adotado pelas IDF usava um guarda-mão de madeira de teca (em vez de polímero/plástico, que provavelmente superaqueceria e derreteria mais rapidamente) sem previsão de montar baionetas. Os soldados fornecidos com o ARM costumavam remover a alça de transporte para reduzir o peso e o ruído geral, e também ocasionalmente removiam o conjunto do bipé quando em patrulhas. Os modelos posteriores do ARM removeram completamente a alça de transporte e atualizaram o bipé para um modelo de desmontagem rápida para essa finalidade. Embora inicialmente pretendesse usar os carregadores de aço de 50 tiros para funções de supressão de combate, o ARM costumava usar os carregadores de aço de 35 tiros padrão, pois nunca foi totalmente empregado como metralhadora leve no serviço israelense.

Soldado israelense com o Galil ARM.

Embora o ARM não tenha encontrado um afeto generalizado dos israelenses, ele se tornaria popular entre países como Guatemala e Colômbia que compraram muitos deles juntamente com os modelos AR e SAR, e a África do Sul que compraria e mais tarde produziria um Galil ARM modificado chamado R4. O uso do ARM tanto como metralhadora leve (com carregadores de 50 tiros) quanto como DMR era mais comum no exterior, na América Latina e na África. A Estônia também empregaria o ARM em várias funções de infantaria ao lado do AR e SAR, enquanto Portugal compraria um pequeno número de ARM para uso com seus paraquedistas.

Soldado sul-africano com o R4.

Bibliografia recomendada:

A Guerra do Sinai.
Moshe Dayan.

Seis Dias de Guerra: Junho de 1967 e a Formação do Moderno Oriente Médio.
Michael B. Oren.

A Guerra do Yom Kippur.
General Chaim Herzog.

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terça-feira, 10 de março de 2020

Como vídeos sobre armas de fogo antigas se tornaram um canal de sucesso no YouTube

Ian McCollum, do canal Forgotten Weapons, posa com uma metralhadora francesa Hotchkiss da Primeira Guerra Mundial.

Por Peter Suciu, Forbes, 10 de março de 2020.

Tradução Filipe do A. Monteiro, 10 de março de 2020.

Com mais de um milhão e meio de assinantes, o Forgotten Weapons se tornou um dos canais mais populares relacionados a armas de fogo no YouTube, e parte do sucesso é que seu criador tem sido amplamente apolítico quando se trata de questões relacionadas a armas. Para Ian McCollum, em vez de promover uma agenda, ele é um influenciador de mídia social que tem tudo a ver com compartilhar a história das armas portáteis - um vídeo de cada vez.

McCollum não esperava que ele fizesse uma carreira produzindo vídeos históricos sobre armas de fogo, mas, como muitos outros que encontraram um nicho específico no YouTube, era uma questão de estar lá bem na hora certa.


"Honestamente, eu nunca pensei nisso", ele admitiu. "Quando comecei a postar vídeos, não era porque queria criar uma audiência. Comecei com um blog - então sou rápido em admitir que sou um homem velho na Internet que se lembra de uma época em que os blogs eram uma coisa grande para esses pequenos tópicos. Eu estava escrevendo artigos de texto e tentando explicar como as estranhas ações de armas de fogo funcionam, então achei mais fácil filmar e mostrar às pessoas".


O problema era que, mesmo na era da Web 2.0, não era fácil publicar vídeos e havia o problema da largura de banda.

"Quando você tinha que pagar pelo tráfego que chegava ao seu site, ter vídeos poderia me levar à falência, mas o YouTube parecia ser a solução", acrescentou McCollum. "Eu poderia incorporá-los em um site Wordpress e publicá-los com o que escrevi."


Com isso, em 2011, o ForgottenWeapons.com lançou um canal no YouTube e, um ano depois, a resposta foi tal que o YouTube ofereceu a McCollum a chance de participar do programa de parceria.

Depois de alguns anos, havia mais vídeos, menos postagens no blog. Foi também quando se tornou um trabalho real.

"Eu não esperava que fosse minha carreira", disse ele com sinceridade. "Eu queria que fosse um show em tempo integral, então, quando aconteceu, foi uma transição incrível e fantástica".

Lidando com um tópico polêmico

Enquanto centenas - talvez até milhares - de pessoas agora ganham a vida postando vídeos no YouTube, o tópico do Forgotten Weapons não é sem problemas. As plataformas de mídia social têm regras estritas sobre como as armas de fogo são apresentadas - as armas não podem ser comercializadas, por exemplo.


"O YouTube é bastante opaco em relação aos regulamentos e há uma enorme margem de manobra em relação às regras que eles publicam", explicou McCollum. "No entanto, quando há um problema, o YouTube não facilita falar com alguém do YouTube. Se você é desmonetizado, ele não diz o porquê".

McCollum não é o único a sugerir que plataformas como o YouTube mantêm as regras especificamente vagas - não para punir os criadores, mas principalmente como uma maneira de impedir que os criadores de conteúdo não burlem as regras. Se as regras forem mais cinzentas que o preto e branco, o YouTube poderá solucionar os problemas conforma considerar adequado em uma base caso a caso*.


Nota do Tradutor: Essa justificativa chega a ser lúdicra, dado que a página parceira, a InRangeTV publicou 10 vídeos no site Pornhub, em 2018, em protesto contra a caça às bruxas desenfreada do Youtube contra páginas táticas e de armamentos que estavam sendo desmonetizadas, bloqueadas e até mesmo tendo vídeos apagados sem qualquer justificativa.

Enquanto ele tenta não cruzar a linha, esse entusiasta de armas de fogo de longa data que também se ramificou em outros meios, incluindo livros - mais recentemente publicando Chassepot to FAMAS: French Military Rifles, 1866-2016 (Do Chassepot ao FAMAS: Fuzis Militares Franceses, 1866-2016) - não é sobre ser um evangelista da indústria de armas de fogo ou mesmo da Segunda Emenda. Em vez disso, como ele explica, trata-se de compartilhar conhecimento.


Pode ser por isso que seus vídeos atraem um público que limita o debate aos objetos que estão sendo discutidos e não à política em torno deles.

"Um grande segmento do meu público está muito feliz por eu não estar falando de política", explicou McCollum. "Como resultado, grande parte do público - com base nos comentários que li - são aqueles que não se encaixam no modelo típico de proprietários de armas".


Ele acrescentou que viu comentários em que as pessoas admitem simplesmente ficar fascinadas com a história, enquanto alguns dizem que se tornaram proprietários de armas por causa da história que ele compartilha.

É notável que apenas 45% de sua audiência esteja nos Estados Unidos, portanto, embora possa haver um debate em andamento na América sobre armas, os vídeos sobre a história das armas de fogo claramente estão transcendendo fronteiras.


Desafios técnicos abundam

Além da preocupação em ser político, qualquer pessoa que postar vídeos relacionados a armas de fogo hoje provavelmente entenderá o outro desafio significativo que advém do fato das armas serem barulhentas, enquanto a segurança é sempre uma preocupação. Como uma operação individual, McCollum superou os desafios, evitando largamente os campos de tiro lotados e indo para o deserto aberto do Arizona, onde há muitos lugares para se atirar legalmente longe das pessoas.

Aqui é onde é necessário gerenciar as expectativas do público, algo que este historiador de armas de fogo abordou desde o início.



"Eu treinei meu público para não esperar níveis de documentário", ele é rápido em notar. "Se eu disparar de verdade terei alguém me ajudando segurando uma câmera. Evitando as filmagens públicas, posso ficar longe dos sons e de outras distrações."

Ao contrário de muitos vídeos relacionados ao tiro que estão no YouTube, também é importante observar que o Forgotten Weapons não é realmente sobre atirar. Ainda é sobre a história das armas de fogo e outras armas que até mesmo muitos entusiastas e colecionadores de armas de fogo talvez não conheçam.


"Atirar é apenas uma boa maneira de apimentar os vídeos", disse McCollum. "Dito isso, uma parte substancial dos meus vídeos não envolve tiros. Eu disparo as armas para contar parte da história, e há aspectos do projeto das armas de fogo que você só pode apreciar com o disparo de uma arma. Isso tem paralelo com o automobilismo."

Nas sequências de filmagem, o Forgotten Weapons emprega uma câmera de alta velocidade que pode demonstrar coisas que os usuários podem achar surpreendentes. Isso pode incluir a maneira como muitos canos de armas oscilam - algo que você provavelmente não verá, exceto em um vídeo de alta velocidade.

"Honestamente, a barra para uma boa produção hoje é muito baixa", acrescentou McCollum. "Essa é uma das coisas que eu amo sobre o estado da Internet*. Ela se livrou do gatekeeper (guardião do portão, pessoa que decide o que é certo ou errado) para projetos como esse. Se eu quisesse fazer isso há 20 anos, seria impossível. Fazer isso envolveria encontrar uma rede e convencer um produtor que eu era a pessoa certa para fazer esse show".

*NT: Não é mencionado no texto, mas Ian também é o campeão indisputável de "memes táticos" sobre armas na internet. Com o apelido de "Gun Jesus" (Jesus das Armas), estes memes são uma visão onipresente em qualquer fórum sobre o assunto.




É claro que existem muitos vídeos relacionados a armas no YouTube que não são tão refinados e alguns que até apresentam informações ruins, para não mencionar conteúdo perturbadoramente irresponsável. Mas McCollum disse que cabe ao público determinar o que é bem-sucedido e o que não é. Para ele, as coisas boas prosperarão e as ruins serão filtradas.

Onde McCollum é o mais crítico é no manuseio do áudio - algo que ele desejaria poder fazer um serviço melhor. No entanto, ele usa uma câmera digital de sete anos com microfones sem fio, mas ele admite que o vídeo poderia ser tão facilmente gravado em um iPhone hoje.

"Não sou engenheiro de áudio e prefiro produzir mais conteúdo de boa qualidade do que tentar melhorar o áudio", sugeriu. "Simplificando, o perfeito não é necessário no YouTube."





Depois, há a questão do que faz alguém querer assistir a um vídeo de outras pessoas disparando armas. No caso das armas esquecidas, os vídeos são populares por causa da história, não porque são pessoas na linha de tiro.

"As pessoas gostam de ter experiências indiretas do que não podem fazer, e obviamente esse é um assunto fascinante", disse McCollum. "Não gosto de ativismo, e não quero converter pessoas ou de fazê-las mudar de idéia. Detesto ver a história deixada para trás. Quero apresentar isso como uma história importante".

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