M4 Sherman "Lucky Legs II" lidera o avanço da infantaria americana na mata fechada, iluminada apenas por alguns feixes de luz que conseguem passar pelas copas em Bougainville, 16 de março de 1944. (Colorização de James, u/vorst17735)
Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 13 de dezembro de 2020.
Estes homens do 129º Regimento de Infantaria do exército americano asseguram o perímetro ao amanhecer, seguindo infiltrações japonesas na noite anterior.
O Sherman era "cachorro grande" no Pacífico, sendo muito superior a todos os tanques japoneses. Produzido em massa e projetado para ser transportado pelo mar sem a necessidade de grandes guindastes de descarregamento em portos, o Sherman entrou em ação em todos os teatros de operação terrestres na guerra.
Com as pesadas perdas americanas em Tarawa, em 1943, ficou decidido que o Sherman necessitava de limitada capacidade anfíbia, de modo a entrar em ação nas primeiras levas de desembarque e garantir mobilidade tática "na linha d'água". Isso foi um choque para o Comando japonês, pois era esperado que os americanos poderiam contar apenas com os leves Stuart nos primeiros dias de invasão.
Sequência da mesma unidade durante o contra-ataque japonês ao alojamento americano em torno de Torokina, Batalha de Bougainville, 16 de março de 1944.
Soldados australianos comendo ração operativa com o seu M113 na província de Phuoc Tuy, por volta de junho de 1966 a fevereiro de 1967.
Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 13 de dezembro de 2020.
Inicialmente considerado pelo Comando americano como um país intransponível para os blindados, o Vietnã mostrou um terreno propício para o uso de veículos blindados de vários tipos, especialmente o M113. Os australianos e neo-zelandeses, por outro lado, fizeram ótimo uso de blindados durante a guerra, incluindo carros de combate Centurion (ótimos para explodir casamatas escondidas), e sempre mantiveram grupos de reserva blindada para atuarem como força de reação rápida. Uma dessas forças, composta por transportadores blindados M113, correu em socorro da infantaria australiana na Batalha de Long Tang (18 de agosto de 1966).
Os sul-vietnamitas, vindos da experiência francesa com os vários Groupes Mobiles (Grupos Móveis) e unidades blindadas anfíbias, mostraram aos aliados americanos como utilizar a mobilidade, proteção e poder de fogo no terreno fechado do país. Uma das criações dos sul-vietnamitas foi a adoção de uma cúpula de proteção na metralhadora, além da inclusão de mais metralhadoras, morteiros e até mesmo canhões, transformando o M113 em verdadeiros tanques ou até mesmo artilharia auto-propulsada.
"A doutrina para o emprego de forças blindadas também sofreu mudanças significativas durante o curso da Guerra do Vietnã. No início, o General Westmoreland havia resistido o desdobramento de unidades blindadas. Em julho de 1965, uma época em que o aumento em grande escala das forças terrestres dos EUA no Vietnã estava apenas começando, ele telegrafou ao Chefe do Estado-Maior do Exército que 'exceto por algumas áreas costeiras, principalmente na área do I Corps, o Vietnã não é lugar para unidades de tanques ou de infantaria mecanizada'.
O emprego generalizado e eficaz de veículos blindados pelos sul-vietnamitas demonstrou, entretanto, que havia muito mais terreno trafegável para veículos blindados do que os americanos pensavam e, subsequentemente, até Westmoreland buscou mais unidades desse tipo. Quando Abrams, o mais famoso comandante de tanques americano de nível de batalhão da Segunda Guerra Mundial, ascendeu ao comando no Vietnã, as forças blindadas gozaram de alta prioridade e eram amplamente empregadas com bons resultados. Durante a retirada, de fato, Abrams protegeu suas unidades blindadas o máximo possível porque as considerou tão versáteis e úteis.
Embora as forças sul-vietnamitas e norte-americanas incluíssem unidades de tanques, o veículo blindado de transporte de pessoal tornou-se, de muitas maneiras, a estrela do show blindado. Isso se deveu, em grande medida, à evolução do seu papel, com a doutrina vigente sendo desenvolvida no campo de batalha e só mais tarde incorporada aos manuais de campanha. Elevação da blindagem (imitando modificações originalmente concebidas pelos vietnamitas), os transportadores montaram mais armas e assumiram mais papéis, mesmo alguns essencialmente parecidos àqueles dos tanques. As muitas versões do transportador de pessoal blindado (como transportador de tropas, 'tanque' leve, ambulância blindada, veículo de abastecimento, posto de comando, transportador de morteiros, caminhão de carga pesada, lançador-de-pontes, lança-chamas, plataforma de mísseis TOW e assim por diante) tornaram-no presença onipresente nos campos de batalha do Vietnã. Exceto pelo helicóptero, que obviamente se destacou durante a Guerra do Vietnã, nenhum veículo sofreu mais metamorfose de combate do que o humilde transportador blindado."
- Lewis Sorley, The Conduct of the War: Strategy, Doctrine, Tactics, and Policy, Capítulo 9 do livro Rolling Thunder in a Gentle Land: The Vietnam War Revisited, pg. 188-189.
Mesmo hoje o M113 continua sendo usado em combates ao redor do mundo e sofrendo alterações de campanha conforme a necessidade dos combatentes.
M113 líbio com um canhão de 122mm russo. O M113 continua combatendo de forma dinâmica no século XXI.
Bibliografia recomendada:
M113 APC 1960-75. US, ARVN, and Australian variants in Vietnam.
Um T-34 usado pelos alemães (ele tem uma Balkenkreuz na torre) sendo inspecionado pelos soviéticos. No lugar do canhão, ele tem um par de holofotes na torre.
Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 12 de dezembro de 2020.
Em serviço alemão, o T-34 era designado Panzerkampfwagen 747(r). Muitos desses Beutepanzer foram modificados para diversas funções, incluindo um blindado de manutenção sem torre (Bergepanzer) que depois foi capturado na Normandia pelos poloneses e preservado no Museu de Blindados de Saumur.
No final de 1941, os T-34 capturados foram transportados para oficinas alemãs para reparos e modificação dos requisitos alemães. Em 1943, uma fábrica de tanques local em Kharkov foi usada para esse propósito. Às vezes, e assim como outros Beutepanzer, esses T-34 capturados eram modificados para os padrões alemães pela instalação de uma cúpula do comandante e equipamento de rádio.
Carros T-34, modelos de 1943, em serviço alemão em janeiro de 1944.
Os primeiros T-34 capturados entraram em serviço alemão durante o verão de 1941. Para evitar erros de reconhecimento, cruzes de grande dimensão ou mesmo suásticas foram pintadas nos tanques, inclusive no topo da torre, para evitar ataques de aeronaves do Eixo . Tanques gravemente danificados eram cavados como casamatas ou usados para fins de teste e treinamento.
Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 12 de dezembro de 2020.
A página Old Sarge's Armory postou, no dia 9 de dezembro, uma pequena vinheta sobre munição e a densidade seccional - a profundidade de penetração da bala. A vinheta demonstra conceituações básicas de balística.
Densidade Seccional
A relação entre o peso de uma bala e seu diâmetro. Para uma determinada quantidade de energia, um projétil longo, tal como o carregamento original do Mannlicher Schoenauer Modelo 1903, o 6,5x54mm (exemplo superior na foto) terá uma alta densidade seccional e, conseqüentemente, maior penetração do que um projétil mais curto de construção semelhante. O projétil mais curto com menos densidade seccional, como aquele no .45ACP (exemplo inferior na foto) terá relativamente menos penetração, mas maior poder de derrubada.
A densidade seccional de um projétil pode ser empregada em duas áreas da balística:
Na balística externa, quando a densidade seccional de um projétil é dividida por seu coeficiente de forma (fator de forma no jargão comercial de armas portáteis); ele produz o coeficiente balístico do projétil. A densidade seccional tem as mesmas unidades (implícitas) que o coeficiente balístico.
Dentro da balística terminal, a densidade seccional de um projétil é um dos fatores determinantes para a penetração do projétil. A interação entre projéteis (fragmentos) e mídia alvo é, no entanto, um assunto complexo. Um estudo sobre projéteis de caça mostra que, além da densidade seccional, vários outros parâmetros determinam a penetração do projétil.
Se todos os outros fatores forem iguais, o projétil com a maior quantidade de densidade seccional penetrará mais fundo.
Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 12 de dezembro de 2020.
O canal de análises militares Binkov's Battlegrounds, apresentado pela marionete Camarada Binkov, publicou ontem (11/12/2020) um vídeo de análise sobre uma hipotética invasão brasileira à Guiana Francesa, com a reação da França e com o possível desenrolar da guerra com os meios militares de cada um.
A análise segue o procedimento de jogos de guerra, com a distinção dos "players" (jogadores, os combatentes), os objetivos e os meios; estes são o número de tropas no local, número disponível de tropas a serem movidas para o teatro, meios de transporte e equipamentos. Os equipamentos variam em qualidade mas são adotados como em condições de operação. Armas nucleares francesas e aliados para ambos foram excluídos.
Resumidamente, ambos os lados teriam dificuldades em mover tropas para o teatro de operações (TO) e os combates seriam de pequenas unidades na selva, com intervenções de artilharia e aviação. O Brasil iniciou a invasão com um assalto paraquedista de forças especiais e paraquedistas tomando o aeroporto de Caiena, se beneficiando de superioridade local. Essa força inicial seria reforçada por fuzileiros navais e tropas do exército aerotransportadas para a região. A marinha francesa moveria uma força-tarefa anfíbia para o Caribe, onde possui ilhas, e tomaria as águas ao redor, sendo incomodada por sortidas de submarinos brasileiros.
Legionários da 2ª companhia do 3e REI com o míssil AAe Mistral durante o lançamento do foguete Ariane 5 em Kourou, na Guiana Francesa, em 17 de novembro de 2016.
Os franceses lançariam paraquedistas na Guiana e estes seriam reforçados por desembarques anfíbios de fuzileiros apenas marginalmente mais equipados que os paraquedistas. Uma discussão interessante foi o uso de carros de combate na selva pelos dois lados, assim como artilharia auto-propulsada (o que Binkov nota, o Brasil estaria em vantagem). Uma coisa que Binkov não notou foi o uso de carros de combate sobre rodas, o que é comum nos dois exércitos.
A aviação francesa teria superioridade aérea no mar e sobre o TO, mas não conseguiriam manter um guarda-chuva anti-aéreo o tempo todo e as forças francesas seriam incomodadas por bombardeiros à hélice fazendo sortidas ocasionais. A marinha brasileira seria obliterada e a sua força aérea reduzida à metade, mas o território permaneceria nas mãos brasileiras.
O veredicto foi a França tomando todas as ilhas brasileiras no saliente nordestino mas perdendo a Guiana para o Brasil. Esse resultado é muito otimista e assume que os brasileiros não teriam problemas de suprimentos, mas é provável que os militares brasileiros teriam dificuldade em negociar suas próprias linhas internas, demorando para trazer reforços e suprimentos (comida, munição, peças de reposição, etc) para o campo de batalha. Já a França, trazendo material pelo mar com depósitos posicionados na Martinica teria um acesso mais fácil. Seria interessante que o Camarada Binkov fizesse um segundo vídeo tratando das considerações logísticas de ambos os combatentes.
Vídeo:
A França como adversária do Brasil
Essa idéia veio com a publicação do Livro Branco da Defesa de 2020 que apontou a França como a principal ameaça ao Brasil na região. Essa decisão ecoou no mundo todo, trazendo surpresa à França, que sempre viu o Brasil como aliado. O anúncio não foi tomado como uma agressão vinda do Brasil e não teve maiores repercussões exceto uma "guerra de memes" na internet.
A última vez que o Brasil teve problemas diplomáticos reais com a França foi na "Guerra da Lagosta", uma ocasião onde as duas marinhas se encararam e uma marinha brasileira quase incapaz de fazer a navegação de cabotagem do Rio de Janeiro para o nordeste conseguiu defender os interesses nacionais pelo blefe. A última vez onde forças brasileiras de fato chegaram "às vias de fato" com os franceses foi na intrusão francesa no Amapá, em 1895. Tropas francesas comandadas pelo Capitão Lunier invadiram território brasileiro, sendo repelidos pelo general honorário do exército brasileiro Francisco Xavier da Veiga Cabral. Após a defesa do Amapá, Veiga Cabral se tornou um dos maiores heróis da história do estado. Na época, uma frase foi dita que acabou marcando o sentimento do povo do Amapá em relação a Veiga Cabral:
“Se é grande o Cabral que nos descobriu, maior é o Cabral que nos defendeu!”
Um enfrentamento de maior relevância ocorreu na invasão da Guiana Francesa em 1809, no âmbito das Guerras Napoleônicas. Nessa ocasião, a Brigada Real da Marinha desembarcou nas praias da Caiena, capital da então colônia francesa, sendo seguida por regulares da colônia brasileira e tropas portuguesas e britânicas, ocupando a Guiana Francesa até 1817.
Desembarque em Caiena, 1809. Óleo sobre tela de Álvaro Martins. Essa operação é considerada o batismo de fogo dos Fuzileiros Navais do Brasil.
As forças luso-brasileiras na operação contaram 550 fuzileiros navais (fuzileiros-marinheiros da Brigada Real da Marinha) e 2.700 regulares do exército colonial, e parte da guarnição de marinheiros e fuzileiros navais britânicos do HMS Confiance, enfrentando a pequena guarnição francesa de 450 regulares e 800 milicianos.
Depois das Guerras Napoleônicas, o Brasil e a França têm uma história de estreita amizade, desde o reconhecimento do Brasil por Paris logo cedo até três missões militares de instrução francesas no Brasil (duas na Força Pública de São Paulo e uma no Exército Brasileiro). Aliados nas duas guerras mundiais, a França novamente mandou equipes de instrução durante o regime militar, até mesmo o Brasil recebendo o General de Gaulle durante o governo Castello Branco.
Os dois países também vêm de uma longa história de compras militares e exercícios conjuntos (especialmente entre as duas marinhas). Culturalmente, a França vê o Brasil como o país sul-americano mais interessante e trata com surpresa os turistas brasileiros na França. O Brasil, sempre muito ligado à cultura francesa, vê a França como um país de sofisticação e progresso.
Uma fonte de estudo interessante é o livro do General Aurélio de Lyra Tavares sobre as relações dos dois países até a década de 1970.
Bibliografia recomendada:
Brasil França: Ao longo de 5 séculos. General A. de Lyra Tavares.
Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 12 de dezembro de 2020.
A exibição no subúrbio de Teerã ocorreu em 8 de dezembro, 10 dias após o assassinato de Mohsen Fakhrizadeh, supostamente pela inteligência israelense.
Uma bandeira israelense e um cartaz em inglês com os dizeres “Obrigado, Mossad” foram colocados sobre um outdoor no Irã na segunda-feira 8 de dezembro de 2020, após o assassinato de um importante cientista nuclear iraniano no mês passado, supostamente por Israel.
Fotos da bandeira e placa em um subúrbio de Teerã - coladas sobre um anúncio de refrigerante em uma ponte - foram amplamente compartilhadas nas redes sociais.
Someone in Iran is apparently trying to take advantage of the #Fakhrizadeh assassination-according to "Vahid" Telegram channel (probably opposition), this was taken tonight, in Tehran-the Israeli flag and "Thank you Mossad" hanging on a bridge (over an ad for a low-calorie drink) pic.twitter.com/IS6vjL3Q8R
Não ficou claro quem estava por trás da mensagem de elogio à agência de inteligência de Israel, mas as autoridades iranianas culparam Israel e o grupo de oposição exilado Mujahedeen do Povo do Irã (MEK) pelo assassinato de Mohsen Fakhrizadeh. O cientista iraniano é há muito considerado por Israel e pelos EUA como o chefe do programa de armas nucleares do Irã, considerado "rogue" (rebelde). O governo iraniano jurou vingança; Israel não comentou publicamente as acusações.
Fakhrizadeh, morto em 27 de novembro, foi nomeado pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu em 2018 como diretor do projeto de armas nucleares do Irã. Quando Netanyahu revelou então que Israel havia removido de um depósito em Teerã um vasto arquivo iraniano detalhando seu programa de armas nucleares, ele disse: "Lembre-se desse nome, Fakhrizadeh".
Fakhrizadeh também foi oficial do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, designado pelos EUA como organização terrorista. Há muito tempo Israel é suspeito de ter cometido uma série de assassinatos seletivos de cientistas nucleares iranianos há quase uma década, em uma tentativa de restringir o programa de armas nucleares do Irã.
Autoridades israelenses alertaram os cidadãos israelenses que viajam para o exterior que eles podem ser alvos de ataques terroristas iranianos após o assassinato, e alertaram em especial ex-cientistas nucleares israelenses que eles podem estar na mira dos iranianos.
Por Filipe do A. Monteiro, Warfare Blog, 11 de dezembro de 2020.
Em parecer divulgado no dia 4 de dezembro, o comitê de ética do Ministério da Defesa pediu que fossem iniciados os trabalhos sobre métodos “invasivos” para melhorar o desempenho físico dos militares.
O comitê de ética, composto por dezoito membros civis e militares, deu às forças armadas do país luz verde para começar a pesquisa sobre o desenvolvimento de "soldados aprimorados" para melhorar o desempenho no campo de batalha. Um relatório divulgado no início desta semana citou pesquisas sobre implantes que poderiam "melhorar a capacidade do cérebro", ajudando os soldados a distinguirem inimigos de aliados, de acordo com as informações da mídia francesa. Melhorias adicionais podem incluir tratamentos médicos para melhorar as capacidades físicas dos soldados e sua resistência ao estresse.
Os únicos métodos "invasivos" usados hoje nos exércitos franceses são o uso de uma série de produtos que facilitem a recuperação após o exercício, reduzindo o estresse, ou medicamentos como os anti-maláricos, além da vacinação, conforme enfatizou o escritório do Ministério da Defesa. Mas, em 2030, de acordo com o comitê de ética, o "campo de possibilidades" pode se abrir amplamente.
Imagem fornecida pelo Ministério das Forças Armadas com a visão de como será o combatente do futuro em 2040/2050, com roupas conectadas, mais proteções e uma interface homem-máquina para auxiliar o combatente. A imagem foi criada por alunos da École de Design Strate pour l’Armée de Terre.
"Sim para a armadura do Homem de Ferro e não para o aprimoramento genético e mutação do Homem-Aranha." Eis o que acaba de anunciar a Ministra das Forças Armadas, Florence Parly, sobre o desenvolvimento dos chamados soldados "aprimorados" no seio do exército francês. A ministra emitiu o seu parecer na sequência de parecer, emitido a título consultivo, por uma comissão de ética da defesa. Este comitê é responsável por lançar luz sobre as questões éticas levantadas pelas inovações científicas e técnicas e suas possíveis aplicações militares. Fundado no final de 2019, este comitê de ética se reuniu pela primeira vez em 10 de janeiro de 2020. Foi para se manifestar sobre dois temas: o “soldado aprimorados” e “autonomia em sistemas de armas letais”, em outras palavras, os chamados "robôs matadores" (robots tueurs).
Sobre esta primeira questão, os membros do comitê exploraram o tema do uso de técnicas invasivas para melhorar o desempenho físico ou cognitivo do corpo humano pela absorção de moléculas, ou pela introdução de implantes subcutâneos ou no cérebro, como a DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency/ Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa) experimentou em 2016. Com sua tecnologia, o implante permitiu que o cérebro se comunicasse diretamente com computadores. Na época, a ideia não era tanto "aprimorar" as capacidades dos soldados, mas permitir que os feridos em combate recuperassem as sensações auditivas ou visuais. Como outras técnicas invasivas e definitivas, há, por exemplo, o aumento da acuidade visual de forma cirúrgica para poder prescindir de visão de longa distância.
Esquemática do "Combatente 2020", já testada na Operação Barkhane, no Mali.
No seu discurso sobre este relatório, a ministra Parly, no entanto, qualificou o alcance destas técnicas invasivas para o soldado aprimorado, sublinhando que era necessário por enquanto "pôr fim a todas as fantasias" e especificando que "estas evoluções ditas 'invasivas' não estão na agenda dos exércitos franceses". Por outro lado, a ministro sublinhou que “nem todos têm os nossos escrúpulos e é um futuro para o qual devemos nos preparar”. A França, portanto, não diz não ao soldado aprimorado, mas escolhe suas modalidades. O princípio será sempre buscar alternativas para transformações invasivas. Assim, “em vez de implantar um chip sob a pele, buscaremos integrá-lo a um uniforme”, disse a ministra Parly. Os “aprimoramentos” mais invasivos terão necessariamente o consentimento dos militares. Claramente, a injeção ou absorção de substâncias, operações cirúrgicas ou a integração de chips sob a pele que podem enviar ou receber informações remotamente em um teatro de guerra. E, em todos os casos, esses aprimoramentos devem ser reversíveis e não colocarem em risco a saúde ou a segurança destes mesmos militares.
Se o exército mandatou esse comitê, é porque a França - assim como os americanos - está preocupada com os experimentos feitos por outros países em humanos. Este seria particularmente o caso da China, onde testes teriam sido realizados em soldados chineses para melhorar biologicamente suas capacidades; uma afirmação que a diplomacia chinesa chamou de "mentiras".
Mas, além do lado invasivo exercido sobre o soldado aprimorado, o exército francês e os industriais do setor estão desenvolvendo inúmeras tecnologias, como cintos equipados com vibradores para permitirem que um ou dois soldados e seus cães se comuniquem à distância, ou radares para detectar uma presença através de uma parede. No final das contas, o soldado aprimorado estará longe de ser um verdadeiro ciborgue.
O relatório afirmava ainda que, sem permitir a pesquisa dessas tecnologias, as forças armadas francesas estariam em desvantagem em relação aos exércitos de outros países. O comitê declarou que a França deve manter "a superioridade operacional de suas forças armadas em um contexto estratégico difícil", respeitando as regras que regem o direito militar e humanitário e os "valores fundamentais da nossa sociedade".
A declaração incluiu "linhas vermelhas" éticas a não serem cruzadas, incluindo eugenia ou alteração genética, e qualquer coisa que "pudesse comprometer a integração do soldado na sociedade ou o retorno à vida civil". A ministra Florence Parly, forneceu informações sobre as questões em torno dos lastros durante uma mesa redonda antes da divulgação do relatório.
Parly disse que as Forças Armadas francesas não permitiriam técnicas de transformação invasivas que cruzassem "barreiras corporais", tais como implantes de chips. No entanto, ela acrescentou, os chips podem ser instalados nos uniformes.
Explicando seu ponto com mais detalhes, Parly disse que as forças armadas francesas diriam sim ao Homem de Ferro, mas não ao Homem-Aranha, referindo-se à mutação genética deste último super-herói dos quadrinhos. Ela descreveu as condições sob as quais um soldado seria "aprimorado", o que inclui o consentimento prévio da pessoa submetida a tal aprimoramento. No entanto, ela acrescentou que pode haver falta de consentimento em circunstâncias "excepcionais", mas as circunstâncias têm de ser "justificadas".
A outra condição para permitir um aprimoramento no corpo de um soldado é que seja "reversível", disse Parley, para que o soldado possa voltar à sua condição corporal original assim que deixar as forças armadas.
Por James Burton, Wavellroom, 9 de dezembro de 2020.
Tradução Filipe do A. Monteiro, 10 de dezembro de 2020.
[Nota: As opiniões expressas nesse artigo pertencem ao seu autor e não representam, necessariamente, as opiniões do Warfare Blog.]
Escrevo este artigo de opinião a partir de uma posição de fortuna - tenho sorte de estar em um emprego onde trabalho e lidero cerca de cem jovens soldados do Exército Britânico. Esta oportunidade é empolgante e fascinante, no entanto, estou perfeitamente ciente de que faço parte de um sistema que está falhando. Vou passar dois anos pedindo a eles que treinem e potencialmente entrem em guerra com equipamentos que, na melhor das hipóteses, foram adquiridos antes de eu nascer e, na pior das hipóteses, foram adquiridos antes do nascimento de meus pais. Embora isso represente uma manifestação física de uma questão mais ampla, o Exército Britânico se tornou uma organização na qual a atividade, limitada por slogans de adesivos de pára-choque, tem primazia sobre os resultados e efeitos que, por sua vez, gerou uma "lacuna entre dizer e fazer" que está paralisando sua eficácia.
Este artigo tentará explicar por que o Exército Britânico tem uma "lacuna entre dizer e fazer". Por que, quando nossa alta liderança diz que algo é importante, isso é enfrentado por uma incapacidade de cumprir? A lacuna "lacuna entre dizer e fazer" é claramente evidente em como adquirimos "coisas", mas talvez seja mais importante na forma como tratamos nosso povo - ambos serão explorados.
A linguagem do absurdo
Em muitos aspectos, é surpreendente que 53% da população do Reino Unido acredite que o Exército Britânico é "inovador" e "líder mundial", mas talvez nem tanto quando um número tão elevado declara desinteresse por questões militares.[1] No entanto, essa narrativa de ser líder mundial e inovador não é ajudada pela linguagem de mudança do Exército, a qual se tornou cada vez mais impenetrável.[2] O impacto dessa linguagem desconcertante é composto por "presentismo militar" e uma cultura que parece cada vez mais modista em seu tom.[3] Tudo não pode ser adaptativo, inovador, transformador e modernizado... e isso antes de entrarmos nas mudanças de jogo, pivôs inteligentes e tiros para a Lua, ou os conceitos abstratos de vantagem da informação, manobra de informação e guerra de protótipos. Esses chavões de mudança se tornaram uma seleção suspensa nos discursos de nossas altas lideranças, com quase todas as comunicações internas e externas polvilhadas com essa linguagem sem sentido. [4]
[1] YouGov British Army Reputation Tracker Wave8 e MOD e pesquisas de reputação das Forças Armadas entre 2015-2020. Acessado em 15 de julho de 2020.
[2] O Major General Copinger-Symes demonstrando o que acontece quando a linguagem militar encontra a mídia social (link), não obstante, o discurso completo levantou alguns pontos úteis para o projeto de transformação da Defense Digital. (Transcrição completa aqui)
[3] Paul Barnes, ‘NEOPHILIA, PRESENTISM, AND THEIR DELETERIOUS CONSEQUENCES FOR WESTERN MILITARY STRATEGY’ maio de 2020, link.
[4] A robótica do Exército recebeu um aumento de £ 66 milhões, Gov.UK, 5 de março de 2019, link.
Por que isso é um problema? Porque estamos perdendo, e em alguns casos perdemos, a capacidade de comunicar nossa mensagem aos nossos senhores políticos, ao público a quem servimos e à nossa própria equipe. Precisamos ser claros sobre os problemas e ameaças e, se não tivermos credibilidade nessas mensagens, não devemos nos surpreender quando o público-chave simplesmente não entende. Essa linguagem impenetrável é uma barreira, não apenas para a compreensão, mas também para o debate - como podemos esperar que as pessoas discutam, critiquem e desenvolvam essas abordagens se elas nunca são claramente articuladas por aqueles que as defendem, ou entendidas por aqueles que precisam implementá-las? A linguagem do absurdo se tornou nossa cultura e parece que o Exército Britânico atingiu o "pico da besteira",[5] um momento em que a narrativa supera os resultados eficazes. A maior besteira para o Exército é um amálgama de conceitos mal definidos, em que os limites da pós-verdade e das notícias falsas são tão aplicáveis à nossa narrativa quanto à negação russa de atividade. Como um relatório de 2015 sobre a cultura do Exército dos EUA descobriu, "o engano que ocorre na profissão das armas é encorajado" e o Exército Britânico não é diferente.[6]
[5] Evan Davis, ‘Post Truth’, pg. xv.
[6] Wong, Leonard, and Stephen J. Gerras. Relatório. Strategic Studies Institute, US Army War College, 2015 (link). Acessado em 24 de outubro de 2020.
Desonestidade intelectual
O Exército Britânico tem sido fortemente criticado por sua aquisição de veículos blindados. A recente audiência do Comitê de Defesa Selecionada (Defence Select Committee) sobre esta questão foi esclarecedora.[7] Embora seja difícil escapar da "idade crescente e obsolescência" de muitos tipos de equipamentos centrais - observando que estamos passando do status clássico para antigo para alguns recursos - o comitê tentou entenda o porquê.[8] Por que é que, com um orçamento de tanto, recebemos tão pouco?[9] A audiência do comitê não foi esclarecedora por causa das respostas oferecidas, mais ainda por causa da preponderância de linguagem evasiva para se infiltrar em respostas deliberadamente ofuscadas. Era quase como se ninguém fosse o responsável e ninguém tivesse tomado a decisão de assumir o problema de que tanto falamos.
[7] O Comitê de Defesa examina projetos de veículos blindados do Exército Britânico, Parlamento do Reino Unido, 15 de outubro de 2020, link.
[8] Ibid.
[9] Gastos militares do Reino Unido/Orçamento de defesa 1960-2020, Macrotrends, link.
O inquérito Chilcott 2016, que avaliou a decisão do Reino Unido de intervir no Iraque, dirigiu críticas significativas ao Exército Britânico pela decisão de continuar usando Snatch Land Rovers 20 anos atrás em face de uma "ameaça clara e crescente de dispositivos explosivos improvisados".[10] Tinha sido lento, e continua a ser, em compreender as lições e agir de acordo com elas. Lições do conflito na Ucrânia e do recente conflito do Nagorno-Karabakh demonstram que a proliferação de sensores e sistemas de armas interligados, guiados por um sistema de comando bem integrado, reduziu a capacidade de sobrevivência de pessoas e veículos no campo de batalha moderno. A eficácia dessas combinações, filmadas e editadas em clipes de mídia social, demonstrou uma humilhação pública das Forças Armadas da Armênia em tempo real ou quase em tempo real. De forma alarmante, a Armênia, operando perto de seus limites, tem lutado e às vezes foi totalmente derrotada. As táticas, técnicas e procedimentos do Exército Britânico podem ter corrido de alguma forma para corrigir esses problemas, no entanto, seu equipamento envelhecido e obsoleto, juntamente com os indivíduos que os tripulam, estariam em risco significativo. O que é mais preocupante é que as potenciais lições que estão sendo discutidas do conflito do Nagorno-Karabakh deste ano não são novas - elas foram identificadas em 2014 na Ucrânia, usadas em todo o Oriente Médio repetidamente desde então e, agora tendo sido aprimoradas, são mais eficazes do que nunca.
[10] Ben Farmer, ‘Chilcot: MoD and Army too slow on Snatch Land Rovers’, The Daily Telegraph, 17 de junho de 2016, link.
Challenger II desembarcando em Camp Lejeune, NC de um LCU MK10 durante o exercício Aurora 2004.
Nossas plataformas atuais, nem as que entrarão em serviço na próxima década, irão alterar esse dilema de sobrevivência de uma maneira completa. Vender este desafio para meus soldados não é um desafio de liderança, é um desafio moral. O Dr. Jack Watling educadamente sugere que "há uma tendência para os soldados ocidentais rejeitarem o que pode ser aprendido com esses incidentes".[11] Eu iria mais longe e sugeriria que há um nível substancial de arrogância nesta organização, que ignora os fatos com uma presunção de que a competência tática superará a proficiência técnica. Esta é uma suposição perigosa.[12]
[11] Jack Watling, 'The Key to Armenia's Tank Loss: The Sensors, Not the Shooters', RUSI Defense Systems, link.
[12] Ibid.
Como observou recentemente o Prof. Peter Roberts do RUSI (Royal United Services Institute), é raro encontrar alguém na linha de negócios de compras que não esteja "se esforçando para tentar fazer tudo funcionar". Então, onde está dando errado?[13] Desonestidade intelectual do problema é central. A Defesa, e o Exército em particular, prefeririam lançar outra iniciativa para tentar contornar esse processo, em vez de tentar reformar o processo de aquisições e desenvolvê-lo. Seja o Fundo de Transformação da Defesa (Defense Transformation Fund),[14] ou o Fundo de Inovação da Defesa (Defense Innovation Fund),[15] A defesa tem demência nos negócios, ignorando ou esquecendo os problemas reais e tentando estabelecer ainda mais iniciativas que tentam fazer as coisas "de maneira diferente" com pouco ou nenhum foco no núcleo problema. As iniciativas acima, complementadas por atividades admiráveis, como o Experimento de Combate do Exército (Army Warfighting Experiment) ou o financiamento de Inovação e Experimentação do Comandante de Campo do Exército (Commander Field Army’s Innovation & Experimentation) geram atividade, mas não resolvem o problema central sobre como adquirimos "coisas" de maneira oportuna e eficaz. Temos uma cultura em que preferimos arriscar a vida de nossos soldados do que tomar decisões difíceis na aquisição, evitando desafiar o processo e os procedimentos que envolvem essas questões. Há uma percepção de que ninguém tem a capacidade de decidir - com aprovações, comitês, programas e governança de projetos - as responsabilidades são ainda mais ofuscadas, sufocando qualquer oportunidade de adaptação no ritmo ou responsabilização das pessoas. As opções são avaliadas quanto ao risco de fazer algo, ignorando o fato de que o risco de não fazer nada muitas vezes é igualmente significativo. Não é apenas que essa "aversão ao risco está nos exaurindo", mas também alterando nossa capacidade de tomar decisões, gerando uma cultura em que fazer a coisa mais fácil, em vez de fazer a coisa certa, é tão frequentemente escolhida.[16]
[13] Western Way of War: Bad Procurement: A Peculiarly Western Issue? Uma conversa entre o Prof Peter Roberts e o Prof John Louth, podcasts do RUSI, terça-feira, 22 de outubro de 2020, link.
[14]Mobilising, Modernising & Transforming Defence, um relatório sobre o Programa de Modernização da Defesa, link.
[15]Advantage through Innovation The Defence Innovation Initiative, link.
[16]Digital Disruption: Discurso do Major General Copinger-Syme na Conferência Inaugural do Comando Estratégico do Reino Unido no RUSI, link.
Prédio do Quartel-General do Exército Britânico em Londres.
Há uma ironia no fato de que as governanças comercial e outras usadas para garantir valor para o dinheiro dos contribuintes impulsiona tais incentivos perversos que vêem o processo como rei. Por que o Quartel-General do Exército é tão grande? Em parte porque muitas vezes o pessoal do processo é priorizado em relação ao pessoal dos cargos que oferecem qualquer oportunidade real de promover mudanças significativas. Este é um desafio de liderança, mas é marcado por uma cultura que nunca apoiou e aparentemente nunca apoiará pensadores disruptivos ou aqueles com um dom para cumprir. O programa CASTLE tem aspirações louváveis e procura identificar como desenvolvemos e empregamos o nosso pessoal corretamente, tanto para maximizar o seu potencial como para resolver os problemas acima mencionados. Precisamos ser melhores em nossos empregos e o ciclo interminável de empregar amadores talentosos evidentemente não é mais adequado. Ironicamente, mesmo o Programa CASTLE, com apoio direto do topo e em seu terceiro ano, ainda está lutando para implementar algo significativo, e certamente nada que possa diminuir a indecisão crônica no centro de como o Exército Britânico gasta seu dinheiro.
A lacuna entre dizer e fazer
É um clichê dizer que nosso ativo mais importante é nosso pessoal.[17] Um cínico diria que um general não pode falar com um tanque, portanto, é claro que dirá que o "soldado britânico é o melhor equipamento que temos", no entanto, é claro que temos uma "lacuna entre dizer e fazer"... quando as ações não correspondem às palavras, o que por sua vez 'corrói a confiança e a credibilidade' em todos os níveis.[18] O anúncio de 2018 de que as mulheres poderiam se juntar a todas as armas do Exército Britânico foi uma mensagem muito direta e clara de que não apenas apreciamos a igualdade, mas entendemos que as mulheres tornam nossas forças de combate "mais eficazes".[19] Com isso em mente, parece estranho que as mulheres no Exército Britânico ainda não tenham uniforme adequado para elas.[20] O impacto real de fazer as mulheres usarem roupas masculinas pode ser discutível, o "e daí" de não ter um colete de armadura corporal que sirva os corpos das mulheres não. Isso demonstra diretamente que não nos importamos o suficiente. Se nós, como organização, acreditamos nessa mensagem, por que ela não é sustentada por dinheiro e ação? Mensagens claras como esta foram enfrentadas por inação e uma clara incapacidade de entrega e são, portanto, um indicador chave de que o Exército Britânico tem um problema cultural. Isso pode, deveria e deve ser tratado por meio de ações diretas de liderança.
Soldados britânicas com armadura corporal para o biotipo masculino.
[17]In Front, The British Army Newsletter, Vol 3, link.
[18] Mary Foster ‘Relationship Matter. Don’t be a turkey’, outubro de 2020. War Room, US Army War College.
[19] General Patrick Sanders, Comandante do Exército de Campo (Field Army) em 2018.
[20] Kate,’Let’s talk about sex’, 13 de setembro de 2020, link.
Conclusões
O mundo interconectado permite que nosso soldado mais jovem, até nossos generais mais antigos, a oportunidade de se comunicarem com um público cada vez maior, em uma variedade de plataformas. Central para a comunicação é a linguagem - ela deve ser clara, concisa e, o mais importante, devemos entendê-la nós mesmos. Temos um problema cultural em que não estamos dispostos a abordar e enfrentar os problemas reais - esse é o verdadeiro desafio de liderança da nossa geração. Devemos ter clareza sobre os desafios que enfrentamos e nossos planos para enfrentá-los - esses desafios e planos devem ser concisos e devem ser compreendidos. Um foco implacável sobre esses desafios deve ocorrer - eles não podem ser redefinidos, reorientados ou reescritos no capricho de nossos processos ou, como tantas vezes é o caso, de nossos ciclos de postagem. Foi-nos oferecida uma verdadeira "oportunidade de ouro" para realizar uma mudança significativa com o último aumento do anúncio de financiamento, mas devemos nos responsabilizar e a única maneira de fazer isso é parar de confundir a atividade com obter resultados e efeitos adequados.[21] Habilidades relevantes, em todas as áreas críticas de Pessoas, Processos e Tecnologia, serão a chave para o caminho à frente.[22] Resolver este desafio exigirá uma direção compreensível e firme, e até que essa linguagem absurda pare é muito difícil ver como essa cultura de apatia e a desonestidade dentro do Exército Britânico jamais mudará.
[21]Boris Johnson's historic spending increase is a golden opportunity for UK defence, The Telegraph, link.
[22]The British Army’s CIO on the Internet of Things, “Buzzword Bingo”, and True Digital Transformation, link.